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Carta de Berkeley: O que é ou quem é um bom professor?

2009-09-27
Por Maria Elvira Callapez

Maria Elvira Callapez
Maria Elvira Callapez
É comum ouvirmos expressões como “tive um excelente professor”, “o professor tal influenciou-me bastante”, “nunca mais me esquecerei daquele professor”, “que saudades daquelas aulas”... Então, quem é, ou quem são esses bons professores? Do que é que guardamos memória? Quem elegemos como bons professores? Que qualidades procuramos num bom professor? Quem pode decidir objectivamente o que é um bom professor e com base em quê?

Será consensual admitir que quando definimos um bom ou mau professor, fazemo-lo com base na nossa experiência pessoal, apesar de existirem muitos estudos sobre o assunto que, segundo Ornstein, têm falhado em produzir resultados úteis, ou porque confirmam o senso comum, ou porque parecem ser altamente questionáveis.

De quem é a responsabilidade? Dos cientistas, dos jornalistas ou do público?

Carta de Berkeley

2007-07-10
Por Maria Elvira Callapez
Maria Elvira Callapez
Maria Elvira Callapez
Há dias, um colega contou-me que pedira a um amigo seu (doutorado em física) que lhe explicasse o trabalho que estava a desenvolver. Em resposta, o amigo do meu colega disse que não era bem capaz de o fazer porque necessitava de ter um conhecimento e uma visão humanista mais alargada para se poder expressar bem. Só sabia falar quase por códigos.

Redes entre academia e indústria

Carta de Berkeley

2007-02-27
Por Maria Elvira Callapez
Elvira Callapez
Elvira Callapez
Já desde há muito que se reconhece a importância e necessidade do estabelecimento de um diálogo aberto entre a universidade e a indústria. Se, por um lado, se discute com alguma frequência a falta de ligação entre a universidade e a indústria, por outro, observa-se a emergência de forças interessadas em corresponder quer às “exigências” particulares da indústria, quer às da universidade. A Portuguese American Postgraduate Society (PAPS), atenta ao papel positivo que ambos os sectores podem desempenhar em benefício um do outro, organizou um colóquio para debater os diferentes tipos de redes de colaboração que se podem estabelecer entre a universidade e a indústria e a forma como se poderão ultrapassar barreiras, fruto de culturas diferentes, que caracterizam tanto a academia como as empresas.

Contributos da PAPS para uma discussão à volta de endogamias

Carta de Berkeley

2007-01-07
Por Maria Elvira Callapez *
Maria Elvira Callapez
Maria Elvira Callapez

A revisão do Estatuto da Carreira Docente Universitária (ECDU) tem sido tema de atenção recorrente nas políticas propostas pelos diferentes governos nos últimos anos em Portugal. Apesar da aparente vontade política para alterar certas directivas vigentes, verifica-se que o ECDU ainda não foi alvo da tão desejável revisão do seu conteúdo.

A Portuguese American Post-Graduate Society (PAPS), atenta à importância de um ECDU promotor da excelência do ensino superior em Portugal, considera que a última declaração, referente a este tema, apresentada pela PAPS em 2001 (anexo em www.papsnet.org) se mantém actual na sua generalidade. O documento que agora apresentamos pretende reiterar as directivas apresentadas anteriormente e propor algumas medidas orientadoras para a revisão do ECDU.

* Em co-autoria com Pedro Vieira e Tiago Outeiro

Citação ou Plágio?

Carta de Berkeley

2006-11-05
Por Maria Elvira Callapez
Maria Elvira Callapez
Maria Elvira Callapez
“When you steal from one author, it’s plagiarism; if you steal from many, it’s research”. (Quando se rouba de um autor é plágio; quando se rouba de muitos é investigação)

Será mesmo assim? Ora, de acordo com as leis vigentes, toda a gente sabe que roubar é considerado um crime. E quando ouvimos falar de roubo, normalmente e de imediato, associamos esse gesto, a dinheiro, a bens materiais, a coisas palpáveis. Talvez não ocorra à grande maioria das pessoas que alguns também roubam pensamentos, ideias, opiniões, palavras, frases, factos, dados, resultados, números, tabelas e trabalho dos outros, sem dar o devido crédito aos autores. Quando isto acontece, estamos a cometer um roubo chamado plágio. Então, se plagiar é roubar, logo é um crime. E que tipo de crime, para além do roubo, é o plágio?

Literacia científica e tecnológica: precisa-se?

Carta de Berkeley

2006-05-10
Por Por Maria Elvira Callapez
O que sentiria cada um de nós se durante a sessão de abertura de uma conferência sobre ciência e tecnologia, o principal orador começasse por confessar à audiência que a maior fraqueza dos homens da ciência e da técnica é a sua iliteracia e que um dos problemas dos homens da ciência e da técnica é a dificuldade em utilizarem uma linguagem simples, clara, rigorosa, efectiva para transmitirem, de uma forma inteligível, o seu conhecimento altamente especializado?.  Pois, estas duas embaraçosas questões foram levantadas, em 1954, durante uma convenção nacional de cientistas e técnicos nos Estados Unidos da América.[i]


[i] E. R. Purpus, “Scientific and Technical Literacy”, The Journal of Higher Education, Vol. 25, No. 9, Dec., 1954, p. 475.

Aquela última aula de história!

Carta de Berkeley

2006-04-05
Por Por Elvira Callapez
No semestre de Outono de 2005 assisti durante quatro meses, três horas por semana  no auditório do Wheeler Hallda Universidade de Califórnia, Berkeley (UCB), às lições do curso de história sobre American History:  Colonial Settlement to Civil War.  Pertenço àquele grupo de pessoas que os americanos designam por Auditor.  Qualquer que seja a nossa condição académica (professor, post doc, visiting schoolar, PhD student, graduate, undergraduate, etc), oriundos de qualquer formação e curso é-nos permitido assistir às aulas de qualquer disciplina do currículo de qualquer curso.  Por conseguinte, durante aquele tempo, estive em contacto com os Freshman, Sophomofore, Junior, Senior e Graduate.

Paper or plastic?

Carta de Berkeley

2006-03-07
Por Por Maria Elvira Callapez
Quando há quase um século atrás, Leo Hendrik Baekeland, químico norte americano de origem belga, sintetizou e patenteou o primeiro plástico, material completamente sintético, a que chamou “baquelite”, provavelmente, não imaginaria que os plásticos pudessem vir a desencadear sentimentos tão ambivalentes e antagónicos, como simpatia e desprezo, amor e ódio! Certamente a frase “Just one word:  Plastics” pouco ou nada significará para a maioria dos jovens portugueses ou de outras nacionalidades, mas alguns dos seus pais e avós talvez conheçam o episódio sobre os plásticos, mostrado no filme “THE GRADUATE”, datado de 1968.  Bem conhecido dos norte-americanos, este filme mostra na sua cena de abertura um Dustin Hoffman, recém graduado, tímido, inexperiente, a receber o conselho de um amigo empresário sobre uma opção para a sua futura carreira profissional: “I just want to say one word to you.  Just one word … Plastics … There's a great future in plastics”.

História da Química: um acontecimento em Portugal

Carta de Berkeley

2006-02-14
Por Por Maria Elvira Callapez
“Mais vale tarde do que nunca”. Fiel a este ditado popular, gostaria de partilhar não só com os historiadores de ciências e tecnologia, mas com todos os que se interessam pela química e sua história, o que recentemente se tem vindo a fazer em Portugal, com impacto internacional.  Pela primeira vez em Portugal (Lisboa e Estoril) teve lugar uma conferência Internacional sobre história da química que decorreu no período de 6 a 10 de Setembro de 2005.  Foi a 5th International Conference on History of Chemistry, organizada pelo Working Party (WP) on History of Chemistry of the European Association for Chemical and Molecular Sciences (EuCheMS) e proposta pelas Sociedade Portuguesa de Química e Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.  Deste encontro fez também parte um Workshop sobre as histórias das sociedades químicas europeias, “European chemical societies. Comparative analyses of demarcation”.   

Em defesa da história das ciências e tecnologia em todos os graus de ensino

Carta de Berkeley

2006-02-07
Por Por Maria Elvira Callapez *
 

 “Science without its history is like a man without a memory”.[i]   É assim que Russel, um conceituado historiador da química, comenta, no seu artigo “Whigs and Professionals”, o distanciamento dos cientistas relativamente à história das suas ciências.

Na mesma linha de pensamento, George Sarton (1885-1956),  um dos proeminentes e pioneiros historiadores das ciências e fundador da prestigiada revista ISIS (fundada em 1912), ainda no início dos anos 50 do século XX, perguntava porquê que a história da ciência é tão negligenciada.  Vai ainda mais longe, referindo que as pessoas que não têm conhecimento sobre a ciência ou apenas a conhecem superficialmente têm medo dela e por isso estão pouco inclinadas para a leitura da sua história.[ii]  Uma das suas grandes preocupações foi estabelecer a história da ciência como uma disciplina académica legítima, autónoma e muito lutou para a profissionalização deste ramo de conhecimento. Terá sido feita justiça a Sarton? 

*  Maria Elvira Callapez está na Universidade da Califórnia, Berkeley, desde 2004 a efectuar um pós-doutoramento na área de história  da ciência e tecnologia no Office for History of Science and Technology. É a mais recente ''aquisição'' da rubrica Cartas de...



[i]   Colin Russel, “Whigs and professionals”, Nature, Vol. 308, 26 April 1984, p. 778

[ii]   George Sarton, The Life of Science – Essays in the History of Civilization, USA, Indiana University Press, 1960, p. 29.

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