Quinta-feira, 29 de Julho de 2010
Finalmente o Museu do Côa - O Museu do Côa vai ser inaugurado na próxima sexta feira, pela ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, concluindo um projecto há muito aguardado

São cada vez mais as pessoas que enfrentam riscos psicossociais no trabalho

Alerta vem do Observatório Europeu dos Riscos

2008-01-31

Partilhar

Os ambientes de trabalho estão a atravessar mudanças significativas devido à aplicação de novas tecnologias, materiais e processos de trabalho. As alterações ao nível da concepção, organização e gestão do trabalho podem criar novas áreas de risco susceptíveis de gerar um maior nível de stress e, em última análise, originar uma grave deterioração da saúde mental e física. Segundo um novo relatório da Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho, os principais riscos psicossociais estão relacionados com novas formas de contratos de trabalho, insegurança no emprego, intensificação do trabalho, exigências emocionais elevadas, violência no trabalho e difícil conciliação entre a vida profissional e a vida privada.

Jukka Takala, Director da Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho (EU-OSHA) afirmou: “A vida profissional na Europa está a mudar a um ritmo cada vez mais acelerado. A insegurança no emprego, a necessidade de ter vários empregos e a intensificação do trabalho podem gerar stress profissional e colocar em risco a saúde dos trabalhadores. É necessário monitorizar e melhorar constantemente os ambientes de trabalho a nível psicossocial a fim de criar empregos de qualidade e assegurar o bem-estar dos trabalhadores.”
O stress profissional é um dos maiores desafios que a Europa enfrenta no domínio da segurança e saúde no trabalho (SST), prevendo-se o aumento do número de pessoas afectadas por doenças relacionadas com stress provocadas ou agravadas pelo trabalho. O stress é o segundo problema de saúde relacionado com o trabalho mais comum na Europa, afectando 22% dos trabalhadores da UE (2005). Estudos indicam que entre 50% e 60% dos dias de trabalho perdidos estão relacionados com este fenómeno. Em 2002, o custo económico anual do stress profissional na UE 15 foi estimado em 20 000 milhões de euros.

Os riscos psicossociais emergentes, analisados numa previsão de peritos, são apresentados num novo relatório, o terceiro de uma série dedicada a novos riscos e a riscos emergentes, elaborado pelo Observatório Europeu dos Riscos, que faz parte da EU-OSHA.

O trabalho precário coloca em risco a saúde dos trabalhadores

 Em termos gerais, o trabalho precário define-se como o emprego mal remunerado e de baixa qualidade, com poucas oportunidades de formação e de progressão na carreira. Os trabalhadores com contratos precários tendem a efectuar os trabalhos mais perigosos, trabalham em piores condições e recebem menos formação em matéria de segurança e saúde no trabalho. Trabalhar em condições instáveis pode gerar insegurança no emprego, o que, por sua vez, agrava significativamente o stress profissional.

A intensificação do trabalho causa problemas de saúde

 Com a imposição de prazos rigorosos e o aumento do ritmo de trabalho, são cada vez mais os trabalhadores da UE que têm de fazer face a maiores volumes de trabalho e a maior pressão no emprego. A redução dos locais de trabalho, a quantidade crescente de informação a tratar devido às novas tecnologias de comunicação e o aumento das exigências impostas a um menor número de trabalhadores também podem levar a um aumento do stress profissional.

A violência e a intimidação colocam em risco os trabalhadores

O problema da violência e da intimidação no local de trabalho suscita cada vez mais preocupações. Embora afecte todas as profissões e sectores de actividade, é mais comum nos sectores da saúde e dos serviços, podendo levar a perda de auto-estima, ansiedade, depressão e até mesmo ao suicídio.

A difícil conciliação entre a vida profissional e a vida privada afecta as famílias

Os grandes volumes de trabalho e os horários de trabalho inflexíveis dificultam ainda mais esta conciliação, sobretudo para as mulheres que, muitas vezes, são obrigadas a acumular a actividade profissional e as tarefas domésticas. Esta situação pode causar stress e ter outros efeitos negativos sobre a saúde dos trabalhadores, especialmente quando estes não têm possibilidade de ajustar as condições de trabalho às suas necessidades pessoais. Mais de 40% dos trabalhadores da UE 27 com longos horários de trabalho afirmaram estar insatisfeitos com a conciliação entre a vida profissional e a vida privada.

Em Abril de 2008, terá lugar, em Bruxelas, um workshop onde serão discutidas e consolidadas as conclusões do estudo, bem como exploradas formas práticas de dar resposta aos riscos psicossociais. Este workshop reunirá especialistas em SST, decisores políticos da UE e representantes dos empregadores e dos trabalhadores.

Além disso, a EU-OSHA está a planear a realização de um estudo previsional em grande escala destinado a monitorizar as alterações ocorridas na sociedade e nos locais de trabalho que geram riscos emergentes relacionados com a SST. Em 2009, a EU-OSHA pretende ainda lançar um estudo sobre as empresas nos 27 Estados Membros da UE para saber de que modo as organizações dos sectores público e privado lidam com os riscos psicossociais e como é que as empresas podem ser ajudadas a gerir estes complexos riscos profissionais de forma mais eficaz.



Comentários

Lia, em 2009-09-22 às 17:36, disse:
É exactamente esse tipo de visão Mário, que é necessária hoje em dia nas mentes dos diversos Directores, sejam os das empresas, sejam os da EU-OSHA.

Paulo de Lucena, em 2008-04-02 às 15:28, disse:
Será que a vida se resume a uma "actividade" meramente profissional ? Se nada fizessemos, aonde estariamos?Qual o risco que correriamos? A pressão?bem...e a não pressão?? Voluntáriamente trabalhar ...uma ideia a explorar. Os riscos que se correm diáriamente, são uma "peça" da nossa sobrevivencia, que se ajusta ao factor do "Ser Humano"em os contratempos não passam de meros falhanços de caçada.

Mário Rui Santos, em 2008-02-01 às 11:16, disse:
Os empresários e dirigentes continuam com mentalidades e estilos de liderança limitados e auto-destrutivos. São imediatistas nos cálculos de benefícios para a empresa, esquecendo-se que os salários baixos, precariedade contratual, exigência de disponibilidade horária acima do razoável e saudável ou lideranças autoritárias não trazem qualquer benefício a médio e longo prazo para a sua estrutura. Proporcionar felicidade, entusiasmo, responsabilidade e envolvimento no trabalho aos colaboradores é cada vez mais uma vantagem concorrencial e portadora de fantásticos retornos a médio e longo prazo. Um colaborador satisfeito está mais atento, produz mais, comunica melhor sobre a empresa em que trabalha, transmite essa felicidade de forma inconsciente e atractiva para a própria empresa. São contas para as quais os empresários e dirigentes têm de ser sensibilizados. A "lei do chicote" está ultrapassada e mais tarde ou mais cedo a mão que segura o chicote é chicoteada. www.marioruisantos.net

O seu comentário:


O seu nome:


O seu email (não será publicado):






Ciência Viva TV
FCCN - Fundação para a Computação Científica Nacional Ciência Viva


Contactos
Ficha técnica
Estatuto Editorial
Conselho Científico
A Palavra do Leitor
Portuguese Science