Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010
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Chilreios e assobios associados à aurora são primeiros sons da Terra que extra-terrestres ouviriam

2008-06-30

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Robert Mutel diz que se pode determinar de onde vêm as emissões
Robert Mutel diz que se pode determinar de onde vêm as emissões
Os primeiros sons que os eventuais extra-terrestres poderão ouvir da Terra são os chilreios e assobios associados à aurora e cuja origem acaba de ser determinada por cientistas da Agência Espacial Europeia (ESA). O objectivo é ajudar a compreender essas emissões, a que os cientistas chamam Radiação Quilométrica Auroreal (AKR), e, no futuro, procurar outros mundos pela escuta de sons.

As emissões são geradas muito acima da Terra pelo mesmo veio de partículas solares que, nas auroras, iluminam o céu. Durante décadas, os astrónomos julgavam que estas ondas de rádio viajavam no espaço em cone, como a luz de uma pilha.


Ao analisarem 12 mil emissões separadas de AKR, uma equipa de astrónomos determinou que esta viaja no espaço num plano estreito.

"Podemos agora determinar exactamente de onde vêm essas emissões", diz Robert Mutel, da Universidade de Iowa, o coordenador deste estudo de três anos. Para cada emissão de AKR, os astrónomos localizaram o seu ponto de origem em regiões do campo magnético terrestre com dimensões de poucas dezenas de quilómetros e poucos milhares de quilómetros acima do local onde se forma a luz da aurora.

"Este resultado só foi possível graças às quatro naves da missão Cluster da ESA", sublinhou. Composta por quatro engenhos idênticos em formação, esta missão permitiu aos cientistas saber exactamente quando os quatro foram atingidos pela AKR. Com esta informação, os cientistas triangularam os pontos de origem, de modo semelhante ao sistema de navegação GPS.

A AKR, cuja chegada à superfície terrestre é impedida pela ionosfera, foi descoberta por satélites no princípio dos anos 70, sendo 10.000 vezes mais intensa do que o mais forte radar militar. Embora a pesquisa de AKR em planetas extra-solares exija telescópios de rádio muito maiores do que os existentes, este tipo de instrumentos está já a ser desenhado, segundo a ESA.



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