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A''Vida'' das Rochas, as Pedras Parideiras

Artigo no mbito da colaborao Visionarium/ Cincia Hoje

2006-02-09
Por Por Jos Manuel Lobo e Bruno Manuel Rodrigues Novo *
Bruno Novo
Bruno Novo
Jos Lobo
Jos Lobo

Na pacata aldeia de Castanheira, concelho de Arouca, um fenómeno raro no Mundo surge. Chamam-lhe as “Pedras Parideiras”, pois são pedras que parem pedras…O afloramento tem a forma de uma janela granítica oval, com 500x700m e apresenta no seu seio formações nodulosas (encraves ou jogas). Os curiosos nódulos têm forma de disco biconvexo que pode chegar aos 15-20 cm e diâmetro e 5-6cm de altura máxima. O seu núcleo é composto essencialmente por quartzo e feldspato e está envolvido numa coroa tipicamente biotítica (mica preta).

 Para encontrarmos uma perspectiva capaz de dar luz a este fenómeno, precisamos mergulhar no granito da Castanheira e acompanhar a sua evolução. No momento em que se formou esta rocha magmática, outras rochas preexistentes, tendo sido esta a causa provável da génese das formações nodulosas de predominância biotítica. Há cerca de 320 milhões de anos e à medida que o magma arrefecia, poderosas pressões exerceram-se sobre o granito e, consequentemente, sobre os encraves, determinando assim o seu actual achatamento.

Entretanto, as massas graníticas que afloraram à superfície do solo vão, por acção da meteorização mecânica, nos nossos dias, desagregando-se e libertando os referidos encraves. A pedra racha e parte – porque tem uma foliação bem marcada – e nessa altura o nódulo de biotite sai. O que se passa neste caso é uma acção conjunta da meteorização pela acção do gelo (gelivação), e pela acção do calor (crioclastia/termoclastia).

pedra parideira
pedra parideira

A termoclastia constitui um tipo de agente de meteorização, provocada pela variabilidade da temperatura na superfície dos materiais rochosos, provocando uma variação no volume. Os encraves dilatam-se, como reacção a temperaturas elevadas, e contraem-se por reacção ao arrefecimento. Como as rochas são em geral agregados poliminerálicos, e devido ao facto de cada mineral apresentar diferentes valores de coeficiente de dilatação, surgem diferentes velocidades de expansão e contracção. As partes mais externas das rochas, sujeitas a fortes amplitudes térmicas diurnas vão-se fracturando.

A desagregação pela gelivação é das mais eficazes em termos de fracturação, embora seja um mecanismo de carácter sazonal e que ocorre, predominantemente, em zonas de alta montanha. Este agente, contribui activamente para o “parir” do nódulo de biotite. A água contida nas fracturas, quando a temperatura é menor que 0ºC, começa a gelar na parte mais superficial. À medida que a temperatura exterior baixa, as cunhas de gelo vão crescendo no interior das fracturas. A água ao congelar, aumenta de volume (cerca de 10%), exercendo consequentemente, uma grande pressão, no interior dessas fracturas, provocando o seu alargamento e prolongamento. Logo, promove a desagregação das rochas, e o consequente “parir” do encrave biotítico.

As Pedras Parideiras, paulatinamente afloram à superfície da rocha, desprendem-se e vão-se acumulando no solo. Por isso, os camponeses da região chamam à rocha "a pedra que pare pedra", isto é, a rocha que produz uma outra rocha. Urge ainda atentar à preservação deste pecúlio, pois o vandalismo e usurpação indiscriminada dos nódulos em nada engrandece o património que é de todos.

 * José Manuel Lobo – jmlobo@aeportugal.com; ; Bruno Manuel Rodrigues Novo – bmnovo@aeportugal.com (Colégio Monitores do Visionarium)

Graa Vasconcelos
2008-07-17
23:23
Muito interessante! J tinha ouvido falar nas pedras parideiras e na Serra da freita tambm s tenho pena de nunca ter visto. Apesar de tudo vivo perto, por um lado saou de Nespereira Cinfes e por outro vivo em Viseu... bem...quem sabe um dia destes vou at l para admirar tais pedras. Achei super interessante saber mais sobre elas e ver algumas imagens. Obrigada.
tb
2008-07-28
20:38
Adorei visitar a serra, "pickinar" na zona de merendas junto ao Caima e visitar a seguir este fenmeno fantstico que so estas pedras. pena que poucas pessoas o conheam e saibam admirar e valorizar o que o nosso lindo Portugal tem.
Gostei do artigo.
Anabela Gomes Soares
2009-03-15
00:38
sou do conselho de arouca e quando ouvi a falar das pedras fui a castanheira ,recomendo esta vizita nao so as pedras mas a linda serra da freita que muito bonita
Paulo Rocha
2009-03-16
11:09
Obrigado a ambos pela explicao cabal e fundamentada que aqui prestam! Sabia que as pequenas pedras se soltavam pela aco do frio/calor mas nunca percebi mt bem at agora como que elas l foram parar dentro do restante macio.
Carlos
2009-08-20
22:27
Boas, daqui carlos de Vale de Cambra, conheo bem as pedras parideiras, e de vez em quando tema de conversa, desde sempre acreditei que as pedras 'nascecem' na serra da freita, at que colegas aqui da zona tambm disseram k aquilo era peta no nasciam nada, dai a minha pesquisa sobre o assunto.

gostei do que li pois realmente as pedras parem. ao ouvir isto axo que o k vem ao pensamento so pedras grandes a sairem de outras pedras. 'hemmm mas como, ser que as pedras tb engravidam e eu no sabia ;)'

(desculpem o aparte)

tenho uma pedra parideira em casa, ajudei, mas j a tenho h muitos anos, muito antes de estar vedada a area. mal se falava em pedras parideiras, isto para dizer k no de um dia para outro k elas parem pois ela ainda no pariu.
h quem diga k s l k elas parem, o k tem lgica pois l to expostas a muito calor e muito frio, alteraes climticas agressivas infiltra~es de guas k por qualidades proprias da pedra fazem de rede formando as ditas pedras, k so como bocados de cascalho desfazem-se todas. e acreditem elas saltam eu j vi.

aconselho a visitar, levem farnel e estacionem pelo sitio k mais vos atrair na serra da freita. bastante rochoso com paisagens magnificas.
Joo Valente
2009-09-09
00:28
A aldeia da Castanheira e as pedras parideiras, no sero nunca mais o local desconhecido que eu vi h 40 anos, onde no havia redes a proteger e as pedras soltas eram aos montes e olhadas como quaisquer outras pedras. Hoje o local conhecido, os visitantes so muitos e o perigo daquele bem precioso desaparecer evidente. Um dia ns seremos capazes de olhar tal fenmeno e regalar-mo-nos apenas observando-o mas, por enquanto, enquanto no chegar-mos a esse estadio de educao e respeito por um patrimnio que de todos, por enquanto senhores autarcas, por favor, gastem uns irrisrios euros e protejam de forma segura este tesouro que vosso, que nosso e que um dia poder ainda dar muito que falar.
cimone
2009-10-06
23:59
as rochas sao muito legais e bonitas eu tenho uma que paresse um rosto e tao bonita.
a braga
2009-10-16
23:54
loucura ja vi a pedra me a parir tenho a cria que saltou a vedaotenho esta cria colada numa fraga (pedra) que do mesmo local
aline
2009-11-11
14:43
muito legal
lara silva
2009-11-20
21:22
que fixe nunca tinha visto nada assim
eduarda
2009-12-15
17:46
Por quer as rochas so assim?
Mais uma coisa por so chamadas de rocha e porque escolheu este nome?
margarida
2010-01-13
11:37
sou de arouca e gosto muito das pedras
Isabel Pinho
2010-01-15
18:31
Ol boa tarde, eu sou natural de Arouca apesar de estar a morar em Vale de Cambra, que ao lado... conheo a muito a Serra da Freita e as pedras parideiras, inclusive j apresentei aguns trabalhos sobre as mesmas, e o engraado que muita gente no quer acreditar que elas existem mesmo e at gozam. o meu concelho sempre o mesmo, vo at l e apreciem... alm das pedras prideiras podem sempre apreciar a paisagem e a frecha da mizarela, os espaos verdes do para disfrutar de um optimo piquenique...
Felipa Silva
2010-02-18
10:06
Parabns..tem uma informao bastante informativa, que me ajudou bastante num trabalho de pesquisa..

(;
Maria Fernanda
2010-05-25
00:33
Obrigada, este artigo ajudou-me a conhecer melhor este fenmeno. Sou professora de Cincias Naturais 18 anos e s este ano que fui conhecer as pedras parideiras com os meus alunos de 7 ano de escolaridade. Adorei!! Um fenmeno raro no mundo que todos os professores deveriam observar. Levem tambm os vossos alunos, mostrem-lhe a nossa geologia.
Ana Matos
2010-06-17
12:59
Fui passar o fim de semana Casa Campo das Bizarras , e depois fui ver este lindo fenmeno.
Valeu a pene j recomendei o passeio ao pessoal c de Leiria...
Ana Matos
Ana Baptista
2010-06-18
18:05
Um fenmeno interessantissimo pergunto o nvel curricular um aluno do 11 Ano permite decifrar este fenomeno tal como era pretendido no exame
Maria da Graa Silva Oliveira
2012-03-30
10:04
Adorei o artigo, j visitei o local, um bocado esquesito ver aquele pedao rochoso inerte e de repente ouvir um estalinho e ver uma pedra saltar. Aconselho visitar, mesmo que as pessoas no se interessam pelo fenmeno, vale a pena pelas paisagens e aquele ambiente um bocadinho fora do tempo, j no vou l h anos, mas talvez volte este vero. Obrigada pela explicao do "nascimento" das pedras, ainda no tinha compreendido.
Sou de Sever do Vouga e moro na Suia, j falei vrias vezes aos meus amigos desse fenomeno.
Paula
2012-07-24
22:02
Voltei ontem de uma visita ao Geopark de Arouca, onde vi as Pedras Parideiras, as Pedras Boroas e a Frecha de Mizarela. Stios espectaculares, infelizmente pouco divulgados.
Obrigada pela explicao do fenmeno, muito interessante.
Vou voltar pois este parque tem muito para ver e usufruir.
Bruno
2013-03-15
11:20
Obrigado a todos pelos comentrios.
Bruno Novo
Jos Lobo
2013-03-17
22:55
Obrigado a todos pelos comentrios e pela leitura do artigo.
Jos Manuel Lobo

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