Primeira parte da campanha MarPro com balanço positivo
Apesar dos problemas climáticos, registaram-se 48 avistamentos de cetáceos

Na verdade, foram poucos os dias desta primeira parte da campanha que proporcionaram boas condições para o trabalho. Apesar de tudo, o balanço da equipa dos cetáceos é positivo.
O comandante que fez renascer o «Santa Maria Manuela»
«Ciência Hoje» dá a conhecer António São Marcos
Oficial da marinha por vocação e 'herança' familiar, António São Marcos é o comandante, de pleno direito, do “Santa Maria Manuela”, veleiro que é a casa da campanha MarPro, que o «Ciência Hoje» está a acompanhar.
Foi este oficial que coordenou tecnicamente o projecto e a construção do navio iniciada a partir do casco original: “Fui convidado pela Pascoal e Filhos para fazer a coordenação técnica do projecto”, explica. “A Pascoal tinha conhecimento do meu trabalho e do meu curriculum. Era preciso alguém que soubesse navegar à vela e eu já tinha essa experiência por ter sido imediato do Creoula, navio gémeo do Santa Maria Manuela”.
As redes, o hidrofone e o náufrago
«Ciência Hoje» acompanhou MarPro a bordo do “Santa Maria Manuela” (23/ 7 a 4/8)
Na expedição MarPro, a equipa que se levanta mais cedo é a que estuda o plâncton. Pouco faltava para as cinco e meia da madrugada, Agustín, estudante de Ciências do Mar da Universidade de Vigo, e o único representante de uma universidade estrangeira nesta primeira parte da campanha, estava já na sala comum.
A noite não tinha sido propícia ao descanso. O barco ficou parado, sendo fustigado, as estibordo, por fortes vagas, que ora empurravam contra a parede ora quase atiravam para o chão quem tentava dormir. Depois de Agustín, apareceu o Bruno e Flávia, ambos da Universidade do Minho, acompanhados pelo professor Pedro Nunes. Estava na hora de lançar as redes.
Dia de cetáceos e de carapaus cozidos
«Ciência Hoje» acompanhou MarPro a bordo do “Santa Maria Manuela” (23/ 7 a 4/8)
As gaivotas são animais oportunistas. Voam onde há comida, perto da costa ou acompanhando os navios, saltando de barco em barco. Procuram “comida fácil”, comenta Nuno Oliveira, da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA).
Isto porque uma gaivota teimava em seguir o “Santa Maria Manuela” durante a tarde do sexto dia da expedição MarPro. Não se sabem quais as suas intenções, mas foi das poucas companhias voadoras deste dia em que se destacaram os cetáceos e outros animais marinhos. Viu-se de tudo: golfinhos, baleias, cachalotes e até tartarugas. Na cozinha, Sanú preparava carapaus.
Sol na “praia do castelo”
Dia de descanso forçado na campanha MarPro
A “praia do castelo”, explica o comandante do “Santa Maria Manuela”, é aquela zona no convés do navio, à proa, onde nos momentos de descanso em dias solarengos, os navegantes se juntam para se esticarem no chão e apanharem sol ao balanço das ondas. Foi aí que passaram o quinto dia do MarPro parte dos participantes da campanha, num exercício de paciência.
O mar estava novamente bravo, sendo impossível qualquer trabalho de avistamento de cetáceos. E só no dia seguinte de manhã, o navio alcançaria o ponto definido para retomar os trabalhos.
Santa Maria Manuela rumo a Sul
«Ciência Hoje» acompanha expedição MarPro

Este percurso seria feito até amanhã, ou seja, dia 4 de Agosto, dia no qual o Santa Maria Manuela atraca no Parque das Nações, em Lisboa, mesmo a tempo do Festival dos Oceanos. Aí, o navio ficará aberto a visitas até voltar a partir, rumo a sul, para cobrir aquela parte da costa, aproximadamente até à latitude de Rabat, Marrocos. Mas foi o mau tempo que ditou uma sorte diferente para as primeiras duas semanas da campanha.
Cagarros e marinheiros
«Ciência Hoje» acompanha expedição MarPro a bordo do Santa Maria Manuela

Joana Andrade, da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), que faz equipa com Nuno Oliveira também da SPEA, Rui Pedro, um jovem voluntário da SPEA, e Carlos Santos, do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), confirma que já foram avistados cagarros, painhos e garajaus. De repente, a voar rente ao mar, mais um cagarro.
Primeiros dias em alto mar
«Ciência Hoje» acompanha expedição MarPro a bordo do Santa Maria Manuela

No primeiro dia da campanha MarPro (22 de Julho), promovida pela Universidade de Aveiro e do Minho, quase não se via vivalma no navio. Com ventos a mais de 40 nós e o mar inquieto, o rumo ao norte tornou-se penoso. O Santa Maria Manuela era uma espécie de barco fantasma empurrado pelo vento. Na hora das refeições quem se encontrava na sala de jantar, não conseguia segurar a cabeça a não ser pousando-a nas mãos abertas em concha.
Todas as notícias desta secção:
Primeira parte da campanha MarPro com balanço positivo (2011-08-11)O comandante que fez renascer o «Santa Maria Manuela» (2011-08-09)
As redes, o hidrofone e o náufrago (2011-08-08)
Sol na “praia do castelo” (2011-08-04)
Dia de cetáceos e de carapaus cozidos (2011-08-04)
Santa Maria Manuela rumo a Sul (2011-08-03)
Cagarros e marinheiros (2011-08-02)
Primeiros dias em alto mar (2011-08-01)
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