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Quinta-feira, 29 de Julho de 2010 ![]() |
Finalmente o Museu do Côa
- O Museu do Côa vai ser inaugurado na próxima sexta feira, pela ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, concluindo um projecto há muito aguardado
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A notícia da década foi dada no dia 13 de NovembroFomalhaut b é o primeiro planeta extrasolar detectado através da luz visível2008-11-18 Por Carlos F. Oliveira*
* Estudante de doutoramento em Educação Científica com especialização em Astrobiologia, na Universidade do Texas em Austin nos EUA. Há cerca de 2500 anos que se anda a falar sobre planetas extrasolares, ou exoplanetas, planetas que orbitam outras estrelas que não o Sol. Sabe-se que, pelo menos desde 500 A.C., seguidores da escola Pitagórica e, posteriormente, seguidores da escola Atomista defendiam o pluralismo astronómico – a existência de “outros mundos”, outros sistemas planetários, outros sóis, outras estrelas com planetas à volta e, quiçá, alguns desses planetas até serem como a Terra. Apesar de tudo, durante mais de 2000 anos estas ideias não passaram de especulações filosóficas. Um Pouco de História
Até que a 6 de Outubro de 1995, Michel Mayor e Didier Queloz, da Universidade de Genebra, anunciaram a descoberta confirmada do primeiro planeta extrasolar a orbitar uma estrela da sequência principal, 51 Pegasi. Um marco histórico que mudou a nossa visão do Universo. Estava oficialmente confirmada a existência de planetas a orbitar estrelas semelhantes ao Sol. A especulação deu, finalmente, lugar à realidade. Sabe-se hoje da existência de 326 planetas extrasolares; ou melhor, candidatos a planetas extrasolares já que em vários deles ainda não há certeza se realmente são planetas ou anãs castanhas. A maioria dos planetas descobertos são gigantes, maiores até que o maior planeta no nosso sistema solar, Júpiter, e encontram-se bastante perto da sua estrela, mais perto até que Mercúrio está do nosso Sol. Em somente 13 anos passou-se de 0 para 326 exoplanetas conhecidos, e certamente que nos próximos anos mais algumas centenas serão descobertos. Métodos de Detecção de Planetas Extrasolares
Os métodos indirectos actuais são: astrometria, velocidade radial, trânsito, microlente gravitacional, disco circunstelar, cronometria de pulsares, entre outros que estão a ser desenvolvidos actualmente. Os três primeiros métodos são os mais comuns e consistem basicamente em detectar oscilações - mudança de posição e movimentos - da estrela, ou perceber-se uma diminuição do brilho da estrela, e a partir daí, pelo que acontece à estrela, infere-se a existência de planetas.
A 13 de Novembro de 2008, foi anunciada a primeira detecção directa de um sistema planetário. Pela primeira vez, tem-se fotografias de vários planetas a orbitar uma só estrela. Esta detecção directa foi feita através de radiação infravermelha. Três planetas gigantes e maciços (10, 10, e 7 vezes a massa de Júpiter) foram observados a orbitar a grandes distâncias (24, 37, e 67 unidades astronómicas) a estrela-mãe. A jovem estrela que teve esta distinção chama-se HR 8799, tem somente 60 milhões de anos, está a 130 anos-luz da Terra, é cerca de 50 por cento maior que o nosso Sol, e a sua luminosidade é cinco vezes superior à do Sol. A detecção directa através de luz infravermelha é possível quando os planetas são gigantes, maciços, estão bastante longe da estrela-hospedeira, e são ainda jovens (têm uma temperatura alta e emitem intensamente radiação infravermelha). Até hoje, conhecem-se nove planetas extrasolares detectados directamente por radiação infravermelha, popularmente conhecida por calor. Fomalhaut b Se é certo que o dia 13 de Novembro de 2008 já estava a ser especial em termos astronómicos, o melhor ainda estava para vir! Para o princípio da tarde estava anunciada uma conferência de imprensa para dar conta de uma descoberta importante feita com o Telescópio Espacial Hubble. E a conferência não desiludiu, muito pelo contrário! A descoberta sensacional é de que o Hubble fez a primeira detecção directa na luz visível de um planeta extrasolar. Pela primeira vez na história, observou-se e tirou-se fotos na luz visível – popularmente conhecida por luz, da mesma que vemos com os nossos olhos -, a um exoplaneta.
A estrela hospedeira é a Fomalhaut, que se encontra a 25 anos-luz de distância de nós, na direcção da constelação Peixe Austral, tem somente 200 milhões de anos e um prazo de vida de mil milhões de anos (comparando com o Sol que tem 5 mil milhões de anos e um prazo de vida de 10 mil milhões de anos), é mais quente, um pouco maior, e 16 vezes mais luminosa que o nosso Sol. O planeta tem o nome Fomalhaut b, terá o mesmo tamanho e de 30 por cento a duas vezes a massa de Júpiter, terá anéis à sua volta que serão muitos mais vastos que os de Saturno, tem cerca de 100 milhões de anos (comparando com a Terra que tem 4,5 mil milhões de anos) e encontra-se a uma distância de 119 unidades astronómicas (UA) de Fomalhaut (1 UA é a distância Terra - Sol), o que é cerca de 10 vezes a distância de Saturno ao Sol ou 4 vezes a distância de Neptuno (o nosso planeta mais distante) ao Sol – quanto mais longe um planeta está da estrela-mãe, mais tempo leva a completar uma órbita, e daí que o ano em Fomalhaut b demora 872 anos terrestres. A existência do planeta não é surpreendente; já se dava como hipótese haver planetas em órbita da estrela Fomalhaut desde que na década de 1980 se detectou discos de poeira, o que se assumiu como levando a planetas em formação à volta da estrela; além de que o estudo dessa poeira permitiu detectar um anel que mostrava algumas irregularidades – sinal de um planeta próximo. Daí que o planeta já estava previsto como hipótese desde 2005. Mas a importância da descoberta não está no planeta em si, mas sim no método utilizado. Pela primeira vez viu-se (e fotografou-se) a luz, visível, de um planeta extrasolar. E ao se ter imagens ópticas do planeta, criou-se um momento histórico. Esta é uma descoberta que irá para os livros de astronomia, e será provavelmente a notícia astronómica do ano... ou da década! Comentáriosvalkiria paula silva, em 2010-06-20 às 18:46, disse:eu acho isso muito interessante,porque eu só tenho 11 anos de idade e quero muito mesmo ser astrônoma e cientista então já vou adiantando meus estudos sobre esse assunto pesquisando nesses sites Francisco Jairo Morais Ferreira Gomes, em 2010-04-05 às 19:12, disse: muito bom. Carlos F. Oliveira, em 2008-11-20 às 01:40, disse: Caro Alexandre, Penso que haverá uma falha de interpretação. Na década de 90, a descoberta principal terá sido confirmarmos a existência de planetas extrasolares. Na primeira década do século XXI, penso que é esta a notícia mais importante. Finalmente, vimos (no visível) planetas extrasolares. Na segunda década do século XXI, dou-lhe razão. A descoberta de planetas como a Terra será a grande descoberta espacial da década. A única dúvida que tenho é: o que são "planetas como a Terra"? Com a mesma massa? Com o mesmo tamanho? Com atmosfera semelhante? Com vida? Com vida complexa? Com vida humanóide? Duvido que seja pela órbita, e em torno de um "outro Sol". Pode-se argumentar que Vénus preenche estes requesitos (e outros em cima), e, se é certo que tudo o que encontrarmos é positivo, em termos de imaginação não é de outros Vénus que andamos à procura... abraço! Alexandre, em 2008-11-18 às 22:06, disse: Também não é preciso exagerar... A noticia da década estamos ainda à espera dela, vai ser a descoberta do primeiro planeta do tipo da Terra numa órbita idêntica à da Terra em torno de uma estrela como o Sol. A haver, tal como se espera, temos tecnologia para a descobrir em menos de 10 anos! |
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