Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
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A''Vida'' das Rochas, as Pedras Parideiras

Artigo no âmbito da colaboração Visionarium/ Ciência Hoje

2006-02-09
Por Por José Manuel Lobo e Bruno Manuel Rodrigues Novo *

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Bruno Novo
Bruno Novo
José Lobo
José Lobo

Na pacata aldeia de Castanheira, concelho de Arouca, um fenómeno raro no Mundo surge. Chamam-lhe as “Pedras Parideiras”, pois são pedras que parem pedras…O afloramento tem a forma de uma janela granítica oval, com 500x700m e apresenta no seu seio formações nodulosas (encraves ou jogas). Os curiosos nódulos têm forma de disco biconvexo que pode chegar aos 15-20 cm e diâmetro e 5-6cm de altura máxima. O seu núcleo é composto essencialmente por quartzo e feldspato e está envolvido numa coroa tipicamente biotítica (mica preta).

 Para encontrarmos uma perspectiva capaz de dar luz a este fenómeno, precisamos mergulhar no granito da Castanheira e acompanhar a sua evolução. No momento em que se formou esta rocha magmática, outras rochas preexistentes, tendo sido esta a causa provável da génese das formações nodulosas de predominância biotítica. Há cerca de 320 milhões de anos e à medida que o magma arrefecia, poderosas pressões exerceram-se sobre o granito e, consequentemente, sobre os encraves, determinando assim o seu actual achatamento.

Entretanto, as massas graníticas que afloraram à superfície do solo vão, por acção da meteorização mecânica, nos nossos dias, desagregando-se e libertando os referidos encraves. A pedra racha e parte – porque tem uma foliação bem marcada – e nessa altura o nódulo de biotite sai. O que se passa neste caso é uma acção conjunta da meteorização pela acção do gelo (gelivação), e pela acção do calor (crioclastia/termoclastia).



pedra parideira
pedra parideira

A termoclastia constitui um tipo de agente de meteorização, provocada pela variabilidade da temperatura na superfície dos materiais rochosos, provocando uma variação no volume. Os encraves dilatam-se, como reacção a temperaturas elevadas, e contraem-se por reacção ao arrefecimento. Como as rochas são em geral agregados poliminerálicos, e devido ao facto de cada mineral apresentar diferentes valores de coeficiente de dilatação, surgem diferentes velocidades de expansão e contracção. As partes mais externas das rochas, sujeitas a fortes amplitudes térmicas diurnas vão-se fracturando.

A desagregação pela gelivação é das mais eficazes em termos de fracturação, embora seja um mecanismo de carácter sazonal e que ocorre, predominantemente, em zonas de alta montanha. Este agente, contribui activamente para o “parir” do nódulo de biotite. A água contida nas fracturas, quando a temperatura é menor que 0ºC, começa a gelar na parte mais superficial. À medida que a temperatura exterior baixa, as cunhas de gelo vão crescendo no interior das fracturas. A água ao congelar, aumenta de volume (cerca de 10%), exercendo consequentemente, uma grande pressão, no interior dessas fracturas, provocando o seu alargamento e prolongamento. Logo, promove a desagregação das rochas, e o consequente “parir” do encrave biotítico.

As Pedras Parideiras, paulatinamente afloram à superfície da rocha, desprendem-se e vão-se acumulando no solo. Por isso, os camponeses da região chamam à rocha "a pedra que pare pedra", isto é, a rocha que produz uma outra rocha. Urge ainda atentar à preservação deste pecúlio, pois o vandalismo e usurpação indiscriminada dos nódulos em nada engrandece o património que é de todos.

 * José Manuel Lobo – jmlobo@aeportugal.com; ; Bruno Manuel Rodrigues Novo – bmnovo@aeportugal.com (Colégio Monitores do Visionarium)



Comentários

Isabel Pinho, em 2010-01-15 às 18:31, disse:
Olá boa tarde, eu sou natural de Arouca apesar de estar a morar em Vale de Cambra, que é ao lado... conheço a muito a Serra da Freita e as pedras parideiras, inclusive já apresentei aguns trabalhos sobre as mesmas, e o engraçado é que muita gente não quer acreditar que elas existem mesmo e até gozam. o meu concelho é sempre o mesmo, vão até lá e apreciem... além das pedras prideiras podem sempre apreciar a paisagem e a frecha da mizarela, os espaços verdes dão para disfrutar de um optimo piquenique...

margarida, em 2010-01-13 às 11:37, disse:
sou de arouca e gosto muito das pedras

eduarda, em 2009-12-15 às 17:46, disse:
Por quer as rochas são assim?
Mais uma coisa por são chamadas de rocha e porque escolheu este nome?


lara silva, em 2009-11-20 às 21:22, disse:
que fixe nunca tinha visto nada assim

aline, em 2009-11-11 às 14:43, disse:
muito legal

a braga, em 2009-10-16 às 23:54, disse:
loucura ja vi a pedra mãe a parir tenho a cria que saltou a vedação´tenho esta cria colada numa fraga (pedra) que è do mesmo local

cimone, em 2009-10-06 às 23:59, disse:
as rochas sao muito legais e bonitas eu tenho uma que paresse um rosto e tao bonita.

João Valente, em 2009-09-09 às 00:28, disse:
A aldeia da Castanheira e as pedras parideiras, não serão nunca mais o local desconhecido que eu vi há 40 anos, onde não havia redes a proteger e as pedras soltas eram aos montes e olhadas como quaisquer outras pedras. Hoje o local é conhecido, os visitantes são muitos e o perigo daquele bem precioso desaparecer é evidente. Um dia nós seremos capazes de olhar tal fenómeno e regalar-mo-nos apenas observando-o mas, por enquanto, enquanto não chegar-mos a esse estadio de educação e respeito por um património que é de todos, por enquanto senhores autarcas, por favor, gastem uns irrisórios euros e protejam de forma segura este tesouro que é vosso, que é nosso e que um dia poderá ainda dar muito que falar.

Carlos, em 2009-08-20 às 22:27, disse:
Boas, daqui carlos de Vale de Cambra, conheço bem as pedras parideiras, e de vez em quando é tema de conversa, desde sempre acreditei que as pedras 'nascecem' na serra da freita, até que colegas aqui da zona também disseram k aquilo era peta não nasciam nada, dai a minha pesquisa sobre o assunto.

gostei do que li pois realmente as pedras parem. ao ouvir isto axo que o k vem ao pensamento são pedras grandes a sairem de outras pedras. 'hemmm mas como, será que as pedras tb engravidam e eu não sabia ;)'

(desculpem o aparte)

tenho uma pedra parideira em casa, ajudei, mas já a tenho há muitos anos, muito antes de estar vedada a area. mal se falava em pedras parideiras, isto para dizer k não é de um dia para outro k elas parem pois ela ainda não pariu.
há quem diga k só lá é k elas parem, o k tem lógica pois lá tão expostas a muito calor e muito frio, alterações climáticas agressivas infiltraç~es de águas k por qualidades proprias da pedra fazem de rede formando as ditas pedras, k são como bocados de cascalho desfazem-se todas. e acreditem elas saltam eu já vi.

aconselho a visitar, levem farnel e estacionem pelo sitio k mais vos atrair na serra da freita. é bastante rochoso com paisagens magnificas.


Paulo Rocha, em 2009-03-16 às 11:09, disse:
Obrigado a ambos pela explicação cabal e fundamentada que aqui prestam! Sabia que as pequenas pedras se soltavam pela acção do frio/calor mas nunca percebi mt bem até agora como é que elas lá foram parar dentro do restante maciço.

Anabela Gomes Soares, em 2009-03-15 às 00:38, disse:
sou do conselho de arouca e quando ouvi a falar das pedras fui a castanheira ,recomendo esta vizita nao so as pedras mas a linda serra da freita que é muito bonita

tb, em 2008-07-28 às 20:38, disse:
Adorei visitar a serra, "pickinar" na zona de merendas junto ao Caima e visitar a seguir este fenómeno fantástico que são estas pedras. pena que poucas pessoas o conheçam e saibam admirar e valorizar o que o nosso lindo Portugal tem.
Gostei do artigo.


Graça Vasconcelos, em 2008-07-17 às 23:23, disse:
Muito interessante! Já tinha ouvido falar nas pedras parideiras e na Serra da freita também só tenho pena de nunca ter visto. Apesar de tudo vivo perto, por um lado saou de Nespereira Cinfães e por outro vivo em Viseu... bem...quem sabe um dia destes vou até lá para admirar tais pedras. Achei super interessante saber mais sobre elas e ver algumas imagens. Obrigada.

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