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Poluentes de risco para o meio aquático e a saúde humana

2008-10-02
Por Marlene Moura

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Susana Loureiro explica pesquisa em que participou
Susana Loureiro explica pesquisa em que participou
Os organismos aquáticos estão expostos a vários stressores, incluindo uma variedade de poluentes resultantes da actividade do homem, como substâncias produzidas a nível industrial e/ou utilizadas na agricultura; são prejudiciais para os sistemas aquáticos e, conjuntamente com outros factores como níveis baixos de oxigénio dissolvido, causam danos nos ecossistemas.

Um estudo recente, inserido no projecto NoMiracle – que visa desenvolver novas metodologias para determinar o potencial tóxico da conjugação dos contaminantes no ambiente e na saúde humana – avalia a toxicidade de um fungicida (Carbendazim) e de um metal pesado (Cadmium) e as suas combinações com níveis baixos de oxigénio. Este estudo foi já publicado no serviço de notícias ambientais da Comissão Europeia para responsáveis políticos.


 Susana Loureiro, investigadora central do projecto e auxiliar do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro, explicou que a pesquisa recai sobre a combinação destes dois poluentes e sobre os resultados de toxicidade sinergísticos que daí resultaram. Situações semelhantes podem ocorrer no ambiente, por exemplo, em casos de eutrofização, onde sistemas aquáticos que recebem ocorrências de nutrientes e pesticidas provenientes da agricultura, apresentam níveis baixos de oxigénio.

Os testes feitos em pulgas de água analisam a sua sobrevivência e inibição de alimentação e “verificámos que há casos em que na junção dos dois stressores (Carbendazim e Cadmium) com níveis baixos de oxigénio há uma potenciação da toxicidade”, disse a investigadora ao Ciência Hoje.

Os modelos conceptuais, que são geralmente utilizados para explicar padrões de resposta de misturas químicas, dizem que a toxicidade da combinação de dois stressores será igual à soma individual de cada um.

Em termos de risco ecológico, actualmente são feitas avaliações que têm em conta situações controladas no ambiente, mas há condições que fogem dos padrões normais, como os tais casos de eutrofização. Conclui-se que há desvios nesses modelos e que podem falhar na avaliação de resultados das misturas binárias ou complexas no meio aquático. Com as alterações climáticas, aparecem novos stressores, como a falta de oxigénio na água ou uma maior intensidade de radiação ultravioleta que, conjugados com compostos químicos, podem originar risco para as populações e ecossistemas e para a saúde ambiental.


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