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Outras Terras - outras leituras

Opinião

2007-05-01
Por Carlos Oliveira *

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Carlos Oliveira
Carlos Oliveira

A interpretação popular das descobertas científicas é um tema bastante interessante e complexo. O caro leitor está provavelmente a ler isto num computador. O funcionamento desse computador é facilmente explicado por um número limitado de leis científicas; no entanto, a maioria de nós, nos quais me incluo, não faz a mínima ideia de como criar um computador de raíz. Actualmente existe o paradoxo de vivermos numa sociedade altamente científica e, no entanto, a maioria das pessoas não tem noção da ciência que nos envolve, da natureza da ciência, nem sequer consegue ler ciência. Para este estado de coisas contribuem bastante o papel das crenças, o papel do marketing e o papel da comunicação social.

* Estudante de doutoramento em Educação Científica com especialização em Astrobiologia, na Universidade do Texas em Austin nos EUA. (Subtítulos da responsabilidade de Ciência Hoje)



Dentro do tema das crenças, não me vou debruçar sobre o conceito religioso (sobre isto, podem ler a minha revisão do último livro do Sagan, aqui: http://rastosdeluz.astronomo-amador.com/?page_id=390). No entanto, deixem-me que vos pergunte: se eu vos disser que consigo transformar a água em vinho, se vos disser que consigo voar sem qualquer ajuda tecnológica, se vos disser que consigo ler o vosso pensamento, se vos disser que vos consigo curar de qualquer doença com o simples toque do meu dedo mindinho, se vos disser que consigo saber o vosso futuro olhando somente para a ponta dos vossos cabelos, ou se vos disser que hoje dormi mais três horas do que o normal porque o planeta Neptuno estava no lugar 3-B (imaginando o céu como uma matriz do jogo Batalha Naval); em quais destas minhas afirmações é que os leitores acreditam?

Tendo em conta que a ciência já provou com vários estudos que todas estas afirmações (e similares) são perfeitos disparates, tendo em conta que o desenvolvimento que vemos no mundo desde há vários milhares de anos, mas, sobretudo, desde há 50 anos, é totalmente derivado do desenvolvimento científico e tendo em conta que não só no nosso dia-a-dia lidamos com conceitos científicos mas actualmente dependemos da ciência para sobreviver, uma mente racional e lógica negaria imediatamente estas minhas afirmações.

Mas não é isso que acontece. Aposto que em algum momento da vossa vida já acreditaram em pelo menos uma das minhas afirmações anteriores (ou similar, dita, como é óbvio, por outra pessoa). E não é isso que acontece, em parte, porque a psicologia humana precisa de acreditar em algo, por mais ilógico que isso possa ser – o que leva a que outros humanos se aproveitem, hipocritamente usando instrumentos tecnológicos baseados na ciência e desenvolvidos por cientistas (como o computador ou a televisão), para difundir as ideias expostas atrás e que negam reais resultados científicos, ou seja, usam a ciência para dizer que a ciência não funciona.

Marketing em todo o lado

O marketing, tal como a ciência, existe em todo o lado. Nós próprios estamos sempre a tentar mostramo-nos com a nossa melhor cara. Gostamos de ser apreciados pela maneira como nos vestimos, pelo nosso trabalho e/ou pelo que somos como pessoa. O normal quando acabamos de conhecer alguém que nos interessa bastante é mostrarmos o melhor de nós. Não se trata de mentir, mas sim de mostrarmos parte da verdade; a que nos interessa. Por vezes intencionalmente e, por vezes sem intenção, o certo é que devido a este marketing, a verdade científica muitas vezes é distorcida desde o momento que sai do emissor (cientista) até que chega ao receptor (população em geral). A comunicação social, por vezes sem culpa directa, é responsável em parte por esta distorção na comunicação.

Depois de contextualizar um pouco, entremos no tema da vida extraterrestre. A astrobiologia é a ciência, multidisciplinar, que lida com este tema. Não sei como será no futuro, mas sei que do que sabemos hoje só existe um sítio no Universo com vida – a Terra. É pouco, porque em ciência, de um só exemplo não se pode tirar conclusões generalistas. Mas do que já sabemos dá para escrever livros que encheriam uma biblioteca inteira! E o que sabemos já dá para fazermos um pouco de especulação científica, como por exemplo, com base nas características físicas de um planeta se pode especular como será a vida nesse planeta caso ela exista.

Mas apresentarmos imaginação gratuita (sem quaisquer parâmetros científicos), não serve para muito, a não ser para entretenimento. Há quem discuta este ponto dizendo que, por exemplo, um dos maiores génios do século XX – Albert Einstein – usou os seus gedanken (experiências feitas com base no pensamento – imaginação) para chegar àquilo que toda a gente sabe. Se é certo que a imaginação foi importante em Einstein, como o é em toda a ciência, a verdade é que por mais imaginação que tivesse, Einstein nunca conseguiria fazer nada se não compreendesse Newton (tal como Newton se baseou sobretudo em Galileu e em Kepler), se não percebesse muito de ciência, se não tivesse provado a sua teoria de forma matemática, se não tivesse feito previsões que se comprovaram cientificamente como verdadeiras, e se não tivesse criado toda uma teoria que pudesse ser comprovada por experiências feitas por outros cientistas nos EUA, na Europa, na Austrália e até na Lua!


Ciência faz-se com base em ciência

Se é certo que foi a imaginação que espevitou o trabalho de Einstein, sem todo o trabalho científico subsequente, Einstein seria conhecido somente por uma mão-cheia de pessoas amigas. É extremamente importante que se perceba que a ciência faz-se com base em ciência e não em imaginação ou especulação gratuita. Não me interpretem mal; eu adoro ficção científica e tudo o que diga respeito a extraterrestres; e sou coleccionador de toda e qualquer parafernália extraterrestre. Mas uma coisa são as minhas crenças e desejos pessoais e outra coisa são os resultados da ciência.

Uma coisa é a imaginação, outra coisa é aquilo que conhecemos da realidade (por muito que imagine que consigo atravessar paredes posso passar a minha vida toda a tentar que só vou conseguir galos na cabeça). E a ciência diz-nos que a crença em vida extraterrestre não passa disso mesmo: uma crença. Se amanhã se descobrir vida extraterrestre, será fantástico; notem no entanto que essa descoberta será feita pela ciência e não invalida que hoje ainda seja uma crença.

Nos últimos 20 anos, a astrobiologia evoluiu bastante e devido a isto por vezes pensa-se que esta crença é recente. Mas a verdade é que ela já existe há vários milhares de anos e ao longo dos tempos pessoas importantes na evolução da ciência estiveram na linha da frente da crença extraterrestre. Só para vos dar alguns exemplos: Fontenelle foi como um Carl Sagan no século XVII, Flammarion foi o Carl Sagan do século XIX, Huygens acreditava piamente em extraterrestres em tudo parecidos com humanos, Bode até acreditava que extraterrestres podiam viver no Sol, etc. O tema da vida extraterrestre foi sempre uma crença pessoal ao longo da história da humanidade. Este tema até foi usado em diversos séculos como táctica de marketing por sacerdotes, de modo a cativar as pessoas durante celebrações religiosas (assim de repente, lembro-me do Thomas Chalmers, que até apelidava de infiéis todos aqueles que não acreditassem que Deus pudesse criar vida por todo o Universo).

Este marketing é usado actualmente também por cientistas. Vejamos o que se passa. Todos os dias existem várias descobertas científicas. Nenhuma pessoa consegue estar a par de tudo. Ao contrário do tempo de Aristóteles, actualmente uma só pessoa não consegue saber tudo o que se passa em todos os campos do saber. Tem de haver escolhas. Os cientistas sabem disto. Cada cientista pensa que a sua descoberta é fenomenal e que a população deveria estar a par dela. Como fazer então chegar o nosso trabalho à população em geral? Tem de ser através da comunicação social.

Moldar a verdade

Mas para ter este direito de antena muitas vezes a verdade tem de ser moldada ao marketing adjacente, porque senão a comunicação social não se interessa e a população irá continuar a viver na ignorância cientiíica. Muitas vezes até é a comunicação social, ou quem divulga as descobertas, que diz mais do que aquilo que é. Outras vezes, a comunicação até é feita correctamente mas algo se perde quando as pessoas interpretam o que é dito. Deixem-me dar um exemplo concreto: há cerca de um ano fomos bombardeados com notícias sobre o avistamento de luz proveniente de planetas extrasolares – pela primeira vez tínhamos visto um planeta extrasolar!

Como é óbvio, do ponto de vista do leitor, o que se lê é que o planeta foi realmente visto. Na realidade não foi isso que aconteceu. Quando se falou em luz, em termos físicos diz-se luz visível, luz infravermelha, luz ultravioleta... O cientista quando disse luz, não quis dizer luz visível (mas sim luz infravermelha), mas foi assim que a comunicação social e a população em geral o entendeu. Esta má interpretação foi excelente. Permitiu que uma descoberta excepcional chegasse à população: nunca anteriormente se tinha detectado um planeta extrasolar pela sua radiação infravermelha – vulgarmente conhecida como calor. De outra maneira, nem a comunicação social queria saber, nem a população em geral lhe daria grande importância. Assim, toda a gente ficou a saber desta descoberta.

Na semana passada tivemos uma descoberta fascinante: foi descoberta uma nova Terra. Esta descoberta é deveras importante e abre caminho para a provável existência de um sem-número de outras Terras pelo Universo. Mas como vivemos num mundo altamente científico é importante percebermos o enquadramento científico desta descoberta e não enveredarmos por ideias especulativas gratuitas. Foi isso que fizeram cientistas como o Xavier Bonfils, o Rui Agostinho, o Nuno Santos e outros cientistas da nossa praça, dando explicações bastante sóbrias sobre a descoberta.

Não foi isso que vi em alguma comunicação social nem na forma como a população em geral interpretou esta descoberta, preferindo enveredar por caminhos imaginativos e fantasiosos. É preciso saber separar o que é ciência do que é imaginação, fantasia, desejos pessoais, crenças, ou puro marketing (usando o tema da vida extraterrestre como isco).

Estes são os factos, o que se sabe: foi descoberto um novo planeta extrasolar; a descoberta foi feita por um grupo de cientistas a trabalhar com o HARPS que pertence ao ESO (Observatório Europeu do Sul); um desses cientistas, Xavier Bonfils, trabalha no Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa; o planeta foi detectado pelo método das velocidades radiais, que é um método indirecto, em que se detecta o movimento anormal da estrela fruto da atracção gravitacional de um corpo ao seu redor, para se inferir que um planeta se encontrará a uma distância X, com uma massa Y e com um diâmetro Z – ou seja, ninguém detectou/viu o planeta directamente; o planeta tem a designação Gliese 581 c; tem cinco vezes mais massa que a Terra; tem um diâmetro de cerca de 1,5 vezes superior à Terra; orbita uma estrela anã vermelha; é o menor planeta descoberto até hoje e encontra-se na chamada zona habitável.

Semelhanças e diferenças

Por tudo isto, o planeta tem semelhanças com a Terra, mas também tem várias diferenças. Dos planetas extrasolares descobertos até hoje este é o mais pequeno e, assim, o mais parecido com a Terra; mas Vénus tem praticamente o tamanho da Terra – muito mais parecido connosco do que o Gliese 581 c - e não é por isso que tem água ou vida. Este planeta tem uma massa superior à Terra, o que faz com que a gravidade lá seja superior à gravidade que todos os dias experimentamos na Terra. Este planeta orbita uma estrela anã vermelha; a Terra orbita o Sol que não é anã nem vermelha. Este planeta encontra-se na zona habitável da estrela – região do espaço à volta de uma estrela onde as condições são favoráveis à vida tal como a conhecemos – o que nos pode realmente fazer sonhar com água ou possível vida.

Devido às características que conhecemos e foram expostas atrás, estima-se que a superfície do planeta tenha uma temperatura entre 0 e 40 graus Celsius. Mas mesmo isto não é certo, porque não se sabe por exemplo se o planeta tem uma atmosfera, a composição dessa possível atmosfera, qual o albedo do planeta, e outras características que afectam a temperatura do planeta. Mas vamos assumir que a temperatura será essa – e isto não é um facto – então poder-se-á imaginar que existe água no estado líquido. Mas para existir essa água, tanto a temperatura, como, por exemplo, a pressão, têm de ser as ideais. E sobre isto, não se sabe. Marte, por exemplo, tem temperaturas que variam entre -140 e 20 graus Celsius e nem mesmo quando está com temperaturas ideais tem água a correr na sua superfície

Sabe-se também o diâmetro do planeta, e a partir disso prevê-se que o planeta será rochoso e/ou coberto de oceanos – como a Terra! Mas, novamente, isto não é certo – não se sabe. Claro que a existir água no estado líquido à superfície e estando o planeta na zona habitável, será normal que tenha vida. E caso isso aconteça, isso fará dele um planeta muito similar à Terra! Mas notem que isto não é certo, não é baseado em factos, mas é especulação com base naquilo que conhecemos.

Note-se igualmente que detectados a partir de uma estrela distante, Vénus e Marte poderão ser considerados perfeitos para a existência de vida, já que se encontram dentro da zona habitável, têm uma massa e um diâmetro similares ao nosso, etc; no entanto, sabemos que não existem quaisquer homenzinhos verdes à sua superfície nem sequer água no estado líquido!

Homenzinhos verdes

E isto – homenzinhos verdes – leva-me a outro assunto. Dizer-se que é possível existir vida é especulação, mas aceitável. Imaginar-se que essa vida será complexa, inteligente, e/ou parecida connosco, não faz qualquer sentido! Já sabemos imenso sobre a evolução da vida tendo por base a experiência terrestre. A existência e evolução da vida na Terra ensinam-nos que existe grande probabilidade da vida se formar facilmente em diferentes condições; existe grande probabilidade dessa vida ser simples; existe uma pequena probabilidade dessa vida ser complexa; e a probabilidade dessa vida ser inteligente é praticamente inexistente.

Isto é, com base nas evidências científicas que temos até hoje, sendo que uma delas passa pela história da vida na Terra – a vida existe na Terra há cerca de 3,8 mil milhões de anos, no entanto na maior parte do tempo foi vida simples; a explosão de diversidade que conhecemos actualmente aconteceu somente há cerca de 550 milhões de anos (extremamente recente!); e a inteligência ao nível humano só existe há cerca de 200 mil anos (ainda muito mais recente!) – a probabilidade de chegamos a um planeta que tenha vida e que essa vida esteja exactamente no ponto ideal de inteligência como a nossa é infinitas vezes inferior a eu ganhar a lotaria todas as semanas durante vários anos!

Claro que se pode sempre dizer que amanhã podemos ter outras evidências que nos permitam detectar vida inteligente. Isto deixar-me-ia bastante feliz! Mas o esperar pelo amanhã não é ciência – a pseudo-ciência é que gosta de dizer que amanhã é que vai ser o dia da descoberta. Se a ciência passasse o tempo a esperar pelo amanhã nunca se fazia nada hoje. A ciência evolui dia-a-dia e sempre com base em ciência já assente, tal como já afirmei atrás quando me referi a Einstein, Newton, Galileu e Kepler. Foi isso também que se passou com a descoberta do Gliese 581 c – foi devida a um desenvolvimento consistente e gradual dos métodos de detecção de planetas extrasolares. É isso também que se passa na busca de vida extraterrestre – o que sabemos hoje permite-nos concluir que o Universo poderá estar cheio de vida, mas essa vida será simples; à medida que vamos investigando mais esse assunto, vamos refinando as nossas ideias.

Uma resposta daqui a 40 anos?

Especulação ainda maior é quando se imagina que se pode comunicar com uma hipotética civilização existente nesse planeta. E neste erro caíram não só alguns leitores como até cientistas do SETI. Tomando novamente como exemplo a Terra, mesmo após haver inteligência, não houve qualquer hipótese tecnológica de comunicar com outras estrelas até bem recentemente. Esperar que hipotéticos extraterrestres que existam nesse planeta estejam no nosso ponto de evolução de modo a conseguirmos comunicar com eles, é, no mínimo, irreal. Como imaginação é tentar supôr que esses hipotéticos extraterrestres seriam similares a nós quer em termos físicos, quer em termos tecnológicos, quer em termos de construções, quer em termos de maneiras de pensar e actuar, etc – esta forma de pensar totalmente antropocêntrica tem decrescido nos meios científicos, mas continua a existir de sobremaneira na população. E acima de tudo, atentem que isto é pura imaginação, porque do que se sabe do planeta, para já não há qualquer evidência que tenha vida, muito menos vida inteligente!

Mas imaginando que nesse planeta até existe uma civilização capaz de comunicação interestelar, atente-se que o planeta se encontra a cerca de 20 anos-luz daqui, o que faz com que qualquer mensagem enviada para lá demore 20 anos a chegar! E se derem resposta, mais 20 anos passarão até a recebermos! Mas não há qualquer evidência para vida no novo planeta! Muito menos para vida inteligente! E ainda menos para vida capaz de comunicar connosco!

Até já ouvi alguém dizer que gostaria de viajar até ao planeta! Isto é puro sensacionalismo! Supondo que amanhã me meteria numa nave espacial e iria na direcção desse planeta, demoraria mais de 500 mil anos a lá chegar! E supondo que, de alguma maneira, até chegava lá vivo, o planeta poderia ser como Vénus ou Marte e eu estaria numa enorme embrulhada. E isto após uma série de suposições, que basta uma estar errada, para tudo o resto cair por terra.

Resumindo, esta é uma descoberta bastante importante! O planeta tem semelhanças com a Terra ao ser o menor planeta até hoje descoberto e encontrar-se na zona habitável. Só isto é bastante importante, mas não o faz ser outra Terra. Foi vendido como sendo outra Terra porque só assim as pessoas se interessam por estes assuntos – é preciso puxar pela imaginação das pessoas. E é importante que as pessoas se interessem por assuntos científicos porque a ciência está ao nosso redor. A partir daqui, especular com base em crenças pessoais é contra-producente.

Textos relacionados com esta e outras temáticas astronómicas podem ser lidos e comentados na comunidade astronómica astroPT (http://www.astropt.org/), que inclui membros de diversas áreas do saber e que partilham a sua paixão por tudo o que se passa no Universo.


Comentários

Antonio Ornelas, em 2007-05-11 às 10:20, disse:
Acho o texto interessante. Sugiro, de futuro, procura de maior rigor no modo de dizer as coisas. Claro que e' preciso escrever de modo acessivel ao grande publico, mas e' de evitar frases completamente imprecisas como "a probabilidade de ... é infinitas vezes inferior a eu ganhar a lotaria todas as semanas durante vários anos", e outras analogas. Eu aceitaria bem, em vez de "infinitas vezes inferior", que nao significa nada, algo impreciso como "muitissimo inferior", ou ou algo mais preciso, como por exemplo "menos de um milionesimo da probabilidade de" ou algo assim.

Ricardo Amaral, em 2007-05-02 às 12:52, disse:
Gostei de ler o texto! Obrigado ao seu autor.

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