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Bolsas para o Reino Unido devem ser mais elevadas, defende nova associação de cientistas portugueses

2008-06-22

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Raquel Oliveira foi eleita a primeira presidente da Parsuk
Raquel Oliveira foi eleita a primeira presidente da Parsuk
As bolsas de estudo atribuídas aos estudantes e investigadores portugueses no Reino Unido devem ter em conta o custo de vida elevado neste país, defende a associação hoje criada para defender os seus interesses. Esta é uma amostra dos problemas específicos que a “Portuguese Association of Researchers and Students in the UK” (Parsuk), que tem o nome em inglês mas está registada em Portugal, pretende resolver.

“O valor das bolsas atribuídas [pela Fundação para a Ciência e Tecnologia - FCT] são iguais para todos os países, mas os bolseiros do Reino Unido são os mais prejudicados devido ao custo de vida elevado em comparação com, por exemplo, Espanha”, salienta a recém-eleita presidente, Raquel Oliveira.


A ideia de criar este organismo surgiu no final do ano, em paralelo à organização do Luso2008, o 2º Encontro de Estudantes e Investigadores Portugueses no Reino Unido, que decorreu no sábado em Oxford. A inspiração partiu da congénere nos EUA, a Portuguese-American Post-graduate Society (PAPS), fundada em 1998, que tem os mesmos objectivos mas para os portugueses a efectuar uma pós-graduação em instituições norte-americanas.

Agora é a vez da Parsuk querer afirmar-se em Portugal e “funcionar como um lóbi”, diz Raquel Oliveira, actualmente a realizar um pós-doutoramento no departamento de bioquímica da Universidade de Oxford. “Uma associação sólida pode exercer uma influência mais forte”, sustenta a investigadora, eleita hoje presidente na única lista candidata aos órgãos sociais.

Contactos com empresas e instituições para tentar encontrar oportunidades “vantajosas” para os seus membros, a criação de uma página de internet e de uma base de dados são outros dos seus propósitos. Um fórum na internet pretende ainda ajudar a manter um contacto “mais contínuo que o Luso” (evento anual) e a formação de núcleos regionais pode facilitar a assistência e acolhimento a recém-chegados ao Reino Unido, fomentando um espírito de “entreajuda” entre associados.

Actualmente, a associação, que hoje realizou em Oxford a primeira assembleia-geral, conta com 80 inscrições, uma fracção ainda pequena da comunidade científica portuguesa no Reino Unido. De acordo com um estudo de Março deste ano da consultora Deloitte, em 2006 encontravam-se no Reino Unido 603 bolseiros portugueses de doutoramento e 83 de pós-doutoramento.

Todavia, este número não inclui bolseiros portugueses de outras organizações internacionais nem investigadores ou académicos ao serviço de instituições britânicas. A Parsuk também quer intervir e exercer influência junto de entidades britânicas, mas Raquel Oliveira reconhece que “a margem de manobra é menor” no Reino Unido.


Comentários

Rui Pires, em 2008-06-24 às 14:53, disse:
Concordo com o João Moura sobre a questão da prioridade do investimento nos laboratórios. Mas também é verdade que o Reino Unido é um dos países mais caros para se viver. E, se bem sei, existem outras instituições internacionais que fazem variar os montantes das bolsas conforme o destino. Isto sem tirar mérito à FCT, que até paga bastante bem. O que quero dizer é que é uma questão válida que se vai colocar quando a libra valorizar outra vez.

Direccção da PARSUK, em 2008-06-23 às 22:23, disse:
A actual direcção da PARSUK gostaria de esclarecer que o aumento do valor das bolsas para o Reino Unido não é uma reivindicação desta associação e que foi apenas referido durante a entrevista à Agência Lusa como um exemplo de assuntos que a PARSUK procurará discutir.
O principal objectivo desta recém criada associação é estabelecer uma rede de contactos sólida que beneficie todos os seus membros, de modo a gerar uma plataforma de discussão sobre assuntos de interesse comum.


João Moura, em 2008-06-23 às 08:30, disse:
Não faz qualquer sentido alterar o valor das bolsas de investigação apenas para o Reino Unido, pois a desproporcionalidade de custo de vida infelizmente existe entre Portugal e a maior parte dos países da União Europeia e resto do Mundo. Sendo assim, para aumentarmos o valor das bolsas de investigação para o estrangeiro teríamos que aumentar substancialmente o valor atribuído à FCT pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.
Sinceramente penso que nesta altura de reestruturação financeira do País e do parque científico nacional, era melhor opção investir nos laboratórios de investigação portugueses, pois são esses que irão contribuir para o progresso científico nacional.


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