Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010 ![]() |
A violência está de volta a Maputo
- Incidentes voltaram esta manhã a Maputo com carga policial sobre os populares. Pelas ruas da cidade o dispositivo policial é enorme. Pilhagens e pneus queimados pintam o cenário da capital
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Anti-CiênciaOpinião2007-01-12 Por Carlos Corrêa *
Ultimamente têm sido feitos alguns esforços no sentido de educar os jovens para a cidadania, aumentando a sua cultura científica para serem capazes de compreender o mundo que os rodeia e criticarem conscientemente os eventuais desmandos contra o meio ambiente, de que todos temos um pouco de culpa. Apesar destes esforços, de que saliento a actuação do programa Ciência Viva, muitas pessoas com responsabilidades fecham os olhos a certas manifestações anti-Ciência que vão minando a inteligência e a cultura das pessoas menos preparadas, que infelizmente constituem a maioria dos telespectadores. * Prof. Cat. Jubilado da UP Os média têm grandes responsabilidades na proliferação da superstição e crendice, dando grande cobertura a reuniões de bruxos, astrólogos, professores, videntes e muitos outros figurões que se servem da liberdade em que vivemos para encher de anúncios as páginas de certos jornais, para poluir certos programas televisivos (já de si poluentes…) fazendo publicidade enganosa das suas anunciadas capacidades de previsão e cura de todos males, do corpo e do espírito.
ComentáriosSandra Teichmann, em 2007-03-07 às 22:02, disse:Sra. D. Ana Cristina Carvalho: conhece o livro de S. Cipriano? Quando eu era pequena, e sem "formação ciêntifica e carreira longa" como Vossa Exa., eu e os meus quatro irmãos perdiamos-nos de riso com as receitas que lá vinham. Por acaso não quer experimentar aquela do gato preto e as cinco favas? Era a nossa receita favorita: 2 favas nas orelhas do bichano, 2 favas nos olhos e a quinta fava debaixo da cauda; à meia noite punha-se uma fava na boca e .....puuuuuufffff.....ficava-se invisível. Mas por favor, tenha cuidado que lhe não saia a fava que não estava nem nas orelhas nem nos olhos.... O mundo progrediu, na maior parte dos casos, para melhor. E isto não devemos nem a S. Cipriano, nem a Nostradamus nem ao Diabo. Todos nós chegamos aqui nos ombros de gigantes; gigantes como Pitágoras, Copérnico, Galileu ou Newton. Gigantes que tiveram a coragem de pensar e seguiram o caminho difícil do pensamento, da experiência e da razão, e não o caminho fácil da ilusão, crendice e aldrabice. Para isso temos o circo.... Os gigantes terão sempre apóstolos que honrarão o seu nome e os seus esforços, e o mundo continuará a andar para a frente, enquanto houver alguém que tenha a coragem de dizer umas verdades (e as verdades, assim como os princípios, a moral e os valores, não são democráticas!). Por isso, é sempre um prazer ler e ouvir as suas verdades, Professor Carlos Corrêa Filipe Castro, Texas A&M University, em 2007-03-07 às 03:31, disse: Nao percebo muito bem como é que se pode dizer que a astrologia nao e uma farsa. Para comecar, os astrologos nem sequer concordam com as aldrabices uns dos outros. Cada um define as caracteristicas dos signos como muito bem lhe apetece. E como é que o Cristiano pode dizer que "os cientistas estao divididos" sobre este assunto? Quais "cientistas" e que tem duvidas de que a astrologia e uma supersticao infantil? Paulo Bento Bandarra, em 2007-03-03 às 21:30, disse: Vejam só a barbaridade divulgada pelo maior jornal do estado do Rio Grande do Sul- ZERO HORA: Homeopatia à base de urina Material: garrafa de água mineral vazia água mineral Insumo ativo: urina da própria pessoa MODO DE FAZER Colocar numa garrafinha de água mineral vazia: um dedo de urina da própria pessoa e completar até a metade com água. Tampar bem, sacudir e bater 50 vezes. Jogar fora o conteúdo deixando somente um dedo da mistura na garrafa. Repetir o processo por mais seis vezes. No final, em vez de água, completar com álcool de cereal para conservar. Tomar cinco gotas uma ou 2 vezes ao dia__________ Parece piada de brasileiro mas não é! Esta é a nossa media! Não é de admirar que ainda discutimos questões medievais como guerras santas e religião! Naquela época não tinhamos respostas, mas hoje a população continuar no mesmo estágio evolutivo é de admirar! ZEP, em 2007-02-27 às 01:17, disse: Existe de facto um ciclo vicioso instituído pelos mídia (com a bênção permanente do poder vigente, no intuito de manter o cidadão o mais distraído possível), no sentido de habituar os portugueses apenas ao futebol, às novelas, aos concursos, programas matinais de chachada como os referidos, reality-shows, etc. Claro que os incautos portugueses que quotidianamente assim se distraiam, vão-se habituando mesmo a isto (alguns vão crescendo neste meio...) E nesse público condicionado, chamemos-lhe assim, se incluem também muitos jornalistas, que afincadamente nos prendarão cada vez mais com o seu esforço e entusiasmo, no sentido de divulgarem os vectores "culturais" que atrás enumerei, dentro dos quais vivem e muitos já cresceram, e que desejam partilhar com o resto da comunidade, onde existem até uns sujeitos chatos, demasiado preocupados com a ciência, a cultura e outras coisas assim, mas que se forem insistentemente "trabalhados" por esses mídia, talvez possam acabar por se converter... e essas senhoras e senhores fazem isto, com a mesma naturalidade com que frequentemente dão erros de palmatória (também falo da imprensa escrita), fruto da mesma postura... Por alguma razão, Portugal é o que é e está como está, apesar da matéria-prima (nós todos) ser reconhecidamente acima da média... Portanto, será bom que de facto se pare com o culto da ignorância de uma vez por todas, e que queiramos ser quem somos capazes de ser! Para terminar, nunca é de mais enaltecer esse verdadeiro oásis no meio do deserto, que é a RTP2! Paulo Bento Bandarra, em 2007-02-15 às 23:36, disse: Astrologia não chega nem mesmo a ser pseudociência, mas é uma anticiência, nada possui de semiciência! Pseudociência são aquelas afirmações que raspam em algum dado científico, tirando conclusões invalidas pelas bases. Por exemplo, o que ocorreu no Brasil, a moda de tomar suco de clorofila porque a molécula da mesma é parecida com a da hemoglobina, cuja função da clorofila é transformar a energia luminosa do sol em energia química. Partindo de fatos reais se concluem algo impossível pois a molécula é digerida no intestino, reduzida a aminoácidos, e absorvido como tal. Nem mesmo comer sangue em chouriços faria tal trabalho de oxigenar o sangue ou produzir alguma captação de energia fora da química da disgestão! A medicina ortomolecular e a urinoterapia é outra pseudociência! Astrologia é tanto ciência como homeopatia, que alegam fenômenos não comprovados. A astrologia pelo menos deveria comprova que os seus alegados efeitos ocorrem mesmo. Mas está provada que não ocorre, e não é capaz de fazer nada além de enganar o crédulo, como ocorre com a homeopatia! Em pesquisa controlada, o que já era de se esperar ocorre: nenhuma comprovação ocorre fora do peso estatístico do acaso! Como se comprovou algum efeito ou qualidade para elaborar mapas astrais se ele simplesmente não ocorre? Se for possível prever, deve ser demonstrado e não alegar que só se prevê o que não se pode comprovar. A explicação de como ocorre o fenômeno é posterior a comprovação do fato, do efeito! Não ocorrendo nem mesmo o fato: o efeito, não é ciência, é anticiência! Carlos Corrêa, em 2007-02-06 às 08:02, disse: Carlos Corrêa esclarece Acumulados alguns comentários relativos ao que intitulei Anti-Ciência, desejo agradecer os comentários e prestar alguns esclarecimentos complementares aos leitores Ana Cristina Carvalho e Cristiano de Carvalho. Os princípios que me norteiam, e que tenho o gosto de partilhar com toda a comunidade científica, consistem em observar os fenómenos, formular hipóteses, testar as hipóteses formuladas, deduzir leis e modelos para explicar o que se observa, verificar se os novos fenómenos encontrados se enquadram nos modelos e modificar estes modelos quando se descobrem factos que não estão conformes com as leis estabelecidas. É este o único caminho racional, que nos aproxima da verdade, e é graças a ele que a Ciência se vai auto-corrigindo. Não contesto a liberdade de expressão dos curandeiros, bruxas, professores, videntes, astrólogos e mais figurões, que dão consultas na TV e nos seus consultórios particulares (apesar de existir uma lei anti-publicidade enganosa) mas contesto a utilização do canal público de televisão para a promoção e divulgação das tais "representações" que não têm uma base racional nem podem ser verificadas nem explicadas. Isto não significa que esteja a negar a possível existência de fenómenos que não podem ser explicados (nem pela Ciência, nem por ninguém), mas que não serão tão banais e frequentes como esses especialistas do oculto tentam fazer acreditar. Em relação à astrologia (segundo o dicionário, "suposta arte de de ler nos astros o futuro, o destino") vamos meditar um pouco sobre alguns aspectos desta "representação"(o termo não é meu). Não vou ser tão ambicioso que exija que a astrologia seja capaz de prever o futuro, o destino. Ficarei satisfeito se concluir que os astros poderão ter influência sobre as características de um ser humano no momento em que nasce (o seu signo). A primeira dúvida que tenho é o facto de os astros poderem influenciar as características de um ser nascente tão complexo como o ser humano e de estas influências serem conhecidas. Esse efeito não se sentiria somente na altura do nascimento, mas durante os nove meses anteriores, à medida que o bebé se vai formando. Que forças poderão influenciar este ser? As forças que conheço e que se manifestam à distância através do Espaço vazio (dos astros ao bebé) são as gravíticas, as eléctricas e as magnéticas. É bem conhecida a atracção da Lua sobre os oceanos (marés), mas a força mais importante a que todos estamos sujeitos é a atracção gravítica para o interior da Terra. As forças exercidas pelos outros planetas do Sistema Solar sobre um corpo com a massa de um bebé, mesmo quando os planetas se encontram alinhados do mesmo lado da Terra (como sucedeu há alguns meses) são insignificantes e não terão qualquer efeito extra sobre a grande força atractiva para o interior da Terra e sobre as forças de inércia quando a grávida caminha ou viaja, de automóvel ou em transportes públicos (solavancos e curvas). Que outras forças poderão ser exercidas sobre o feto? Forças electromagnéticas certamente, mas dada a distância das estrelas e planetas, não parece que essas forças sejam sensíveis num mundo mergulhado em radiações provenientes do Sol e das antenas emissoras de radio, televisão e telemóveis. Para além destas, só conheço as "forças ocultas", as “forças do mal” e as “forças de bloqueio” que, realmente, não podem ser medidas pelos físicos. No entanto, apesar de não ser capaz de compreender a razão de os astros poderem ditar as características de um ser humano, poderão existir boas e comprovadas correlações entre as datas e horas de nascimento (signos) acumuladas ao longo de vários séculos, mas por mais que as procure nunca as encontrei. Em 1975, um grupo de 175 cientistas de topo, que incluía 18 vencedores de Prémios Nobel, publicou na revista The Humanist uma declaração em que analisava o fenómeno da astrologia, referia “We are especially disturbed by the continued uncritical dissemination of astrological charts, forecasts, and horoscopes by the media and by otherwise reputable newspapers, magasines, and book publishers. This can only contribute to the grow of irrationalism and obscurantism. We believe that the time has come to challenge directly, and forcefully, the pretentious claims of astrological charlatans” e concluía “It should be apparent that those individuals who continue to have faith in astrology do so in spite of the fact that there is no verified scientific basis for their beliefs, and indeed that there is strong evidence to the contrary“ (www.americanhumanist.org/about/astrology.html) Perante tudo isto, como acreditar numa bruxa, astróloga ou vidente, mesmo que tente impressionar utilizando um computador? Carlos Corrêa 5 de Fevereiro de 2007 Cristiano de Carvalho, em 2007-01-31 às 21:32, disse: Devo dizer desde já que discordo da sua opinião, mal fundamentada, de que a Astrologia é uma farsa. Quando se fazem afirmações como esta, há que saber defendê-las e não simplesmente enunciá-las, como tomou a liberdade de fazer, estupidificando também quem frequentemente visita este sítio. Tendo em conta que nos encontramos num espaço onde a Ciência está na ordem do dia, e a minha perspectiva científica do Universo; não me parece muito viável que a Astrologia consiga prever certos acontecimentos como defende prever. Porém, não é o meu parecer que define o que é ou o que não é e, como tal, sei respeitar essa "semi-ciência", que assim considero por a própria comunidade científica se encontrar dividida quanto à sua posição relativamente a ela. Assim sendo, caso dependesse de mim, a situação que vemos na RTP não se manteria; como tal não acontece, respeito inteiramente quem tomou a decisão da inclusão desse espaço. Não vejo o porquê de atacar a RTP com tanta impiedade quando há, sem dúvida alguma, exemplos flagrantes e em muito maior quantidade em outros canais generalistas. Fátima Vieira, em 2007-01-22 às 22:13, disse: O Prof. Carlos Corrêa levanta uma questão actual. Claro que há bons e maus programas mas devemos ser mais interventivos, não deixar de dar a nossa opinião sobre a televisão, os jornais, os jogos de computador, etc. Quando somos pais e educadores, a nossa responsabilidade aumenta. A este propósito, aproveito para convidar os interessados neste tema, para uma conferência que irá decorrer no próximo sábado: “Educar para os media”, com o presidente da ACMedia - Associação Portuguesa de Consumidores dos Media. Educar para os media Conferência com o Presidente da ACMedia - Associação Portuguesa de Consumidores dos Media Tema central: A RESPONSABILIDADE SOCIAL DA ACMEDIA EM PORTUGAL E NA EUROPA Dr. Nuno de Campos 27 de Janeiro de 2007 15h 30min Colégio Horizonte (Travessa do Carregal, Cedofeita – Porto) Haverá serviço de babysitting A ACMedia - Associação Portuguesa de Consumidores dos Media é uma associação sem fins lucrativos, fundada em 1986 e que tem como prioritários os seguintes fins estatutários: • Proteger os direitos e os interesses legítimos dos consumidores dos media. • Promover e fazer respeitar os valores humanos, culturais e éticos. • Fomentar, no seu âmbito, actividades de natureza cívica, cultural e educativa. • Incentivar a promulgação de leis adequadas à defesa do consumidor dos media. • Contribuir para um melhor serviço dos meios de comunicação social. http://www.acmedia.pt Paulo Bento Bandarra, em 2007-01-21 às 01:29, disse: O professor Carlos Corrêa levanta uma questão muito importante no dias de hoje. João Moura lembra que são questões medievais que ainda estão de volta entre nós. Naquela época saber ler era para poucos, livros caros, jornais não existiam ou estavam dando os primeiros passos com Gutenberg, em 1374, iniciando a impressão. Não existia ainda nenhum método para diferenciar as coisas, que viria a ser ensaiada por Descartes no Discurso do Método. Hoje, com a Internet, o rádio e a televisão, além de milhares de revistas e jornais, o nosso povo ainda está ao nível cultural de um homem medieval em termos de cultura científica, voltando a praticar guerras religiosas e explodir-se para ir para o céu das 72 virgens. Onde a idéia de cruzada pela fé é cada vez mais presente. Discordo da Sra Ana Cristina Carvalho, ao apelar pela liberdade da ignorância, para justificar que coisas que já sabemos, como que a terra não é o centro do universo e que se move, ainda sejam ensinadas. Pois bruxaria e terapias anticientíficas estão no mesmo nível de ignorância e de farsa. Para isto que foi desenvolvido o método científico, para que se diferencie sem precisar colocar ninguém na fogueira para ver se é verdade pela proteção de Deus. Não se está colocando nas revistas, televisões ou jornais estas coisas porque seja uma defesa da liberdade, mas porque charlatanismo, seja praticando ou vendendo programas de televisão, sempre deram lucro tapear as pessoas. Liberdade científica é demonstrar aquilo que se propõe como verdade, e não a liberdade de vender mentiras e tapear as pessoas despreparadas por educação pública de má qualidade! Parabenz professor! Filipe Peralta, em 2007-01-17 às 14:41, disse: Professor, gostei muito desta sua observação e queria desde já dizer que concordo plenamente com o que disse. De facto as pessoas, que deviam usar a televisão para se divertirem e descontrairem, usam-na para ver este tipo de "previsões" que só as assustam ou motivam negativamente para o dia-a-dia e que as fazem ficar retidas em crenças ridículas em pessoas que não tem mais que fazer na vida, mas que ganham o seu dinheiro a enganar os outros! De facto é triste constatar que muita gente se forma a nível do Ensino Superior e tenta ter uma vida digna e ganhar essa mesma vida de uma forma honesta, e nem sempre o conseguem, e há muitas pessoas que optam pela via mais fácil que é enganar os outros e que conseguem com isso atingir os seus objectivos! Espero que o seu protesto enviado ao Provedor da RTP resulte em algo e que comece por aí a extinção dessas pessoas que "adivinham o futuro" da Televisão Portuguesa. Os meus cumprimentos Manuel Lopes, em 2007-01-17 às 00:38, disse: A televisão já tem programas bons mas tem também muita aldrabice e aldrabões. E não há dúvida que deveria existir mais respeito pelo cidadão e por algumas regras de conduta com que a TV infelizmente não se preocupa nem pretende respeitar. Até nos intervalos dos programas conseguem aumentar o volume do som aquando da passagem da publicidade e sem que as autoridades portuguesas se ralem... J L Fiadeiro, em 2007-01-16 às 11:11, disse: O que o Prof Correia relata é em tudo semelhante ao que se passou com a imprensa. O "está escrito nos livros" de outrora é "o computador diz" de hoje. Nada de fundo mudou. A crendice apenas se modernizou. Manuel G. Soares, em 2007-01-15 às 17:22, disse: Completamente de acordo! A bruxaria na nossa TV é inqualificável! Mas não é inocentemente que é lá incentivada...contribui generosamente para a formatação da cabeça portuguesa. Se fosse precedida (e seguida) por uma informação séria de qual o valor e objectivos de entretenimento, até poderia ser útil no desmascaramento daquele tipo de coisas... No mínimo, deviam ter vergonha! Assim somos nós que temos vergonha de deixar passar "aquilo" nos nossos meios de informação Ana Cristina Carvalho, em 2007-01-15 às 16:16, disse: Sr. Professor Tenho formação técnico-científica de nível superior e uma carreira já longa. E não sou adepta das superstições e crendices que tanto o enfurecem. Mas escandaloso considero eu o senhor exigir que a televisão pública se reja pelos mesmos princípios que o norteiam a si e à comunidade científica. Deve-se de facto, como diz, esta difusão de técnicas e terapias não reconhecidas pela ciência, ao regime de liberdade em que vivemos. E dessa liberdade faz parte dizer e ouvir coisas eventualmente menos correctas ou mesmo erradas e delas ajuizar consciente e livremente. Meio século de monocultura de opinião provaram ser bem mais perniciosos para os cidadãos e o país do que trinta anos em que verdades, meias-verdades e mentiras convivem entre si, estimulando o pensamento e o sentido crítico não castrador. A ciência não é um mundo estanque e não precisarei de lhe recordar o que o Sr. saberá melhor do que eu: que ao longo da história da ciência foram muitas as certezas que redundaram em dúvidas e vice-versa. A ciência nunca poderá ganhar tiques de ditadura. Só lhe reconheço razão, Sr. professor, quando os profissionais desses ramos e a própria televisão pretendem constantemente atribuir-lhes "valor científico". Seria talvez mais honesto alegarem que essas são outras representações do mundo em que vivemos e do universo que nos rodeia, e admitirem que o futuro dirá se têm valor real ou não. Melhores cumprimentos Luis Guido, em 2007-01-15 às 10:47, disse: O problema da falta de qualidade da nossa TV é que eles oferecem "lixo" às pessoas porque julgam que elas gostam disso (dando como dado adquirido a iliteracia e desinteresse do povo para programas culturais). O problema é que eles não conseguem entender (e que espero que o Provedor da RTP possa ajudar a resolver) é que a situação é exactamente a inversa. A iliteracia e alheamento da cultura/ciência advém do povo estar habituado ao tele-lixo que inunda a TV portuguesa (apesar de tudo com algumas excepções da RTP) e transpor isso para as conversas de café, da rua, etc... Por causa disso, em minha casa já só se vêem notícias em inglês e francês! João Moura, em 2007-01-15 às 09:23, disse: Estamos a discutir os mesmos problemas que surgiram na idade média! Parece-me inadmissível como é que a televisão do século XXI aposta principalmente em divulgar a superstição e a bruxaria em vez de promover o conhecimento. Se todos temos o direito à informação, resta-nos lutar como faz o Professor Doutor Carlos Corrêa, para que esta seja de qualidade! |
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