Carta de Londres: convite para a marcha virtual global!

Chegou-me hoje uma carta que dizia assim: «Olá! Acabei de me juntar a uma marcha virtual sobre o aquecimento global que vai ocorrer este sábado com centenas de milhares de outras pessoas de todo o mundo empenhadas em exigir uma acção para parar o aquecimento global. Junta-te a mim!
Negociações cruciais sobre o aquecimento global começaram esta semana em Bali [até dia 14 de Dezembro], na Indonésia e é o teu dever e de todos fazermos pressão para que as 192 nações tomem acções importantes no sentido de travar o fenómeno.
Alucinemos, irmãos!
Carta de Londres

Era uma vez uma palestra cheia de psiquiatras. Em conjunto, analisavam, consternada mas alegremente e motivados pelo dever que acreditavam que os embutia, o caso de um doente psicótico. O que era de particular neste doente é que tinha uma psicose bem detalhada, e que, após detalhada, por ele claro e como só ele sabe, se assemelhava ao mundo do The Matrix, o filme. (Atenção, esta psicose começou já antes da película, assegurando-nos que não se trata de uma psicose plagiada.) Ele acreditava que havia um Poder Sobrenatural que construíra a estrutura e a contingência diária do que se passava no mundo em que ele vivia. Esse ser era omnisciente e omnipotente. O doente sentia que cada vez que lhe acontecia algo de peripécico, era esse, perdão, “Esse” Ser Todo-Poderoso que o havia designado, que o havia escolhido para o castigar ou recompensar.
A Ciência é uma Senhora!
Carta de Londres

Variados tête-a-têtes que tenho tido, ao longo de anos, com amigos na esfera das artes (e de outras intelectualidades) têm vindo a tornar cada vez mais difícil eu resistir a um dos meus mais cavalheiros impulsos de empunhar a espada (ou qualquer coisa cortante que venha à mão) e defender a todo custo como se fosse uma dama em apuros, essa Senhora que é a Ciência. Um artista (e, por vezes, um intelectual ou outro mais romântico, mais pós-modernista ou mais de Esquerda) tem normalmente uma relação amor-ódio, um sentimento agri-doce, um atracção-repulsão, uma admiração-blasfémia em relação à coitadinha da Ciência. Coitadinha sim, porque é poderosa mas incompreendida. Pensando que lhe é dado valor a mais, não lhe dão o devido valor.
* Esta é a primeira Carta de Londres, assinada por Diana Prata. A Diana está a fazer o doutoramento no Instituto de Psiquiatria do King's College de Londres e interessa-se igualmente por jornalismo e divulgação científica.
Todas as notícias desta secção:
Carta de Londres: convite para a marcha virtual global! (2007-12-05)Alucinemos, irmãos! (2006-04-16)
A Ciência é uma Senhora! (2006-02-19)
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