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Primeira parte da campanha MarPro com balanço positivo

Apesar dos problemas climáticos, registaram-se 48 avistamentos de cetáceos

2011-08-11

Houve ao todo 48 avistamentos, o que equivale, estima-se, a 272 indivíduos
Houve ao todo 48 avistamentos, o que equivale, estima-se, a 272 indivíduos
Navegando sob uma das zonas mais ricas em biodiversidade de todo o percurso - Banco de Gorringe - a equipa do MarPro, a bordo do Santa Maria Manuela, teve dois dias muito agitados em avistamentos de cetáceos. Estes mamíferos aquáticos, que continuam a ser muito pouco conhecidos por serem difíceis de observar, como explicou ao «Ciência Hoje» Marisa Ferreira, da Universidade do Minho, apareceram em força, mesmo não estando o mar nas condições perfeitas.

Na verdade, foram poucos os dias desta primeira parte da campanha que proporcionaram boas condições para o trabalho. Apesar de tudo, o balanço da equipa dos cetáceos é positivo.

O comandante que fez renascer o «Santa Maria Manuela»

«Ciência Hoje» dá a conhecer António São Marcos

2011-08-09
Por Luísa Marinho (texto e fotos)

Comandante António São Marcos
Comandante António São Marcos
Oficial da marinha por vocação e 'herança' familiar, António São Marcos é o comandante, de pleno direito, do “Santa Maria Manuela”, veleiro que é a casa da campanha MarPro, que o «Ciência Hoje» está a acompanhar.

Foi este oficial que coordenou tecnicamente o projecto e a construção do navio iniciada a partir do casco original: “Fui convidado pela Pascoal e Filhos para fazer a coordenação técnica do projecto”, explica. “A Pascoal tinha conhecimento do meu trabalho e do meu curriculum. Era preciso alguém que soubesse navegar à vela e eu já tinha essa experiência por ter sido imediato do Creoula, navio gémeo do Santa Maria Manuela”.

As redes, o hidrofone e o náufrago

«Ciência Hoje» acompanhou MarPro a bordo do “Santa Maria Manuela” (23/ 7 a 4/8)

2011-08-08
Por Luísa Marinho (texto e fotos)

Redes para recolha de água são lançadas de madrugada
Redes para recolha de água são lançadas de madrugada
Na expedição MarPro, a equipa que se levanta mais cedo é a que estuda o plâncton. Pouco faltava para as cinco e meia da madrugada, Agustín, estudante de Ciências do Mar da Universidade de Vigo, e o único representante de uma universidade estrangeira nesta primeira parte da campanha, estava já na sala comum.

A noite não tinha sido propícia ao descanso. O barco ficou parado, sendo fustigado, as estibordo, por fortes vagas, que ora empurravam contra a parede ora quase atiravam para o chão quem tentava dormir. Depois de Agustín, apareceu o Bruno e Flávia, ambos da Universidade do Minho, acompanhados pelo professor Pedro Nunes. Estava na hora de lançar as redes.

Dia de cetáceos e de carapaus cozidos

«Ciência Hoje» acompanhou MarPro a bordo do “Santa Maria Manuela” (23/ 7 a 4/8)

2011-08-04

Cozinheiro Sanú e o seu ajudante Fernando
Cozinheiro Sanú e o seu ajudante Fernando
As gaivotas são animais oportunistas. Voam onde há comida, perto da costa ou acompanhando os navios, saltando de barco em barco. Procuram “comida fácil”, comenta Nuno Oliveira, da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA).

Isto porque uma gaivota teimava em seguir o “Santa Maria Manuela” durante a tarde do sexto dia da expedição MarPro. Não se sabem quais as suas intenções, mas foi das poucas companhias voadoras deste dia em que se destacaram os cetáceos e outros animais marinhos. Viu-se de tudo: golfinhos, baleias, cachalotes e até tartarugas. Na cozinha, Sanú preparava carapaus.

Sol na “praia do castelo”

Dia de descanso forçado na campanha MarPro

2011-08-04
Por Luísa Marinho (texto e fotos)

Veraneantes da 'praia do castelo' e o baralho do Magano
Veraneantes da 'praia do castelo' e o baralho do Magano
A “praia do castelo”, explica o comandante do “Santa Maria Manuela”, é aquela zona no convés do navio, à proa, onde nos momentos de descanso em dias solarengos, os navegantes se juntam para se esticarem no chão e apanharem sol ao balanço das ondas. Foi aí que passaram o quinto dia do MarPro parte dos participantes da campanha, num exercício de paciência.

O mar estava novamente bravo, sendo impossível qualquer trabalho de avistamento de cetáceos. E só no dia seguinte de manhã, o navio alcançaria o ponto definido para retomar os trabalhos.

Santa Maria Manuela rumo a Sul

«Ciência Hoje» acompanha expedição MarPro

2011-08-03
Por Luísa Marinho (texto e fotos)
Navio atraca amanhã em Lisboa.
Navio atraca amanhã em Lisboa.
Foi uma questão de altas e baixas pressões, ciclones e anticiclones que quase comprometeu a primeira parte da campanha MarPro. Dividida em duas etapas, a missão partiu de Aveiro para o norte (latitude de Vigo), onde estava previsto fazer a costa portuguesa, em zig-zag, entre 50 e 400 milhas náuticas de este a oeste.

Este percurso seria feito até amanhã, ou seja, dia 4 de Agosto, dia no qual o Santa Maria Manuela atraca no Parque das Nações, em Lisboa, mesmo a tempo do Festival dos Oceanos. Aí, o navio ficará aberto a visitas até voltar a partir, rumo a sul, para cobrir aquela parte da costa, aproximadamente até à latitude de Rabat, Marrocos. Mas foi o mau tempo que ditou uma sorte diferente para as primeiras duas semanas da campanha.

Cagarros e marinheiros

«Ciência Hoje» acompanha expedição MarPro a bordo do Santa Maria Manuela

2011-08-02
Por Luísa Marinho (texto e fotos)
Joana Andrade da SPEA e Carlos Santos, do ICNB.
Joana Andrade da SPEA e Carlos Santos, do ICNB.
Na manhã do terceiro dia de viagem já está tudo mais calmo de cabeça e de estômago. No convés, as três equipas de observação da campanha MarPro – de aves, cetáceos e lixo - trabalham a cem por cento, apesar do céu nublado. E é a das aves a que se encontra mais entusiasmada com os avistamentos.

Joana Andrade, da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), que faz equipa com Nuno Oliveira também da SPEA, Rui Pedro, um jovem voluntário da SPEA, e Carlos Santos, do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), confirma que já foram avistados cagarros, painhos e garajaus. De repente, a voar rente ao mar, mais um cagarro.

Primeiros dias em alto mar

«Ciência Hoje» acompanha expedição MarPro a bordo do Santa Maria Manuela

2011-08-01
Por Luísa Marinho (texto e fotos)
O Santa Maria Manuela na manhã da partida, 23 de Julho
O Santa Maria Manuela na manhã da partida, 23 de Julho
No mar não se enjoa, fica-se “mareado”. Adjectivo utilizado por brasileiros e espanhóis que define na perfeição esta sensação - na cabeça e no estômago - de acompanhar involuntariamente o balanço do mar. E o mar não foi nada delicado para quem se estreou nestas andanças.

No primeiro dia da campanha MarPro (22 de Julho), promovida pela Universidade de Aveiro e do Minho, quase não se via vivalma no navio. Com ventos a mais de 40 nós e o mar inquieto, o rumo ao norte tornou-se penoso. O Santa Maria Manuela era uma espécie de barco fantasma empurrado pelo vento. Na hora das refeições quem se encontrava na sala de jantar, não conseguia segurar a cabeça a não ser pousando-a nas mãos abertas em concha. 

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