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Quinta-feira, 29 de Julho de 2010 ![]() |
Finalmente o Museu do Côa
- O Museu do Côa vai ser inaugurado na próxima sexta feira, pela ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, concluindo um projecto há muito aguardado
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O lugar da emoção na escolha - estudo de António Damásio2007-03-25 Optar por matar uma pessoa para salvar muitas outras, experimentar remorsos... Para compreender como o nosso cérebro reage e o papel da emoção na decisão, uma equipa de investigadores chefiada pelo português António Damásio submeteu estes dilemas a pessoas com lesões cerebrais particulares. Os pacientes cujo córtex frontal ventromediano - zona do cérebro situada acima dos olhos - está lesado têm geralmente menores reacções emocionais de dimensão social (compaixão, vergonha, culpabilidade) sem que a sua inteligência e a sua lógica sejam afectadas, segundo Damásio, da Universidade de Los Angeles, Califórnia. Com Ralph Adolphs, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e outros especialistas em neurociência, colocou 30 pessoas, seis das quais com estas lesões cerebrais, face a escolhas moralmente difíceis, implicando sacrificar uma pessoa para salvar outras. Exemplo de cenário proposto: no teu laboratório foram preparadas duas subtâncias - um líquido tóxico e uma vacina contra um perigoso vírus mortal que se propaga. A única forma de identificar a vacina é testar estas substâncias em dois pacientes. Estarias pronto a matar um deles para salvar muitas outras vidas? Confrontados com este tipo de dilema, os participantes com o córtex frontal ventromediano lesado responderam muito mais frequentemente "sim", sem hesitações, do que os outros voluntários (12 com outros tipos de lesões cerebrais e 12 sem lesões neurológicas). As suas opções lógicas em favor de um bem maior são consideradas "utilitaristas" pelos investigadores. O que não significa forçosamente que agissem realmente como afirmam, nota uma outra especialista. "Em tais circunstâncias, a maioria das pessoas sem lesões cerebrais específicas ver-se-ia confrontada com um conflito interior. Mas estes pacientes particulares não parecem experimentá-lo", explica António Damásio na revista científica britânica Nature, que apresenta os seus trabalhos. Normalmente, um sentimento de aversão mistura a recusa do acto, emoções de dimensão social, compaixão pela pessoa envolvida, impede um homem de fazer mal a outro, acrescenta. Face a outras escolhas menos difíceis (como guardar ou não um porta-moedas encontrado na rua), poucas diferenças de reacções foram observadas entre os três grupos participantes. Preocupado em distinguir o que resulta de uma aprendizagem social do que provém da própria estrutura do cérebro, Marc Hauser, da Universidade de Harvard, considera que este trabalho prova directamente o papel das emoções nos julgamentos morais. Um outro estudo, publicado em 2004 na revista norte-americana Science, definira já o papel essencial do córtex pré-frontal ventromediano na expressão do remorso, mostrando que os pacientes que têm esta estrutura lesada não o exprimem face às consequências da sua escolha. "É a região que modula as emoções em função do contexto", explicou Ângela Siragu, investigadora do Instituto de Ciências Cognitivas de Lyon, centro-leste da França, que coordenara este trabalho. Estes pacientes "procuram sempre maximizar os ganhos. Ficam tristes se perdem, contentes se ganham, mas não modulam, como os pacientes 'normais», o seu contentamento ou a sua tristeza em função do que teriam podido ganhar", refere Siragu. Como se lhes faltasse a imaginação para o antecipar. ComentáriosMarilia Mendes da Silva, em 2007-03-26 às 20:51, disse:Qual a validade destes estudos com um número de indivíduos inferior a 30, entre controlos e pessoas com lesões. Como se tiram conclusões científicas quase definitivas a partir de um tão curto número de observações? ____De facto, ao lêr-se a notícia desenquadrada de todo um estudo com mais de trinta anos, as questões acima são totalemte pertinentes. E depois, como comparar as diferentes lesões cerebrais? São estas lesões tão homogéneas e bem demarcadas no tecido cerebral? _____ Muitas lesões cerebrais são, hoje, passíveis de comparação, quantificação e, por vezes, de previsão. _____ Estamos assim tão avançados no que toca a mapeamento cerebral? Os avanços científicos -e não só- só podem considerar-se 'avançados' por comparação com os do passado. Nunca se sabe muito sobre coisa nenhuma, menos ainda em neurociências: o cérebro humano continua a ser um livro quase fechado. Todavia, é o «quase» que faz toda a diferença e, se nos situarmos na nossa pequena dimensão humana, sim, hoje já se sabe muita coisa, com certezas científicas quantificáveis e demonstráveis. Hanna Damásio e, depois, o que é hoje seu marido, António Damásio, iniciaram os seus trabalhos, pioneiros em Portugal, há mais de trinta anos, a partir de um estudo de um cérebro atravessado por uma barra de ferro que entrou pelo sub-maxilar e saiu, transversalmente, pela área fronto-occipital oposta, levando consigo parte da massa encefálica. O indivíduo acidentado nunca perdeu a consciência, sobreviveu razoavelmente, e lúcido, vários anos, contudo, todo o seu (bom) comportamento social se alterou drasticamente, dando origem a um indivíduo amoral, violento, de verbo ordinário. Dados os constrangimentos deparados em Portugal, o casal emigrou para onde lhe foram dadas todas as condições de trabalho e onde dedicaram a sua vida ao estudo do binómio cérebro x emoções. Têm centenas de trabalhos publicados em todo o mundo, sujeitos à implacabilidade do olho científico -por vezes, despeitado- dos seus pares. E, não fora há dez anos, a ideia do Professor Damásio em começar a escrever da forma mais entendível possível numa área tão complexa, para o grande público, e começar a fazer palestras em Portugal, ainda menos conheceríamos a sua obra que já não estará longe de um Nobel. Algumas das obras de divulgação para o grande público: 'O Erro de Descartes' que tem como ponto de partida o acidente acima referido, 'O Sentimento de Si' e 'Ao encontro de Espinosa', trilogia sequencial sobre cérebro-razão-sentimento-emoção. Em uma revista da Ordem dos Advogados, há um artigo de fácil leitura, decorrente de uma palestra que Damásio lá fez, tomando como exemplos diversos tipos de criminosos: uns, que sempre o foram; outros que, por acidente, passaram a sê-lo. João Carvas, em 2007-03-26 às 11:31, disse: Há algumas coisas que me intrigam na investigação de António Damásio. Qual a validade destes estudos com um número de indivíduos inferior a 30, entre controlos e pessoas com lesões. Como se tiram conclusões científicas quase definitivas a partir de um tão curto número de observações? E depois, como comparar as diferentes lesões cerebrais? São estas lesões tão homogéneas e bem demarcadas no tecido cerebral? Estamos assim tão avançados no que toca a mapeamento cerebral? Enfim, se calhar estou a dizer barbaridades, mas será que alguém me pode esclarecer? |
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