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Mary Leakey nasceu há cem anos

Reconhecida pelos seus trabalhos de arqueologia e antropologia
a investigadora ajudou a perceber a evolução humana

2013-02-06
Mary Leakey foi uma das investigadoras mais importantes do século XX
Mary Leakey foi uma das investigadoras mais importantes do século XX

Arqueóloga, antropóloga e aventureira, Mary Leakey nasceu há 100 anos, em Londres. Uma das cientistas mais importantes do século XX, lançou preciosas luzes sobre as origens do ser humano. Destacou-se com a descoberta do primeiro fóssil do esqueleto de procônsul, um primata que poderá ser antepassado dos hominídeos.

Ficou também conhecida pelas suas escavações, juntamente com o seu marido Louis Leakey, na garganta de Olduvai (Tanzânia) e por ter desenvolvido um sistema de classificação dos instrumentos de pedra lá encontrados, a primeira indústria lítica dos hominídeos do período Paleolítico Inferior. Foi também ela que descobriu as pegadas de hominídeo que se tornaram conhecidas como pegadas de Laetoli.

Diáspora cigana começou há 1500 anos

Povos 'roma' deixaram o nordeste da Índia e disseminaram-se pela Europa a partir dos Balcãs

2012-12-06
Presença do povo cigano na Europa
Presença do povo cigano na Europa

O êxodo que levou os povos roma – ciganos – a espalharem-se, a partir do noroeste da Índia, por diversas partes do mundo começou há 1500 anos. Estas são as conclusões de um estudo de DNA de 13 populações ciganas da Europa. As investigações foram realizadas por David Comas, da Universidade Pompeu Fabra de Barcelona, e Manfred Kayser, da Erasmus MC, de Roterdão. O trabalho está publicado na revista «Current Biology».

Os investigadores compararam material genético de indivíduos ciganos europeus com o de habitantes das zonas da Índia de onde este povo é originário. A ideia era perceber que mutações se produziram e obter uma espécie de relógio biológico que permitisse datar o momento em que os grupos se dividiram.

Norte-africanos também têm traços
de hibridação com Neandertais

Foram analisados 780 mil marcadores genéticos
de sete populações do norte de África

2012-11-07
Mapa da percentagem dos traços Neandertais nas populações norte-africanas (clique para aumentar)
Mapa da percentagem dos traços Neandertais nas populações norte-africanas (clique para aumentar)

As populações do norte de África apresentam, tal como as populações não africanas, traços genéticos de hibridação com o homo neanderthalensis, espécie desaparecida entre 30 mil e 24 mil anos.

Desde a descoberta da hibridação entre as duas espécies
de homo (sapiens e neanderthalensis) que se pensava que apenas as populações de origem europeia e asiática tinham registo dessa mescla, visto os Neandertais não terem habitado África.

“Cozinhar tornou-nos humanos”

Estudo defende que preparar comida desenvolveu o cérebro humano

2012-10-23
Cozinhar alimentos trouxe valores nutricionais
Cozinhar alimentos trouxe valores nutricionais
Segundo um estudo publicado hoje na Proceedings of the National Academy of Sciences, por uma equipa Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil, cozinhar ajudou o cérebro humano a desenvolver-se.

Suzana Herculano-Houzel e Karina Fonseca-Azevedo, investigadoras responsáveis pela investigação, explicam que uma dieta baseada em alimentos crus impõe limitações energéticas aos grandes primatas –o que explica por que os gorilas, por exemplo, que podem ser até três vezes maiores do que os humanos e têm o cérebro consideravelmente menores.

Khoisan são os descendentes directos dos primeiros humanos modernos

Investigadores identificaram os seis genes-chave para o desenvolvimento do crânio e do cérebro

2012-09-21
Mulher Khoisan (créditos: Lisa Gray)
Mulher Khoisan (créditos: Lisa Gray)

O genoma de 220 pessoas de 11 populações subsarianas, o maior estudo africano realizado até agora, confirma que os Khoisan (nome unificado de dois grupos étnicos do sul de África) ou bosquímanos são descendentes em linha directa dos primeiros humanos modernos, que evoluíram no sul do continente africano há mais de 100 mil anos.

Já se sabia que esta era a população com a maior diversidade genética do mundo. Mas este estudo identifica os seis genes-chave para o desenvolvimento do crânio e do cérebro, que foram objecto de selecção 'darwiniana' naquela época e que, provavelmente, criaram a anatomia humana moderna num prazo relativamente curto. Outros fenómenos genéticos posteriores, subjacentes às adaptações da população ao seu ambiente, definiram a potência muscular, a protecção contra os raios ultravioleta e a resposta imunológica contra infecções. Os resultados estão publicados na «Science».

Neandertais consumiam plantas pelos seus efeitos curativos

Investigação sugere que esta espécie tinha conhecimento sofisticado sobre o seu meio ambiente

2012-07-21
A chamada 'galeria das ossadas', da gruta El Sidrón (Astúrias)
A chamada 'galeria das ossadas', da gruta El Sidrón (Astúrias)

Os Neandertais que habitaram a gruta de El Sidrón (Astúrias) conheciam, provavelmente, as qualidades curativas e nutricionais de algumas plantas. A equipa internacional de investigadores chegou a esta conclusão através da análise do cálculo dentário (tártaro) de cinco indivíduos adultos e uma criança desta espécie.

O Conselho Superior de Investigações Científicas espanhol (CSIC), a Universidade de York (Reino Unido) e Universidade Autónoma de Barcelona contribuem para desmontar a ideia de que esta espécie seria quase exclusivamente carnívora. O estudo publicado na «Naturwissenschaften».

Nem todos os americanos originais eram 'Clóvis'

Nova investigação acende discussão sobre quem terão sido
os primeiros habitantes do continente americano

2012-07-13
As pontas de lança encontradas em Oregon
As pontas de lança encontradas em Oregon

A discussão sobre quem foram os primeiros humanos a chegar e a povoar a América continua em aberto. Durante bastante tempo defendeu-se que a migração deu-se cruzando o estreito de Bering (da Sibéria para o Alasca) há 13 500 anos atrás. Esses primeiros habitantes terão desenvolvido aquela que se designa por cultura Clóvis.

Novos estudos, como o publicado o ano passado por investigadores da Universidade Texas A&M na «Science», indicam a presença de uma cultura material pré-Clóvis. A investigação publicada agora na mesma revista, dirigida pelo arqueólogo Dennis Jenkins, da Universidade de Oregon e com a participação da investigadora portuguesa Paula F. Campos (Centro de Geogenética, Universidade de Copenhaga), apresenta fósseis de excrementos humanos e pontas de lança líticas encontradas na gruta de Pasley (Oregon), pertencentes a uma população com tecnologia própria, contemporânea ou até anterior à de Clóvis.

DNA de humano moderno mais antigo
da pré-História está a ser decifrado

Investigadores espanhóis analisam material genético de dois indivíduos com 7 mil anos

2012-06-28
Mandíbula com 7 mil anos
Mandíbula com 7 mil anos

Uma equipa de cientistas dirigida por Carles Lalueza-Fox, do Conselho Superior de Investigações Científicas espanhol (CSIC), acaba de obter os primeiros dados de genoma humano do Mesolítico. Os investigadores recuperaram parte do genoma e do DNA mitocondrial de dois indivíduos que viveram há 7 mil anos.

Os vestígios foram encontrados no sítio de La Braña-Arintero (León, Espanha). Os resultados estão publicados na revista «Current Biology». Este é o mais antigo material genético humano alguma vez encontrado, superando o famoso Ötzi, o 'Homem do Gelo', em 1700 anos.

Investigação portuguesa ao estilo de ‘Ossos’

Peritos em antropologia forense criam colecções de esqueletos identificados

2012-05-17
Por Susana Lage
Hugo Cardoso é o investigador líder do BoneMedLeg Research Project
Hugo Cardoso é o investigador líder do BoneMedLeg Research Project
Os esqueletos não servem só para estar debaixo da terra ou como decoração no Dia das Bruxas. No departamento de Medicina Legal e Ciências Forenses da Faculdade de Medicina do Porto, as ossadas humanas podem ter um propósito com muito mais sentido, pelo menos científico.

Muitas técnicas e métodos que o antropólogo utiliza actualmente para a identificação de restos humanos esqueletizados e para a análise de evidências de trauma em contexto forense foram desenvolvidos a partir de colecções constituídas há mais de 50 anos, ou que incluem indivíduos que faleceram há mais de 50 anos. As características biológicas destes indivíduos, na maioria dos casos, não correspondem exactamente às dos actuais.

Fósseis de dinossauros carnívoros encontrados na Austrália

Estudo vem fazer repensar anteriores investigações

2012-05-17
Existem evidências que houve uma grande diversidade de pequenos velociraptores
Existem evidências que houve uma grande diversidade de pequenos velociraptores
Pelo menos sete tipos de dinossauros assassinos viveram no que é agora o Sudeste da Austrália, segundo avançou um novo estudo. A investigação publicada na PLoS ONE descreve a descoberta de cientistas da Universidade de Monash e do Museu Victoria que revela uma maior biodiversidade do que se esperava sobre estes carnívoros, com fósseis de terópodes de há 105 e 120 milhões de anos.

O investigador Tom Rich liderou a equipa que reuniu os fósseis encontrados em Stzelecki e Otway Ranges, no Sul de Victoria, durante 30 anos, com colegas Lesley Kool, Dave Pickering e Pat Vickers-Rich.

Mamutes de Creta não ultrapassavam um metro de altura

Estudo do Museu de História Natural de Londres revela mais um caso de nanismo insular

2012-05-09
Os vestígios foram encontrados em Cabo Malekas, Creta
Os vestígios foram encontrados em Cabo Malekas, Creta

Na ilha de Creta, Grécia, viveu a espécie “anã” de mamute, a mais pequena que se conhece. Investigadores do Museu de História Natural de Londres baptizaram-na como Mammuthus creticus. Na sua idade adulta era tão grande como uma cria de um elefante africano, não ultrapassando um metro de altura. Este animal viveu durante o Pleistoceno, há 3,5 milhões de anos.

Os vestígios que foram agora estudados consistem em alguns molares e um úmero. Os molares foram levados para a Grã-Bretanha em 1904 pela pioneira da paleontologia Dorothea Bate, que os encontrou no sítio de Cabo Malekas. A investigadora Virgina L. Herridge, do Museu de História Natural, decidiu voltar a estudar aquela colecção de fósseis, completada com mais restos entretanto descobertos por George Iliopoulos.

Investigadora portuguesa confirma teoria sobre bipedismo

Necessidade de transportar alimentos valiosos terá provocado forte pressão evolutiva

2012-03-21
Susana Carvalho na Guiné Conacri
Susana Carvalho na Guiné Conacri

A cientista Susana Carvalho sugere na sua tese de doutoramento que  a necessidade de transporte de alimentos raros terá impulsionado o bipedismo. Esta investigadora, de quem o «Ciência Hoje» já falou (aqui), prestou provas com sucesso, segunda-feira passada, na Universidade de Cambridge.

Ao estudar os chimpanzés da Guiné Conacri, na vertente de "arqueologia dos primatas", chegou a esta conclusão sobre o bipedismo, confirmando uma teoria de 1961, até agora não validada por observações de campo.

Revelados dados sobre primitivo 'sapiens' que viveu na China

“Pessoas do veado vermelho” viveram no período de transição
entre o Pleistoceno e o Holoceno

2012-03-15

Os restos deste hominídeo foram encontrados no sudoeste da China
Os restos deste hominídeo foram encontrados no sudoeste da China
Seres humanos com traços muito primitivos habitaram, entre 14 500 e 11 000 anos, o sudoeste da China, compartindo o espaço e o tempo com a espécie mais moderna, a nossa. Os primeiros estudos dos fósseis encontrados estão publicados no último número da «PLoS ONE».

Os restos fossilizados são fragmentos de quatro indivíduos encontrados em dois sítios diferentes: Longlin (província de Guangzi) e em Maludong (província de Yunna). 

Europeus e asiáticos são descendentes dos mesmos africanos

Estudo recorre à comparação genética entre 385 indivíduos

2012-01-31
Hoje existe muito mais diversidade genética entre a população africana
Hoje existe muito mais diversidade genética entre a população africana
Europeus e asiáticos descendem do mesmo grupo de africanos que chegou ao Sul da Península Arábica há 60 mil anos, conclui um estudo coordenado por Luísa Pereira.

Segundo a investigadora do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP), os descendentes desse grupo rumaram depois, uns em direcção à Ásia, tendo chegado à Austrália há 50 mil anos, e outros para a Europa, onde terão chegado dez mil anos depois.

Milho era consumido na costa peruana há mais de 6000 anos

Artigo da «PNAS» mostra que cereal era consumido em forma de pipoca e farinha

2012-01-25
Consumo de pipocas na costa centro e sul do oeste americano (créditos: Pamela Belding/STRI)
Consumo de pipocas na costa centro e sul do oeste americano (créditos: Pamela Belding/STRI)

Os habitantes de há 6700 anos da costa do Pacífico, onde hoje é o Peru, já consumiam milho, nomeadamente em forma de pipoca e farinha. Esta recente descoberta trouxe duas “surpresas” aos arqueólogos: o milho é consumido há mais dois mil anos do que se pensava e ainda antes da utilização da cerâmica naquela zona do mundo.

O estudo está publicado na «Proceedings of the National Academy of Sciences» e tem como co-autora Dolores Piperno, curadora de Arqueologia do Novo Mundo do Museu Nacional de História Natural Smithsonian (EUA) e investigadora do Instituto Smithsonian de Investigação Tropical (Panamá).

Apenas 17 por cento dos açorianos viviam mais de 50 anos no século XVI

2011-12-11
 Foram examinados esqueletos de 108 indivíduos
Foram examinados esqueletos de 108 indivíduos
Dois terços da população açoriana sobreviviam no século XVI até à idade adulta, mas apenas 17 por cento dos residentes chegava a idades superiores a 50 anos, apurou um estudo da Universidade dos Açores (UAç).

A pesquisa em causa, cujos resultados constam de uma nota divulgada pelo departamento de Biologia da academia açoriana, incidiu sobre esqueletos de 108 indivíduos, exumados em 2007 do interior da antiga igreja do Convento de S. Gonçalo, em Angra do Heroísmo.

América era habitada por caçadores há 14 mil anos

O chamado “povo de Clóvis” não foi o primeiro a pisar o continente

2011-10-21
Mastodonte de Manis foi caçado há 13800 anos
Mastodonte de Manis foi caçado há 13800 anos

A teoria de que os primeiros povoadores do continente americano teriam aparecido há 13 mil anos, a chamada cultura de Clóvis, há muito que é discutida e posta em causa. Uma investigação recente sobre fósseis descobertos nos anos 70 reforça a teoria de que havia já caçadores na América do Norte há aproximadamente 14 mil anos.

O estudo da equipa do Centro de Geogenética da Universidade de Copenhaga e do Centro de Estudos dos Primeiros Americanos da Universidade de Texas está agora publicada na revista «Science».

Novas descrições do «Australopithecus sediba» certificam-no como antepassado humano

Um ano após primeiros estudos, cientistas revelam novidades deste hominídeo primitivo

2011-09-08
Crânio daquele que pode ser o mais antigo antepassado directo do «Homo sapiens»
Crânio daquele que pode ser o mais antigo antepassado directo do «Homo sapiens»

Num artigo publicado há pouco mais e um ano na revista «Science» e divulgado aqui pelo «Ciência Hoje» dava-se a conhecer um provável antepassado directo do género Homo, o australopiteco Australopithecus sediba que viveu há 2 milhões de anos em África. Os restos estudados correspondiam a uma mulher de aproximadamente 30 anos e de um menino de 10.

Agora, a mesma revista publica cinco estudos diferentes onde são descritos novos pormenores da anatomia desta espécie. As descobertas, dizem os especialistas, põe mesmo em causa algumas teorias existentes sobre a evolução humana. 

Mudanças evolutivas rápidas não perduram

Estudo explica mecanismos da evolução

2011-08-25

Mudanças duradouras demoram um milhão de anos a acontecer
Mudanças duradouras demoram um milhão de anos a acontecer
Embora a evolução seja um processo constante e que, em alguns momentos, acontece de uma forma rápida, os cientistas constataram que as mudanças que perduram demoram um milhão de anos a acontecer.

Um estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences” e que foi realizado por investigadores da Universidade de Oregon, nos EUA, ajudou a resolver um velho debate e a aparente contradição entre mudanças evolutivas de curto e longo prazo.

Pela primeira vez, foram combinados dados de períodos curtos entre dez e cem anos com outros de períodos mais longos, em registos fósseis de mais de cem milhões de anos. Desta forma, estudou-se em conjunto a rápida evolução observada por biólogos em espécies contemporâneas; as mudanças lentas e estáveis observadas por paleontólogos; e as diferenças drásticas e macro-evolutivas entre os tamanhos e formas das espécies.

Português descobre primeiras pegadas de dinossauro em Angola

Marcas podem pertencer a saurópode do Cretácico Inferior

2011-08-24
Octávio Mateus também descobriu primeiro fóssil de dinossauro em Angola
Octávio Mateus também descobriu primeiro fóssil de dinossauro em Angola

O paleontólogo Octávio Mateus revelou à agência Lusa ter descoberto as primeiras pegadas de dinossauro encontradas em Angola, durante uma expedição internacional ocorrida entre Julho e este mês naquele país.

O cientista português explicou que se trata das “primeiras pegadas que se conhecem em Angola”, que se presume pertencerem a um dinossauro saurópode que terá vivido no Cretácico Inferior, há  128 milhões de anos. Ao todo, a descoberta é composta por 70 pegadas de mamíferos e por dois trilhos de dinossauros, um deles ainda com “impressões de pele”.

Os achados de pegadas de mamíferos levam a equipa de cientistas internacionais, composta ainda por dois americanos e por um holandês e com colaboração angolana, a admitir a descoberta de “mamíferos muito maiores do que aqueles que se pensavam existirem à época no resto do mundo”, dada a dimensão de pegadas que rondam os cinco centímetros.

Descobertas as mais antigas unhas de primatas que se conhecem

«Teilhardina brandti» era uma espécie de lémure que viveu há 55 milhões de anos

2011-08-17
"Teilhardina brandti" era uma espécie de lémure de pequenas dimensões

O primata Teilhardina brandti terá sido um dos primeiros a possuir unhas. Paleontólogos da Universidade de Flórida analisaram os fósseis de mais de 25 exemplares desta espécie extinta. Segundo os investigadores, as células endurecidas dos dedos apareceram há 55 milhões de anos, durante o Eoceno, facilitando um tacto mais possibilidades sensitivas.

Publicado no «American Journal of Physical Anthropology», o trabalho explica que as unhas permitiram a esta espécie de lémure pendurar-se aos galhos das árvores e mover-se agilmente entre elas.

Réptil marinho gigante põe Angola na história da Paleontologia

Português da Universidade Nova de Lisboa integra equipa PaleoAngola

2011-08-11
Réptil marinhos gigante. (Projecto paleoAngola)
Réptil marinhos gigante. (Projecto paleoAngola)
Um fóssil de um réptil marinho gigante foi descoberto pelo investigador brasileiro José Luiz Neves, na orla marítima da barra do Kwanza, em Angola, segundo divulgou hoje a agência angolana Angop. Segundo o cientista, o fóssil pertence a um dos maiores predadores de todos os tempos, com pelo menos dez metros de comprimento e em vida pesava mais de dez toneladas.

“Sinto-me extremamente agraciado por essa descoberta e serve como retribuição ao país que me acolheu de braços abertos para colaborar no seu desenvolvimento”, referiu Neves, sublinhando que agora “Angola entra para a história da Paleontologia, colaborando para desvendar o passado remoto do Planeta Terra e ajuda a escrever a sua história”.

Descobertos hábitos canibais de antiga tribo mexicana

Nova investigação confirma relatos do século XII

2011-07-25
Ossos analisados foram descobertos na Caverna de Maguey
Ossos analisados foram descobertos na Caverna de Maguey

A antiga tribo dos Xiximes, que habitou o norte do México até meados do século XV , praticava canibalismo, de acordo com um grupo de antropólogos do Instituto Nacional de Antropologia e História daquele país.

Quatro anos de investigação na Caverna de Maguey, nas montanhas da Sierra de Durango, permitiram que os especialistas confirmassem que o grupo alimentava-se de carne humana durante rituais associados à guerra e ao ciclo agrícola.


O canibalismo dessa etnia tinha sido descrito em fontes etno-históricas do século XVII, principalmente em documentos de missionários europeus.

Encontrado o lagarto grávido mais antigo de sempre

Fóssil tinha 15 embriões quase totalmente desenvolvidos no corpo

2011-07-21
O lagarto estava a poucos dias de dar à luz quando morreu e foi sepultado (foto: BBC Nature)
O lagarto estava a poucos dias de dar à luz quando morreu e foi sepultado (foto: BBC Nature)
Um fóssil de 120 milhões de anos é o lagarto grávido mais antigo alguma vez descoberto, de acordo com um artigo publicado na revista Naturwissenschaften.

O fóssil encontrado na China é um lagarto muito completo, de 30 centímetros, com mais de uma dúzia de embriões no corpo.

Forma “moderna” de caminhar tem quatro milhões de anos

Pegadas de Laetoli serviram de base para novo estudo

2011-07-20
Pegadas de Laetoli, na Tanzânia
Pegadas de Laetoli, na Tanzânia
Uma nova investigação indica que os nossos ancestrais começaram a andar da mesma forma que o homem anda hoje em dia dois milhões de anos antes do que se pensava. 

As pegadas pré-históricos de Laetoli, na Tanzânia, serviram de base para os investigadores demonstrarem que os hominídeos que povoavam a região há 3,7 milhões de anos, os Australopithecus afarensis, caminhavam de forma mais semelhante às pessoas da actualidade do que aos primatas bípedes, como os chimpanzés ou os gorilas. 

O estudo, que recorreu a simulações de computador para se prever a forma das pegadas do Australopithecus afarensis, foi publicado pelo “Journal of Royal Society”.

Fósseis de insectos extintos descobertos no Peru

Cinco espécies detectadas podem esclarecer história do Amazonas

2011-07-18
Fóssil da vespa de seis patas (Foto: Museu Meyer Hönninger)
Fóssil da vespa de seis patas (Foto: Museu Meyer Hönninger)

Cientistas peruanos encontraram quatro espécies de insectos e uma de aranha, todos extintos, fossilizadas em âmbar de 20 milhões de anos. A descoberta foi liderada pelo paleontólogo Klaus Hönninger, director do museu Meyer Hönninger, que detectou as cinco espécies desaparecidas em Abril, junto às margens do rio Santiago, um afluente do Amazonas, onde havia 360 peças de âmbar.

De acordo com Hönninger, esta descoberta vai permitir determinar como viviam esses animais há 20 milhões de anos, assim como reconstruir o habitat dessa região nessa época. "Vamos poder compreender como era o Amazonas", referiu.

O paleontólogo explicou que as espécies encontradas compartilham a característica de terem longas extremidades, uma possível forma de adaptação ao meio em que viviam. Na sua opinião, a espécie “mais estranha” presa no âmbar é uma aranha de dois milímetros de comprimento, com patas com o triplo do tamanho de seu corpo.

Mães não se comprometem sem apoio da sociedade

Antropóloga evolucionista abriu discussão durante GABBA 2011

2011-07-08
Por Marlene Moura (Texto) e Luísa Marinho (Foto)
Antropóloga feminista darwinista realça papel das mães.
Antropóloga feminista darwinista realça papel das mães.
Sarah Hrdy, antropóloga evolucionista norte-americana, reconhecida como uma feminista Darwinista, acentuou, ao longo do dia de hoje, que a visão do naturalista Charles Darwin é digna de ovação, mas defende assentar num modelo antropocêntrico masculino e “machista”. A investigadora esteve no Porto, no âmbito do Simpósio Anual GABBA 2011, enquadrado na questão geral «O que faz de nós humanos?». Foi neste contexto que Hrdy deambulou por comparações entre seres humanos e primatas abordando o papel aloparental (de pais não biológicos) e cooperativo na alimentação.

Há quem diga que a, ainda, autora de vários livros fez revelações desconcertantes sobre maternidade e, para muitos, revolucionou o conceito evolucionista de Darwin, dominado por ideias machistas. “Passei quase toda a minha vida adulta a tentar perceber quem sou e como é que criaturas como eu se tornaram no que são”, já escrevera há algum tempo. Em entrevista ao «Ciência Hoje» Sarah Hrdy confessou ainda não ter a resposta, mas acredita estar “cada vez mais perto”.

Ciganos são heterogéneos e diferenciam-se entre si

“É preciso desmontar preconceitos!”, alerta investigadora

2011-07-01
Por Carla Sofia Flores
Tradições culturais variam consoante os grupos
Tradições culturais variam consoante os grupos
Com maior ou menor intensidade, os ciganos continuam a ser vítimas de preconceitos e a ser estigmatizados pelos não ciganos, um pouco por todo o lado, dando-se assim azo a um afastamento e falta de interacção. Contudo, esta realidade também existe dentro da própria comunidade cigana, que é “muito heterógenea”, sendo que há grupos que se diferenciam entre si e negam a autenticidade da identidade cigana a outros.

Este cenário foi registado por Lurdes Nicolau, doutoranda da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), que nos últimos cinco anos investigou a vida de pessoas de etnia cigana, nomeadamente no concelho de Bragança. Neste estudo, a também professora de ensino básico propôs-se “a conhecer o grupo étnico cigano que maioritariamente se encontra em Trás-os-Montes e compreender a interacção que o mesmo estabeleceu com a população maioritária, tanto no meio local -urbano e rural -, como no que concerne à instituição escola”.

Tribo isolada do mundo ocidental descoberta no Brasil

Acções missionárias e tráfico de drogas são ameaças para os indígenas

2011-06-29
Casa da tribo isolada no Vale do Javari (Foto: Peetsa/Arquivo CGIIRC-Funai)
Casa da tribo isolada no Vale do Javari (Foto: Peetsa/Arquivo CGIIRC-Funai)

Foi encontrada aquela que será uma das últimas tribos amazónicas que permanecem isoladas do mundo ocidental. Entidades oficiais brasileiras confirmaram a descoberta da tribo, na zona ocidental da Amazónia, que conta com 200 indígenas, avançou o portal do Survival International.

Segundo este grupo de defesa dos direito indígenas, esta tribo que vive em três clareiras, no Vale do Javari, perto da fronteira com o Peru, tem consciência do “mundo exterior” mas optou por permanecer afastada da civilização ocidental mantendo o seu estilo de vida tradicional.

As imagens aéreas recolhidas pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI), no Brasil, mostram que a tribo cultiva milho, amendoins, bananas e outros produtos agrícolas.

Evolução humana pode ser mais lenta do que se pensava

Estudo deverá ser confirmado em maior escala

2011-06-14
Estudo poderá repercutir-se na cronologia evolutiva
Estudo poderá repercutir-se na cronologia evolutiva

Os seres humanos podem estar a evoluir mais lentamente do que se pensava, indicou um estudo sobre mudanças genéticas feito com duas gerações de famílias, realizado no âmbito do projecto CARTaGENE, da Universidade de Montreal, no Canadá.

O código genético compreende seis biliões de nucleótidos ou blocos de construção de DNA, divididos por duas metades, uma herdada do pai e outra da mãe. Até agora, os cientistas acreditavam que os pais contribuíam, cada um, com 100 a 200 mudanças nestes nucleótidos.

Contudo, este novo trabalho aponta para a ocorrência de muito menos mudanças, sendo que, cada pai contribui, em média, com 30 mudanças. "Em princípio, a evolução acontece um terço mais lentamente do que se pensava anteriormente", disse Philip Awadalla, investigador da Universidade de Montreal.

Há dois milhões de anos só as fêmeas hominídeas percorriam grandes distâncias

Relação dos Australopithecus africanus e Paranthropus robustus com o território analisada através dos dentes

2011-06-02
Os «Australopithecus africanus» estudados são da África do Sul
Os «Australopithecus africanus» estudados são da África do Sul

Através da análise aos dentes de oito Australopithecus africanus e 11 Paranthropus robustus,  uma equipa de cientistas da Universidade do Colorado Boulder descobriu que estes hominídeos ancestrais tinham uma particularidade: as fêmeas percorriam maiores distâncias no território do que os machos.

Os cientistas analisaram o esmalte dos dentes destes indivíduos. Chegaram à conclusão que, em mais de metade das fêmeas, os dentes definitivos formaram-se muito longe do local onde nasceram e passaram a infância. Apenas 10 por cento dos machos tinham as mesmas características. O estudo está publicado na «Nature».

Descoberto primeiro esqueleto de homossexual pré-histórico

2011-04-07
Corpo estava disposto como sepultura feminina.
Corpo estava disposto como sepultura feminina.
Descobriram o corpo de um homem – que remonta a 2900 ou 2500 anos a.C. –, na República Checa, cuja posição estava normalmente reservada às mulheres na cultura da cerâmica e, por isso, os investigadores acreditam tratar-se do primeiro homossexual ou transexual conhecido e que viveu durante a Idade do Cobre.

O esqueleto, encontrado num subúrbio de Praga, tinha a cabeça apontada para Este e estava rodeado de utensílios domésticos, um ritual que até aqui apenas era descoberta em sepulturas femininas.

Índios do Paleolítico tinham indústria pesqueira desenvolvida

Artefactos encontrados mostram que nem todos se deslocaram para o interior

2011-03-07
Alguns dos artefactos encontrados (Foto: Universidade de Oregon)
Alguns dos artefactos encontrados (Foto: Universidade de Oregon)
A descoberta de uma grande variedade de utensílios de pesca e caça marinha com 13 mil anos, nas ilhas do Canal do Norte da Califórnia, revelou que os humanos do final do Paleolítico comiam uma grande diversidade de animais marinhos e que desenvolveram uma indústria pesqueira muito sofisticada. 

Um trabalho publicado na revista "Science" por investigadores da Universidade de Oregon e do Instituto Smithsonian, nos EUA, descreve a configuração e o estilo de vida dos paleo-índios e da cultura Clovis, que se estenderam pelo interior da América do Norte, à procura de animais de grande porte, como os mamutes.

Agora sabe-se que nem todos foram explorar as grandes planícies, mas que também ficaram na costa e que esta rota litoral foi a que os levou mais facilmente até ao sul.

Nova reconstrução de Ötzi – o «homem do gelo»

Obra será apresentada amanhã na inauguração de «Ötzi 20», no Museu de Arqueologia Tirol do Sul, Itália

2011-02-28
Nova reconstrução de Ötzi por Alfons e Adrie Kennis
Nova reconstrução de Ötzi por Alfons e Adrie Kennis
A mais recente reconstrução de Ötzi, o «homem do gelo» com 5300 anos encontrado 1991, nos Alpes de Ötztal (fronteira entre Áustria e Itália), mostra um homem de traços envelhecidos, longa barba e olhos castanhos escuros. Este trabalho foi realizado por especialistas holandeses e fundamenta-se em 20 anos de investigações.

Esta não é a primeira reconstrução da face de Ötzi, mas os seus autores Alfons e Adrie Kennis acreditam ser a mais correcta. Foi utilizada a mais recente tecnologia forense, imagens a três dimensões da múmia, imagens a infravermelhos e tomografias.

A Lucy já caminhava como o homem moderno

Australopithecus afarensis tinha o pé arqueado

2011-02-11
Osso descoberto é um metatarso.
Osso descoberto é um metatarso.
Um osso de um pé de uma espécie de hominídeo de há 3,2 milhões de anos, à qual pertencia a famosa Lucy, uma antepassada do Homo sapiens, revela que a espécie andava bem sobre as pernas. Os resultados da descoberta são publicados hoje, na revista «Science».

Um trabalho de investigadores norte-americanos cita a forma de um osso do pé fossilizado encontrado na Etiópia demonstra que os australopithecus afarensis tinham os pés arqueados como o homem moderno. O osso descoberto, em Hadar, é um metatarso, parte do pé situada entre o tarso e o dedo.

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