Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010
A violência está de volta a Maputo - Incidentes voltaram esta manhã a Maputo com carga policial sobre os populares. Pelas ruas da cidade o dispositivo policial é enorme. Pilhagens e pneus queimados pintam o cenário da capital

Deslizamento de terras após os incêndios

Artigo no âmbito da colaboração Ciência Hoje/ Visionarium

2005-11-07
Por Por José Manuel Lobo (Colégio Monitores do Visionarium)

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O repovoamento florestal urge começar para evitar os deslizamentos/desmoronamentos das encostas e taludes de zonas ardidas. Esta é a conclusão do presente artigo, o primeiro que resulta de um acordo de colaboração estabelecido na semana passada entre o Ci~encia Hoje e o centro de ciência Visionarium. De momento, o CH não permite comentários a artigos mas lembramos que em Acesso Directo/ Foruns de discussão (ao lado direito do monitor) tal é possível. De qualquer modo pode sempre enviar um e-mail para o Ciência Hoje e para José Manuel Lobo.

Os movimentos ao longo de um talude ou vertente, por acção da gravidade, e que ocorrem por movimento de deslizamento, ou na forma de avalanche ou escoadas, classificam o mecanismo de rotura de terras. Quanto à velocidade a que ocorrem estes movimentos, é variável; veja-se o exemplo de um deslizamento que pode durar só alguns minutos ou pode levar anos até que o talude estabilize, e uma avalanche, na qual o material atinge velocidades de centenas de quilómetros por hora.

Os vários tipos de movimento de massa em taludes podem ter diferentes velocidades – desde os movimentos de escorregamento lento até movimentos com mais de 200 km/hr e mecanismos de deslizamento a fluxo. O movimento depende em grande parte do teor de água dos materiais. Se o teor em água aumenta, o movimento passa de deslizamento a fluxo.

Existe uma relação de dependência entre os distintos tipos de movimentos e suas consequências, e essa dependência permite a definição dos conceitos de risco e perigosidade.

Nos movimentos dos taludes há uma série de factores que influenciam as consequências que as roturas podem originar.

Estes factores são:                                                                     

*   A velocidade com que se desenvolve o fenómeno;

*   Volume de material envolvido;

*    A frequência com que se produzem os movimentos.

A velocidade com que se produz o movimento depende da:

*   Inclinação do talude;

*   Forma da superfície de rotura;

*    Propriedades físicas dos materiais;

O risco envolvido nos aluimentos/deslizamentos depende da sua maior ou menor probabilidade de ocorrência e da importância dos danos resultantes.

A perigosidade consiste em avaliar as consequências dessa instabilidade devido a determinadas circunstâncias, a nível humano assim como material. O nível de risco associado a cada tipo de aluimentos/deslizamentos há de vir ligar a avaliação de parâmetros determinantes da sua estabilidade: topografia, hidrologia, descontinuidades, etc. Também há que envolver a possibilidade do movimento ocorrer, a sua trajectória mais provável e os antecedentes da zona. Os níveis de risco podem dividir-se em quatro categorias: risco mínimo, risco médio, risco elevado e risco muito elevado.

A perigosidade depende da zona em que pode originar-se o movimento. Também depende da velocidade com que se produz o movimento e o volume envolvido neste. Geralmente estes três parâmetros são correlacionáveis entre eles e determinantes para atribuir uma perigosidade ao solo.

O aluimento/deslizamento ocorre, normalmente, por movimento rotacional ou translacional num talude, a velocidades notórias, sendo a força da gravidade o seu único motor. Pode acontecer ao longo do plano de inclinação de uma vertente ou por descolamento lateral.

A maioria das vezes este fenómeno começa com alguns sinais passíveis de indiciar que o processo está já em curso.

Deslizamento rotacional em solo – Zona da cabeceira com sinais indicadores de que a rotura irá ocorrer. A existência de gretas no topo do talude indica que este deslizamento ainda está activo. Caracteriza-se ainda por a zona onde já ocorreu movimento ter um talude côncavo e o material no pé do talude ter o aspecto de fluxo.

O Aluimento/Deslizamento do terreno/solo sem vegetação (solo ardido) dá-se, porque a força da gravidade é superior às forças friccionais que se lhe opõem. Estas são, as forças de coesão entre os detritos e a força de atrito com as camadas adjacentes.

Para o solo não consolidado e seco, o ângulo de repouso é igual ao ângulo de declive máximo no qual o solo se mantém estável. Um aumento de pressão dos terrenos superiores devido à acumulação de água (infiltração e percolação das águas pluviais) entre as partículas do solo, faz com que a força transversal aumente e haja uma diminuição da força friccional; o equilíbrio desfaz-se, e o terreno inicia o movimento, permitindo o deslocamento dos terrenos superiores.

A estabilização dos taludes, já deveria ter sido realizada após os incêndios, era uma condição essencial para o sucesso da recuperação das zonas ardidas. Nas zonas mais inclinadas deveria criar-se muros ecológicos, que consistem em estruturas de betão que se apoiam no talude e criam compartimentos, os quais evitam o arrastamento de terras/solos por acção das chuvas. Estes compartimentos são cheios com terra vegetal, o que vai permitir a plantação e um melhor desenvolvimento das plantas.

O repovoamento florestal urge começar para evitar os deslizamentos/desmoronamentos das encostas e taludes de zonas ardidas.

José Manuel Lobo – jmlobo@aeportugal.com

(Colégio Monitores do Visionarium)



Comentários

felipe, em 2010-04-16 às 04:43, disse:
gotei desses assuntos

Catarina Rodrigues, em 2008-02-08 às 09:44, disse:
Foi um bom artigo que aqui escreveram, pois ajudou-me a fazer um trabalho no qual tirei a melhor nota da turma...Obrigado! Continuem...

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