Quinta-feira, 29 de Julho de 2010
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Os efeitos nocivos das dioxinas no pulmão

2007-10-08

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A exposição prolongada do pulmão a pequenas concentrações de dioxinas tem efeitos altamente tóxicos, levando mesmo à morte de células. É a primeira conclusão de um estudo desenvolvido por um grupo de investigadores do Departamento de Zoologia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), coordenado por Carlos Palmeira.

A investigação iniciou-se em 2006 com o objectivo de elucidar os mecanismos envolvidos na disfunção pulmonar resultante da exposição a poluentes ambientais. Este interesse científico em avaliar a toxicidade “in vitro” de diferentes poluentes ambientais surgiu, também, na sequência da falta de informação relativa ao processo de co-incineração de resíduos tóxicos.

Os investigadores da FCTUC optaram por estudar, numa primeira fase, o efeito da Tetraclorodibenzo-p-dioxina (TCDD), uma das dioxinas presentes em maior escala na atmosfera, e Dibenzofuranos (DBZ). A metodologia adoptada foi a seguinte: culturas de linhas celulares e mitocôndrias isoladas (têm um papel central no metabolismo) de pulmão foram expostas a diferentes concentrações de TCDD e DBZ, de forma a avaliar vários parâmetros de toxicidade. Os estudos realizados revelaram que, mesmo para ínfimas concentrações, estes dois compostos são extremamente tóxicos e a exposição prolongada provocou a morte de células pulmonares.

Avaliando os resultados obtidos, o coordenador do estudo não tem dúvidas em afirmar que “qualquer ambiente onde a concentração de dioxinas for elevada estamos perante um grave problema de Saúde Pública”.

“Com este estudo conseguimos perceber os efeitos extremamente nocivos destes dois compostos no pulmão. Seria muito vantajoso monitorizar a concentração de dioxinas no ambiente, não só nos locais para onde está prevista a co-incineração de resíduos perigosos, mas também em todo país, para se fazer o controle e evolução da toxicidade no ambiente. Assim, seria possível elaborar planos de monitorização e adoptar medidas preventivas válidas”, alerta o investigador da FCTUC.

Conhecidos alguns dos efeitos das dioxinas mais abundantes no ambiente, o estudo avança, agora, para uma segunda fase: os investigadores vão introduzir novos compostos tóxicos porque existe uma panóplia de dioxinas, com estruturas químicas diferentes, e que podem produzir efeitos distintos. Os cientistas querem conhecer esses danos e tentar encontrar mecanismos de protecção.


Comentários

Remigio, em 2009-09-15 às 09:07, disse:
sendo as dioxinas toxicas e inocivas para a vida humana, quais sao os futuros mecanismos de maior prevencao...seraque temos de fechar as industrias... entao que se forme tecnicos altamente dotados de conhecimento para controlarem a situacao da toxicidade das dioxinas.

paulo, em 2008-04-08 às 11:19, disse:
estou de acordo com "mário". haja seriedade. para começar estudaram os TCDD e DBZ existentes na atmosfera, (os mais perigosos) mas em concentrações elevadas (quais?). se já estão na atmosfera, e a menos que os consigamos eliminar não temos nada a fazer(?).o que interessa é analizar os efeitas das dioxinas e/ou furanos libertados na coinceneração. dos 210 tipos (sendo só 17 tóxicos) quais se libertam? e aí sim, quais as consequêncis?

Mario, em 2008-02-05 às 23:30, disse:
Duas questões... 1 - O que é uma concentração de dioxinas elevada? 2 - Qual a concentração de dioxinas emitidas num processo de produção de cimento? Haja seriedade...é isto que os Portugueses esperam da comunidade ciêntifica...

Carlos Corrêa, em 2007-10-08 às 17:17, disse:
Gostaria de saber, expresso em números, o que são "ínfimas concentrações" e "concentrações elevadas" e compara-las com as concentrações em Souselas, a várias distâncias das fontes emissoras. Talvez a Comissão Científica Independente possa esclarecer, cientificamente.

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