Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010
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Doze por cento dos portugueses são infiéis, revela estudo do Instituto de Ciências Sociais

ICS apresenta resultados do maior inquérito realizado no nosso país sobre os comportamentos sexuais

2008-05-05

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O Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL) anuncia amanhã, dia 6 de Maio, os resultados daquele que é considerado o maior estudo alguma vez realizado em Portugal sobre a sexualidade dos portugueses, numa perspectiva de práticas, representações e identidades bem como de atitudes preventivas sobre a infecção HIV/Sida. O inquérito ‘Comportamentos Sexuais e a infecção HIV/Sida em Portugal’ resulta de um pedido da Coordenação Nacional para a Infecção VIH/Sida e foi desenvolvido entre 2007 e 2008.

Este estudo demonstra – nas várias dimensões analisadas – acentuadas diferenças de género com os homens sempre na dianteira. Por exemplo, logo na idade de iniciação sexual, homens têm a primeira relação aos 17 anos e as mulheres aos 19.

Da mesma forma, o número de parceiros sexuais declarados pelos homens é bem mais expressivo do que os declarados pelas mulheres: 59,1% dos homens garantem ter tido quatro ou mais parceiros ao longo da vida, sendo que 55,7% das mulheres afirmaram ter tido apenas um. No total do universo feminino e masculino, mais de 60% dos portugueses revela ainda que está satisfeito com a sua vida sexual, retirando sempre ou quase sempre prazer das suas relações.

12% dos portugueses são infiéis

Nesta amostra, é possível encontrar percentagens mais significativas de homens cujos parceiros foram relações ocasionais: 15,7% e 21,8% dos homens referem que o último e o penúltimo parceiro, respectivamente, foram ocasionais, contra 4,5% e 5,9% das mulheres. Em matéria de infidelidade conjugal, cerca da 12% da população inquirida a viver em casal refere ter tido outros parceiros sexuais nos últimos cinco anos, prática declarada por 16,9% dos homens e somente 7,1% das mulheres.

 Em relação às práticas sexuais protegidas, mais de metade dos portugueses – 59,2% - admite que não usou o preservativo na primeira relação com o parceiro mais recente, contra 40,7% dos que afirmaram tê-lo usado. Maioria dos portugueses (73,2%) admite, contudo, que já o usou no passado. Entre os menos escolarizados (com o primeiro ciclo do Ensino Básico) encontra-se mesmo uma percentagem significativa (52,1%) que confessa nunca ter utilizado o preservativo nas suas relações sexuais. Refira-se que o escalão etário com a percentagem mais expressiva nesta resposta é o que se refere ao intervalo dos 25 aos 34 anos: 86,6% garante que usa ou já usou preservativo.

No que se refere aos indivíduos que mantêm relações ocasionais, 6,5% admite que não usou preservativo nas relações com o último ou penúltimo parceiro mas enquanto esta ausência de prevenção abrange cerca de 10% dos homens apenas se aplica a 2,7% das mulheres.

As infecções ou as doenças transmitidas através das relações sexuais parecem não preocupar muito os portugueses já que 38,2% dos inquiridos confessa não ter nenhum receio a este nível, sendo os indivíduos casados (48,7%) e os com idades compreendidas entre os 55 e os 65 anos que se mostram mais despreocupados (61,3%). Mais de metade dos portugueses – 55,2% – revela também que nunca tirou uma amostra de sangue para fazer o teste para o VIH.

5,1% admite já ter tido uma experiência sexual com uma pessoa do mesmo sexo

As práticas e as identidades sexuais na homossexualidade e bissexualidade foram também objecto deste inquérito, que demonstrou que os portugueses têm dificuldade em aceitar diferentes orientações sexuais. 58, 8% dos inquiridos considera que uma relação sexual entre dois homens é algo totalmente errado e 53,8% considera o mesmo no caso de se tratar de duas mulheres. No universo feminino, não há grandes diferenças a assinalar: para 39,2% das participantes neste estudo uma relação sexual entre homens é algo errado, sendo que a percentagem eleva-se para 40% quando se trata de julgar o relacionamento sexual entre mulheres.

Quando questionados sobre a sua orientação sexual, 87,7% dos inquiridos assumiu-se heterossexual, 1,5% bissexual e 0,7% homossexual. 2,9% dos portugueses admitiu ter tido pelo menos uma experiência sexual com uma pessoa do mesmo sexo e 5,1% admitiu ter tido contacto sem envolver a área genital. Sobre o comportamento face ao risco de contágio das doenças sexualmente transmissíveis, quase metade (46,6%) dos homens que mantêm relações com pessoas do mesmo sexo usam o preservativo. No caso das mulheres, a percentagem eleva-se para 59,2% sendo que 62,5% das inquiridas recusa-se mesmo a ter relações sexuais ocasionais ou passageiras.

O inquérito ‘Comportamentos Sexuais e a infecção HIV/Sida em Portugal’ compreendeu a realização de 3643 inquéritos num universo de indivíduos com idades entre os 16 e os 65 anos, residentes em Portugal Continental. Foi levado a cabo por uma equipa do ICS, coordenada pelos investigadores Manuel Villaverde Cabral e Pedro Moura Ferreira, e da qual fizeram parte Sofia Aboim, Duarte Vilar, Alexandre Lourenço e Raquel Lucas.

Este estudo é apresentado amanhã no auditório do ICS pelos investigadores envolvidos no projecto e inclui debates e comentários de personalidades como Francisco Allen Gomes (psiquiatra e sexólogo), Jorge Branco (presidente da Comissão Nacional da Saúde Materna e Neonatal), Henrique Barros (Coordenador Nacional para a infecção VIH/Sida) e Miguel Vale de Almeida (antropólogo).

No final da apresentação, realiza-se a conferência ‘Sexualidade, género e saúde em França. As alterações do panorama’, conduzida por Michel Bozon, prestigiado sociólogo francês e especialista em comportamentos sexuais. É autor de diversos livros e artigos sobre família, género e sexualidade, além de projectos de investigação sobre sexualidade, comportamento e sociabilidade realizadas em França e no Brasil.



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