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Departamento de Oceanografia e Pescas: o «orgulho» da Europa que trouxe à tona as profundezas do mar

Ricardo Serrão Santos em entrevista ao "Ciência Hoje"

2011-03-10
Por Carla Sofia Flores, na cidade da Horta (texto e fotos)
Ricardo Serrão Santos está no DOP deste 1981
Ricardo Serrão Santos está no DOP deste 1981
Há 30 anos, quando Ricardo Serrão Santos chegou ao Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores (UAç), encontrou um centro com apenas cinco anos de existência, ainda  muito modesto, mas já com o ambicioso lema “do conhecimento científico, da conservação da vida marinha e do uso sustentável do oceano Atlântico na região dos Açores”.

Três décadas volvidas, é um centro de excelência em investigação marinha, reconhecido a nível nacional e internacional,  graças ao trabalho e afinco de investigadores que, com um brilho nos olhos, têm feito a diferença com investigação de ponta, tornando o DOP num dos "orgulhos da Europa", segundo a Direcção Geral de Investigação da União Europeia.

Açores: 'hot spot' dos corais de água fria no nordeste Atlântico

DOP descobriu elemento com 2300 anos ao retomar estudo dos recifes

2011-03-31
Por Carla Sofia Flores, na cidade da Horta (texto e fotos)
Corais marcados no laboratório do DOP
Corais marcados no laboratório do DOP
Quando o príncipe Alberto I do Mónaco passou pelos Açores, não ficou indiferente ao corais da região, tendo feito vários estudos de taxonomia. Contudo, a investigação destas comunidades bentónicas abrandou, tendo sido retomada "em força", há quatro anos por investigadores do único laboratório de corais de águas frias em Portugal, o  Coral Lab, do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores. 

Começou-se a perceber que os pescadores traziam ocasinalmente corais nas suas linhas de pesca, mas estava-se longe de imaginar a imensidão destas comunidades bentónicas no arquipélago. "A região, em termos de biodiversidade de corais, é um hot spot no contexto do Atlântico nordeste, visto que estas comunidades fixam-se em fundos rochosos. Como estamos numa zona de produção de fundo, temos o ambiente perfeito para estes corais", explicou ao "Ciência Hoje" Filipe Porteiro. 

Desbravar os fundos submarinos dos Açores

Mapeamento e projecto Condor estão a «tirar a fotografia» das profundezas do mar

2011-03-30
Por Carla Sofia Flores, na cidade da Horta
Fauna do fundo do mar funciona como habitat para os peixes (Foto: © Gavin Newman / Greenpeace)
Fauna do fundo do mar funciona como habitat para os peixes (Foto: © Gavin Newman / Greenpeace)
Conhecer o fundo do mar e determinar a sua profundidade é primordial para  se perceber as paisagens submarinas que não conseguimos ver. Hoje em dia a tecnologia já permitiu muitos avanços nesse campo e, através de sondas acústicas, já se começa a perceber como variam os fundos marinhos.

Não se trata apenas de "matar a curiosidade", pois a informação adquirida com o mapeamento dos fundos é utilizada para melhor planear todas as intervenções que são feitas depois.

No Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores (UAç), uma das utilizações primárias destes dados é "salvaguardar os equipamentos de investigação que não podem ser instalados em determinados contextos topográficos", explicou ao "Ciência Hoje" o investigador Fernando Tempera.

"Reservas marinhas não são sempre a melhor solução"

DOP trabalha para optimizar desenho destas áreas de protecção

2011-03-30
Por Carla Sofia Flores, na cidade da Horta (texto e fotos)
Área marinha protegida das Caldeirinhas, no Faial
Área marinha protegida das Caldeirinhas, no Faial
As reservas marinhas são, de uma forma geral, benéficas para a conservação dos animais que albergam. Contudo, nem sempre são solução e sua eficiência depende de uma dinâmica complexa que muitas vezes não  é bem esclarecida. 

De acordo com Pedro Afonso, biólogo do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores (UAç), quando se começou a falar de reservas marinhas, nos anos 70, tratava-se mais de uma questão social do que científica. "Eram vistas como uma panaceia para os problemas de sobrexploração e poluição, mas  a certa altura começou a ser evidente que não havia provas científicas indicadoras de que as reservas eram sempre a solução", referiu ao "Ciência Hoje". 

Nesse sentido, parte do trabalho desenvolvido pelo investigador tem permitido demonstrar,  "através de dados concretos, que as espécies têm requerimentos espaciais muito diferentes e isso depois vai traduzir-se na eficácia das diferentes protecções". 

A "polifonia" que os cetáceos trazem aos Açores

Estudo das vocalizações dá pistas para estratégias de conservação

2011-03-25
Por Carla Sofia Flores, na cidade da Horta
Cachalote é um dos cetáceos mais associados aos Açores (Clique para aumentar |  Foto: © J.Fontes / ImagDOP )
Cachalote é um dos cetáceos mais associados aos Açores (Clique para aumentar | Foto: © J.Fontes / ImagDOP )
Emitem sons que lembram trombones ou cornetas. Outros assemelham-se ao coaxo das rãs ou ao mugido das vacas. Alguns "nem parecem feitos por criaturas" ou até mesmo "não se parecem com nada". A observação é de Mónica Silva e Irma Cascão, que há mais de dois anos fazem investigação sobre a ecologia dos cetáceos dos Açores e, segundo as quais, "as pessoas não fazem ideia da diversidade de sons que existem debaixo de água"

Na verdade, a análise destes sons, por vezes "muito estranhos",  faz parte das ferramentas que as duas investigadoras do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores (UAç) tem utilizado para perceber as movimentações das baleias e golfinhos dos Açores, a presença destes animais no arquipélago e aquilo que os atrai para lá. 

"Queremos perceber a importância dos Açores para o ciclo de vida de uma série de espécies que são protegidas e que estão ameaçadas e identificar áreas prioritárias para a conservação destas populações, para que tenhamos garantias de que no futuro vão ser preservadas", explicou ao Ciência Hoje Mónica Silva, que se rendeu ao Faial há mais de uma década. 

A «incrível» adaptação do mexilhão das fontes hidrotermais

Biotecnologia espreita as potencialidades do sistema imunitário deste bivalve

2011-03-23
Por Carla Sofia Flores, na cidade da Horta
Raul Bettencourt junto aos aquários onde são mantidos os mexilhões (Clique para aumentar | Foto: Carla Sofia Flores)
Raul Bettencourt junto aos aquários onde são mantidos os mexilhões (Clique para aumentar | Foto: Carla Sofia Flores)
Vive em grandes profundidades, num ambiente adverso e extremo, com um pH muito baixo e temperaturas muito quentes para aquela situação, entre quatro a seis graus centígrados, mas quando alteradas estas condições, "parece lembrar-se de como era há milhões de anos, do ponto de vista evolutivo".

É um "valente" que, no seu meio natural,  suporta grandes pressões. Mesmo assim, vive e reproduz-se, constituindo comunidades muito extensas em volta das chaminés das fontes hidrotermais, libertadoras dos  elementos químicos (como o metano ou o sulforeto) essenciais para a obtenção da sua energia.

Além disso, têm a particularidade de depender de bactérias simbiontes, que se alojam no seu organismo e, através de um processo de simbiose, utilizam a matéria química para a obtenção da energia usada na criação de nutrientes que consome.

Aquacultura: abundância de cracas nos Açores pode voltar

Projecto pioneiro a nível mundial marca início da actividade na região

2011-03-22
Por Carla Sofia Flores, na cidade da Horta
Cracas dos Açores são maiores do que as que existem no resto da Europa
Cracas dos Açores são maiores do que as que existem no resto da Europa
Quem já foi aos Açores sabe certamente o que são cracas, um dos petiscos gastronómicos mais apreciados na região e que ao longo dos tempos foi conquistando admiradores de várias partes do mundo. Por ser um dos crustáceos mais procurados no arquipélago, acabou por haver uma sobre-exploração da espécie que a pôs em perigo de conservação. E se não houver cracas no mar, também não vai haver no prato daqueles que as apreciam. 

Para resolver este duplo problema, o Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores (UAç), em parceria com uma empresa de aquacultura, lançou um projecto pioneiro que prima pela originalidade no organismo e no sistema. Além de poder devolver a abundância das cracas à região, marca o início desta modalidade de criação animal no arquipélago, sendo que é ainda a primeira unidade de cultura deste crustáceo no mundo. Embora haja uma no Chile, cultiva outra espécie de cracas diferente da dos Açores. 

Gaivotas predadoras de outras aves marinhas nos Açores

Garajau-rosado é prioritário em termos de conservação e cagarra pode comunicar pelo odor

2011-03-21
Por Carla Sofia Flores, na cidade da Horta
Gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis), que nidifica nos Açores (Foto: Justin Hart)
Gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis), que nidifica nos Açores (Foto: Justin Hart)
Os Açores, pela sua localização remota e oceânica, têm uma grande importância para as aves marinhas. No arquipélago, já foram observadas mais de 80 espécies, sendo que dez nidificam regularmente na região. 

Grande parte destas aves tem sido alvo de campanhas de conservação, algumas porque enfrentam o risco constante dos predadores, que vão desde cães e gatos, a ratazanas e até mesmo gaivotas, a única espécie de ave marinha que permanece no arquipélago todo o ano. As demais são migradoras.

O recenseamento das gaivotas pode  funcionar, ainda que indirectamente, como uma forma de prevenir que esta ave se torne num predador furtivo. Segundo Verónica Neves, investigadora do Departamento de Oceanografia e Pescas  (DOP) da Universidade dos Açores (UAç), "este trabalho não  é tanto pela importância da gaivota em termos de conservação, pelas ameaças que enfrenta, ou pelo seu número estar a diminuir, antes pelo contrário".

Fontes hidrotermais: «oásis» que podem explicar origem da vida

Organismos destes ecossistemas abrem novas portas para a biotecnologia

2011-03-16
Por Carla Sofia Flores, na cidade da Horta
Fontes hidrotermais são repletas de metais pesados [ Foto: © Missão Seahma, 2002 (FCT, Portugal PDCTM 1999MAR15281) w/ IFREMER]
Fontes hidrotermais são repletas de metais pesados [ Foto: © Missão Seahma, 2002 (FCT, Portugal PDCTM 1999MAR15281) w/ IFREMER]
A exploração das profundezas do mar é desde sempre "surpreendente", mas suscitou ainda mais perplexidade quando, em 1977, se descobriu a primeira fonte hidrotermal, nas Galápagos. Tratava-se de um ecossistema completamente novo para a ciência que deixou todos radiantes com a diversidade biológica excepcional que encerrava, em condições extremas para a vida na Terra. 

Alguns anos mais tarde, soube-se que o arquipélago dos Açores é um privilegiado neste campo e que a sua riqueza marinha  ia muito para além dos abundantes bancos de peixe. Em 1993, a 1700 metros de profundidade, encontrou-se a Lucky Strike, a maior área hidrotermal activa que se conhece, com 21 chaminés activas e fluídos que atingem os 330 graus Celsius.

Com a passagem do tempo  e o trabalho de investigação do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores (UAç), outras fontes hidrotermais de grande profundidade foram encontradas, como Menez Gwen, Rainbow, Saldanha, Ewan e, mais recentemente, Bubbylon.

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