Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
Vivo sob os escombros um mês depois - Um homem de 28 anos foi encontrado ontem com vida entre os escombros de um edifício no Haiti, onde terá estado preso desde 12 de janeiro

Deslizamento de terras após os incêndios

Artigo no âmbito da colaboração Ciência Hoje/ Visionarium

2005-11-07
Por Por José Manuel Lobo (Colégio Monitores do Visionarium)

Partilhar

O repovoamento florestal urge começar para evitar os deslizamentos/desmoronamentos das encostas e taludes de zonas ardidas. Esta é a conclusão do presente artigo, o primeiro que resulta de um acordo de colaboração estabelecido na semana passada entre o Ci~encia Hoje e o centro de ciência Visionarium. De momento, o CH não permite comentários a artigos mas lembramos que em Acesso Directo/ Foruns de discussão (ao lado direito do monitor) tal é possível. De qualquer modo pode sempre enviar um e-mail para o Ciência Hoje e para José Manuel Lobo.

Os movimentos ao longo de um talude ou vertente, por acção da gravidade, e que ocorrem por movimento de deslizamento, ou na forma de avalanche ou escoadas, classificam o mecanismo de rotura de terras. Quanto à velocidade a que ocorrem estes movimentos, é variável; veja-se o exemplo de um deslizamento que pode durar só alguns minutos ou pode levar anos até que o talude estabilize, e uma avalanche, na qual o material atinge velocidades de centenas de quilómetros por hora.

Os vários tipos de movimento de massa em taludes podem ter diferentes velocidades – desde os movimentos de escorregamento lento até movimentos com mais de 200 km/hr e mecanismos de deslizamento a fluxo. O movimento depende em grande parte do teor de água dos materiais. Se o teor em água aumenta, o movimento passa de deslizamento a fluxo.

Existe uma relação de dependência entre os distintos tipos de movimentos e suas consequências, e essa dependência permite a definição dos conceitos de risco e perigosidade.

Nos movimentos dos taludes há uma série de factores que influenciam as consequências que as roturas podem originar.

Estes factores são:                                                                     

*   A velocidade com que se desenvolve o fenómeno;

*   Volume de material envolvido;

*    A frequência com que se produzem os movimentos.

A velocidade com que se produz o movimento depende da:

*   Inclinação do talude;

*   Forma da superfície de rotura;

*    Propriedades físicas dos materiais;

O risco envolvido nos aluimentos/deslizamentos depende da sua maior ou menor probabilidade de ocorrência e da importância dos danos resultantes.

A perigosidade consiste em avaliar as consequências dessa instabilidade devido a determinadas circunstâncias, a nível humano assim como material. O nível de risco associado a cada tipo de aluimentos/deslizamentos há de vir ligar a avaliação de parâmetros determinantes da sua estabilidade: topografia, hidrologia, descontinuidades, etc. Também há que envolver a possibilidade do movimento ocorrer, a sua trajectória mais provável e os antecedentes da zona. Os níveis de risco podem dividir-se em quatro categorias: risco mínimo, risco médio, risco elevado e risco muito elevado.

A perigosidade depende da zona em que pode originar-se o movimento. Também depende da velocidade com que se produz o movimento e o volume envolvido neste. Geralmente estes três parâmetros são correlacionáveis entre eles e determinantes para atribuir uma perigosidade ao solo.

O aluimento/deslizamento ocorre, normalmente, por movimento rotacional ou translacional num talude, a velocidades notórias, sendo a força da gravidade o seu único motor. Pode acontecer ao longo do plano de inclinação de uma vertente ou por descolamento lateral.

A maioria das vezes este fenómeno começa com alguns sinais passíveis de indiciar que o processo está já em curso.

Deslizamento rotacional em solo – Zona da cabeceira com sinais indicadores de que a rotura irá ocorrer. A existência de gretas no topo do talude indica que este deslizamento ainda está activo. Caracteriza-se ainda por a zona onde já ocorreu movimento ter um talude côncavo e o material no pé do talude ter o aspecto de fluxo.

O Aluimento/Deslizamento do terreno/solo sem vegetação (solo ardido) dá-se, porque a força da gravidade é superior às forças friccionais que se lhe opõem. Estas são, as forças de coesão entre os detritos e a força de atrito com as camadas adjacentes.

Para o solo não consolidado e seco, o ângulo de repouso é igual ao ângulo de declive máximo no qual o solo se mantém estável. Um aumento de pressão dos terrenos superiores devido à acumulação de água (infiltração e percolação das águas pluviais) entre as partículas do solo, faz com que a força transversal aumente e haja uma diminuição da força friccional; o equilíbrio desfaz-se, e o terreno inicia o movimento, permitindo o deslocamento dos terrenos superiores.

A estabilização dos taludes, já deveria ter sido realizada após os incêndios, era uma condição essencial para o sucesso da recuperação das zonas ardidas. Nas zonas mais inclinadas deveria criar-se muros ecológicos, que consistem em estruturas de betão que se apoiam no talude e criam compartimentos, os quais evitam o arrastamento de terras/solos por acção das chuvas. Estes compartimentos são cheios com terra vegetal, o que vai permitir a plantação e um melhor desenvolvimento das plantas.

O repovoamento florestal urge começar para evitar os deslizamentos/desmoronamentos das encostas e taludes de zonas ardidas.

José Manuel Lobo – jmlobo@aeportugal.com

(Colégio Monitores do Visionarium)



Comentários

Catarina Rodrigues, em 2008-02-08 às 09:44, disse:
Foi um bom artigo que aqui escreveram, pois ajudou-me a fazer um trabalho no qual tirei a melhor nota da turma...Obrigado! Continuem...

O seu comentário:


O seu nome:


O seu email (não será publicado):






Concurso Dos 0 aos 100
Ciência Viva TV
FCCN - Fundação para a Computação Científica Nacional Ciência Viva


Contactos
Ficha técnica
Estatuto Editorial
Conselho Científico
A Palavra do Leitor
Portuguese Science