Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010
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Investigadores descobrem ser possível esquecer más recordações

Investigação surge na Science de hoje

2007-07-13

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Brendan Depue
Brendan Depue
O cérebro humano é dotado com um mecanismo que permite apagar voluntariamente as recordações traumatizantes, segundo estudos hoje publicados nos Estados Unidos, que podem conduzir a novos tratamentos contra a depressão e a ansiedade.

"Neste estudo, demonstrámos que os indivíduos têm a capacidade de aprender a eliminar selectivamente as más recordações da sua memória", explicou Brendan Depue, um dos co-autores desta investigação que surge na revista americana Science de hoje.



Há um mecanismo no cérebro para apagar as más recordações
Há um mecanismo no cérebro para apagar as más recordações

"Pensamos ter descoberto os mecanismos neuronais deste fenómeno e esperamos que esta descoberta resulte em novas terapêuticas e novos medicamentos que permitam tratar um certo conjunto de perturbações emocionais", acrescentou. Este investigador em neurociência, da Universidade do Colorado, citou a este propósito as fobias, os comportamentos obsessivos e os estados de stress provocados por uma experiência traumatizante.

Durante um período de treino, os participantes neste estudo tiveram de memorizar 40 pares de imagens compreendendo uma face humana emocionalmente 'neutra' associada a uma cena perturbadora, tal como um soldado ferido, uma cadeira eléctrica ou um acidente rodoviário. Os indivíduos foram depois submetidos a um exercício para determinar se, após verem a imagem 'neutra' conseguiam lembrar-se, ou voluntariamente esquecer, a imagem traumatizante correspondente.

O seu cérebro foi submetido a uma ressonância magnética que permite visualizar em tempo real o funcionamento de um órgão. Segundo os investigadores, o processo de supressão da memória situa-se no córtex pré-frontal, considerado a "sede do controlo dos pensamentos".

Duas zonas que agem lado a lado

Os cientistas descobriram que duas zonas do córtex pré-frontal agem 'lado a lado' para neutralizar a actividade de outras regiões específicas do cérebro como o córtex visual, o hipocampo e a amígdala que jogam um importante papel na memória visual e na emoção. "Os resultados deste estudo mostram que o processo de supressão se produz e intervêm sob o controlo das regiões pré-frontais do cérebro", escrevem os autores.

A parte mais anterior do córtex pré-frontal, que tem um papel activo no mecanismo de supressão voluntária da memória, representa uma característica relativamente recente na evolução do cérebro humano, acrescentam.
"Esta investigação mostrou que os sujeitos puderam controlar a sua memória emocional ao colocarem 'de vigia' algumas partes do seu cérebro de forma a não se lembrarem de lembranças desagradáveis", afirmam os investigadores.

Segundo os cientistas, esta capacidade de esquecer é um traço positivo na evolução humana. Se os caçadores da idade da pedra, tendo escapado por pouco às garras de um leão quando caçavam um antílope, não se conseguissem esquecer dessa experiência aterradora, teriam deixado de caçar e teriam morrido à fome, exemplificam os investigadores.


Os cientistas acrescentaram que não conseguiram determinar quantas sessões de treino seriam necessárias para que um soldado fortemente traumatizado pela guerra, ou uma pessoa vítima de um acidente grave, possa aprender voluntariamente a esquecer as experiências. Este estudo vem de encontro às teses do pai da psicanálise, Sigmund Freud, que no início do século XX criou o conceito de 'memórias reprimidas».



Comentários

peter, em 2010-07-12 às 00:59, disse:
eu com o tempo aprendi a esquecer mas memorias traumatizantes, mas tambem agora to começar esquecer boas memorias, penso que isso nao seja uma contra indicaçao mas uma forma de viver o dia a dia,o meu lema é gozar cada dia como se fosse ultimo o de ontem ja nao interessa

Adriana, em 2010-04-02 às 16:58, disse:
Interessante. Mas somente levaria a memória do passado traumatizante para um buraco negro, o que causaria outros tipos de ansiedade e depressão e a pessoa passaria a questionar o porque de tudo isso.

Caren, em 2009-11-15 às 18:09, disse:
Acho que é um grande passo na psicanálise, mas que deve-se mais estudado para que não ajam dúvidas.

Mário Rui Santos, em 2007-07-18 às 09:32, disse:
O passo seguinte, e provavelmente mais interessante, é constatar o mecanismo que reintegra ou reenquadra as memórias de uma forma positiva ou equilibrada, em vez de as eliminar. www.marioruisantos.net

Fabio Carbone, em 2007-07-17 às 11:44, disse:
Óptimo! Apenas, pergunto eu, será que este mecanismo não terá contra-indicações? Isto é, o reprimir um mau pensamento não dará origem apenas a uma deslocação das ansiedades que provoca o mesmo (do consciente para o subconsciente, por exemplo)? Em outras palavras, será muito interessante descobrir se as recordações negativas podem ser “efectivamente” eliminadas, sem rasto. Fabio Carbone

Fernando Jardim, em 2007-07-13 às 17:22, disse:
Será que o facto dos portugueses em tempo de eleições esquecem as más recordações associadas às consequências do seu voto e voltam a cometer o mesmo "erro/pecado" nas seguintes, está relacionado com este mecanismo? MUITO INTERESSANTE!!

Luís Rodrigues Costa, em 2007-07-13 às 16:04, disse:
Dizia Albert Schweitzer que a felicidade é a boa saúde e a má memória. Ora isto é meio caminho andado! Tratemos, pois, da saúde.

Maria Ester, em 2007-07-13 às 11:45, disse:
Há muitos anos que venho treinando esquecer coisas más, de tal forma consegui que esqueci algumas mt boas. Quem me dera contactar com estes cientistas.

Pedro Castro, em 2007-07-13 às 10:41, disse:
Ainda bem que no último parágrafo fazem ref. ao trabalho de Freud, porque estes ciêntistas limitaram-se a tentar decobrir sob o ponto de vista fisionómico o princípio do Recalcamento descrito por Freud. O problema é que se tem verificado ao longo dos anos que na realidade a memória não foi apagada, apenas está fortemente guardada no subconsciente, podendo manifestar-se a sua "força" através de outro tipo de acções conscientes que nada parece terem a ver com a causa original: tiques, disfunções, agressividades, etc.... Quem quiser pesquisar procura Primal Therapy

Abdul Baptista, em 2007-07-13 às 07:19, disse:
Já é muito interessante ,acredito eu ser um grande passo para desligar-mo-nos das más recordações!

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