Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010 ![]() |
A violência está de volta a Maputo
- Incidentes voltaram esta manhã a Maputo com carga policial sobre os populares. Pelas ruas da cidade o dispositivo policial é enorme. Pilhagens e pneus queimados pintam o cenário da capital
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Mitos/ Gigantes de pés de barro ou talvez não!Carta de Utrecht2006-02-02 Por Por Ana Faro * ![]() “So we have another portuguese PhD student in our Institute?!? Lucky us!!!”Por um segundo nem queria acreditar no que acabara de ouvir. Como se não fosse bastasse o espanto de ter alguém, que tanto admiro, como a Jacqueline (líder de grupo no Hubrecht Laboratory – Netherlands Institute for Developmental Biology) falar comigo de forma tão coloquial e sem cerimónias, tinha ainda direito a um elogio deste calibre! Engoli a seco, esbocei um sorriso, e quedei-me nervosa ao pensar na responsabilidade que a partir de agora irei carregar nos meus ombros. * Ana Faro nasceu a 20 de Junho de 1978. Em Outubro de 2004 terminou estudos de Biologia Microbiana e Genética na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, obtendo assim o grau de licenciatura. Desde Fevereiro de 2005 está a fazer o Doutoramento no Laboratório do Professor Hans Clevers, no Hubrecht Laboratory-Netherlands Institute for Developmental Biology. A principal temática de investigação do grupo a que está ligada prende-se com o estudo da via de sinalização Wnt e qual o seu papel no desenvolvimento do cancro do cólon. A educação em Portugal é um espelho de como a sociedade portuguesa se encara: feita de forma a poupar-se nas palavras de incentivo, com a ponta de pessimismo e fado inerentes ao espírito lusitano. O aluno nunca é excessivamente elogiado, não vá tal coisa desmoralizar o espírito de formiguinha humilde que nos querem incutir desde tenra idade. Habituados que estamos às pancadas psicológicas na faculdade, à desmoralização, muitas vezes mesmo à falta de brio, saímos lançados para o Mundo com um pesadíssimo fardo de complexos de inferioridade. Portugal está na cauda da Europa, os níveis de insucesso escolar em Portugal são elevadíssimos, a qualidade das nossas Instituições de ensino deixam muito a desejar, temos de estudar mais, temos de “apanhar” os outros… Foi com este pesado fardo que cheguei à Holanda, receosa de, por ser portuguesa, não estar à altura das expectativas holandesas. Qual não é o meu espanto quando me apercebo de que a ideia generalizada dos cientistas portugueses é precisamente oposta àquela sugerida pelos meus professores na faculdade. Vencidos os receios iniciais, vi-me forçada a reconhecer que o meu ensino universitário tinha sido excelente e que de facto estava à altura do desafio a que me tinha proposto. Vim ainda a aperceber-me que a destreza que apresentara no primeiro contacto com aquele que viria a ser o meu futuro Orientador não é comum nestes lados. Quanto tomei a decisão de realizar o meu Doutoramento no estrangeiro, comecei por escrever e-mails para diversos líderes de grupos de investigação das áreas que me interessavam. Nesse primeiro mail não só fazia uma breve introdução da minha pessoa, como também descrevia a minha experiência prévia e apresentava as razões pelas quais estaria interessada em integrar o seu grupo de trabalho. Fi-lo assim por instinto. Gosto de pensar que tamanha “bravura” teve o seu quê de lusitano! A verdade é que este gesto impressionou pela positiva alguns nomes sonantes da cena científica mundial e teve imensa aceitação. Por fim dei-me ao luxo de poder escolher o local e o projecto que mais me agradava. Hoje tenho a felicidade de poder dizer que me encontro num dos melhores institutos de investigação na Europa, o Hubrecht Laboratory, no coração da Holanda, convivendo diariamente com cientistas de reconhecido valor e imenso património intelectual. Aqui irei crescer como cientista, disso não tenho dúvidas! Ao fim do meu primeiro ano de Doutoramento recebo elogios pelo meu trabalho e dedicação. No entanto, sendo eu a minha maior crítica, acho sempre que nunca estou a fazer o suficiente, que poderia sempre fazer melhor, que tenho de trabalhar mais um bocadinho para “apanhar” os outros… Por mais que tente, o fardo dos complexos de inferioridade ainda vai exercendo o seu peso… O mito pode há muito ter caído para todos os outros, mas teremos de aprender a deixá-lo cair dentro de nós próprios. Só então seremos capazes de apreciar a ciência que se faz em Portugal e em português. Ana Faro, OIO Hubrecht Laboratory/NIOB Comentários |
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