Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010
A violência está de volta a Maputo - Incidentes voltaram esta manhã a Maputo com carga policial sobre os populares. Pelas ruas da cidade o dispositivo policial é enorme. Pilhagens e pneus queimados pintam o cenário da capital

Situação no EBS: partilha de um desabafo reflexivo

2008-11-21
Por António Alberto Silva *

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António A. Silva
António A. Silva

Perdoem-me se esta opinião, que pode parecer despropositada. Mas o assunto interessa a todos e não resisto à partilha.

Os professores do Ensino Básico e Secundário (EBS) sentem mal-estar. Alguns motivos são comuns à generalidade da população: leis de aposentação, vencimento vs inflação. Outros, à generalidade da administração / função pública: congelamento de escalões, existência de quotas de classificação, categorias na carreira. Outros são mais específicos: tempo de permanência na Escola, aulas de substituição, multiplicidade de funções. Outros ainda, são político-partidários com relacionamentos político-sindicais.

*Professor, ESE IP Porto



Em relação a alguns dos motivos, os professores têm razão. Eles e os Sindicatos deveriam ter feito mais. Mas os motivos viraram desmotivação e, pouco a pouco, revolta.

Em relação a outros motivos, os professores não têm razão. Na Administração Pública em geral está em vigor o SIADAP (Sistema Integrado de Avaliação na Administração Pública). Foi legislado por um Governo do PSD — e bem. No SIADAP há quotas de classificação — e bem. Em todas as carreiras profissionais há categorias a que se acede com base em avaliação de mérito — e bem.

Nas carreiras da Administração Pública em que não é aplicado o SIADAP aplicam-se sistemas mais exigentes, com mais categorias e mais restrições para atingir o topo da carreira (onde há menor percentagem de lugares). É o caso da carreira docente do Ensino Superior e de outras, como a judicial e a militar. Os soldados podem ser todos excelentes, mas nem todos são generais.

Os docentes do Ensino Superior podem ser todos muito bons, mas nem todos são Catedráticos ou Coordenadores e, para se chegar ao topo, é obrigatório obter graus (Mestrado, Doutoramento, Agregação) e concorrer em Concursos Públicos. Um Assistente que não obtenha o grau académico necessário e não tenha no Quadro lugar de Professor é excluído da carreira, mesmo com 6 a 10 anos de bom serviço.

A actual situação no EBS tem parcialmente a ver com motivos em que os professores têm razão, e.g., alguns dos que acima referi em primeiro lugar.

Mas a situação emerge nas ruas e nos Sindicatos como uma contestação à avaliação, por vezes dita “modelo” de avaliação — e aqui têm pouca razão. Muitos dos problemas e excessos foram criados nas próprias Escolas, em reuniões improdutivas ou que produziam mal porque os professores já estavam de má vontade; os professores e os Sindicatos deveriam ter apresentado propostas concretas de melhoria, remoção de injustiças, solução de problemas específicos.

Mas o pior é que a actual situação no EBS e a sua emergência nas ruas e nos Sindicatos, no fundo, no fundo, tem sobretudo a ver com motivos nos quais professores não têm razão alguma: existência de quotas e categorias; efeito da avaliação no progresso e na promoção.

No sentido acabado de referir, a actual situação de movimentações, protestos, jogadas político-partidárias e político-sindicais, crise, constitui um embuste.

Os ajustes efectuados pela Tutela no processo de avaliação — quer na passagem para o presente ano lectivo, quer os ontem anunciados —, são avanços. Avanços em relação a anseios expressos pelos professores, avanços de aproximação a eles, avanços para a dignificação dos professores e o desenvolvimento do Ensino, da Educação e do País. Quem preferir dizer que a Ministra “recuou”, que o diga, e até tem razão em certo sentido. Mas trata-se mais de linguagem bélica de quem procura dividendos egoístas e menos de falar construtivamente. A Ministra recuou, em consequência do que os professores reivindicaram e do modo como o processo estava a decorrer no terreno? Sim. Mas a isto eu prefiro chamar “avançar”.

Exprimo aqui o desejo de que os professores:

- Continuem a lutar pelos seus direitos e deveres e pela melhoria do Ensino.

- Reconheçam que existe uma Lei em vigor, negociada com os parceiros envolvidos, alvo de memorando de entendimento com Sindicatos, que pode ter ajustes mas que deve ser cumprida. Abandonem a exigência, amuada e de barricada, de a suspender como condição prévia para negociar.

- Não manchem a vossa dignidade reclamando uma avaliação sem efeitos na carreira. Abandonem a exigência absurda de nela serem eliminadas as categorias.

Exprimo também o desejo de que a Comunicação Social e os partidos estudem melhor estes assuntos, que bem o merecem, e falem dele de modo crítico mas concreto e profundo, em vez de se limitarem a jogos e banalidades e rábulas como “quem não recua é inflexível”, “quem recua mostra que é frágil”, “a ministra tem ou não condições políticas para se manter”, “o simplex é só simplex de aspectos burocráticos superficiais”, “as simplificações são tais que o modelo mostrou não ser exequível”, “o PS arrisca-se a perder a maioria”.

Desculpem-me ainda este desabafo, que se relaciona com o exposto: não tenho filiação partidária; não votei PS nas últimas eleições, mas votarei nas próximas.




Comentários

Carlos Jorge, em 2009-06-08 às 22:29, disse:
E se apenas comentássemos o artigo e não os comentários dos outros comentaristas? faria muito mais sentido.

António Gonçalves, em 2009-04-06 às 13:46, disse:
Depois de todos estes meses sobre o clamado "Modelo de Avaliação" que iria salvar a dignidade de todos os agentes educativos, incluindo a educação em Portugal... afinal, a montanha pariu um rato... daqueles magrinhos... porque efectivamente, o ME apenas introduziu um tecto salarial... ah!, esquecia de acrescentar: os professores melhoraram a sua avaliação, passaram de "Satisfaz" sem fazerem nada por isso, para "Bom" sem fazerem rigororamente nada por isso. Bom, a bem da verdade, entregam uma lista de objectivos e um relatório final para ninguém ler!

Aqueles professores, poucos, muito poucos, que todos conhecem, pais, encarregados de educação, alunos e professores, que não têm, nem vocação nem a motivação para dinamizar aprendizagens, esses continuam no sistema: nem este nem o outro sistema de avaliação os detecta! Mas "todos" sabemos quem são e onde leccionam, quase todas as escolas têm dois ou três! O que dá uma percentagem pouco inferior a 0,5% do grupo docente de uma escola.


Miguel A. Reis (Investigador), em 2009-03-23 às 11:28, disse:
Dado que esta notícia continua a receber comentários, e dado o teor do mais recente, não resito efectivamente em mais uma vez referir a minha posição, até mesmo porque o facto de continuarem a aparecer comentários revela a importância do tema para a sociedade e a ciência portuguesas.

O comentário de Carlos Jorge, dá efectivamente razão quase total a António Lopes quando diz que este não é o local para se estar a referir se se votou ou não no PS. Acontece que a Avaliação de Professores tal como foi apresentada e defendida por este governo, transmite a ideia de que é um "Acto de Regime" e uma peça fundamental para a evolução da sociedade portuguesa, contra a qual está uma classe resistente a mudar ou a perder regalias.
Nada é mais falso. Para ser curto e directo, o único comentário próprio é que esta Avaliação de Professores, tal como está delineada (e o mesmo é válido para todo o SIADAP em que se fundamenta), é um puro disparate que não serve a ninguém, excepto para criar conflito e destruição de estruturas.

Quem já passou por muitas avaliações a sério (como é o caso de Investigadores e Professores Doutorados ) sabe por experiência própria o que é uma avaliação exigente onde muitos são os que não conseguem chegar sequer à prova final (por muitas razões, e nem sempre por falta de capacidade ou falta de competência). No caso dos Professores do Secundário e Básico, quem não percebe que eles são avaliados todos os dias pelos alunos na sala de aula?
Criar outro tipo de avaliação séria e consequente, exige respeito pelos avaliados e objectivos para avaliação. Como é que a actual discussão entre duas partes que já não se ouvem uma à outra, pode alguma vez contribuir para a melhoria do Ensino, da Escola e para o Enriquecimento Ciéntífico e Cultural Nacional?
A imposição pela saturação é uma técnica muito usada por quem não tem razão.
A não aceitação de que as bases do que se defende podem ser completamente falsas, tem como expoente histórico máximo a Santa Inquisição.
Será que a ciência e a cultura e a evolução da sociedade humana deve algo à Santa Inquisição ?
Façamos todos uso do método Cartesiano da dúvida metódica, e talvez assim se chegue alguma vez a bom porto, de outro modo, dificilmente se conseguirá outra coisa que não discussão e perda de horas de trabalho, com custos para o Estado que ninguém se dá ao trabalho de contabilizar.


Carlos Jorge, em 2009-03-21 às 11:50, disse:
O meu comentário é para expressar a minha concordância total com o autor, como já o tenho feito junto de familiares, amigos e colegas, à excepção de que nas últimas eleições votei PS, mas que não o voltarei a fazer, aliás penso mesmo nunca mais voltar a votar, pois não temos políticos com P maiúsculo, são todos a mesma coisa, mesmo os que não estão nem nunca estiveram no poder. Em tempo de campanha eleitoral prometem umas coisas, mas quando estão no poleiro, esquecem-se do que prometeram e agem totalmente contrariamente ao que prometeram. São uma farsa, até quando aconselham diálogo mais não fazem do que ser eleitoralistas, pois o que os move é o arrebanhar de mais votos, para se manterem no poder. Peço desculpa do desabafo.

Sílvia C., em 2009-02-10 às 11:12, disse:
Bom dia

Gostaria aqui de expressar a minha opinião.
Os professores primários e secundários são muito importantes.
Fiquei chocada quando aqui hà uns tempos foi feita uma reportagem na TV a alunos acabados de entrar no ensino superior, os quais não sabiam responder à pergunta "Quanto é cinco ao quadrado?"
Como é possível construir um Pais onde quem entra no ensino superior, não sabe responder a uma pergunta que se aprende durante o ensino secundário ? Se pensarmos bem é a base de um raciocinio lógico e coerente, ou não ?
Que médicos, engenheiros, técnicos estamos a formar hoje ?
Alguém se sente seguro com um engenheiro que projecte um edifício sem saber quanto é que é "cinco ao quadrado"? Eu não me sinto e muito menos com um profissional de saúde ou um operador de uma máquina qualquer, ou mesmo um agricultor.
Penso que tal como na formação profissional, que é para vários públicos (jovens e adultos) também devia existir uma certificação ( no caso dos formadores é o CAP) para os formadores/professores do ensino Português.
Devem existir actualizações pedagógicas ao longo da vida de um professor e não apenas um "curso superior" ou a experiência adquirida.
Outra questão que penso que é importante é a aferição de quem ensina, não pelos resultados imediatos ( vulgo números) mas pelos alunos e colegas de trabalho.
É inadmissível que um mau profissional/professor se mantenha anos a fio a "desformar" os alunos sem ser retirado do sistema de ensino. É uma injustiça para os bons profissionais e esses também não os deviam tolerar.
No ensino privado, um mau profissional não se aguenta muito tempo no mesmo local.
Porque é que no ensino público havemos de tolerar tal?
O sistema de ensino está desactualizado e necessita de ser restruturado, da base para o topo.
Começa logo quando o bebé nasce.Hoje em dia só existem jardins infantis subsidiados pelo estado ( para crianças a partir dos 3 anos).
As "creches" ( dos 3 meses aos 3 anos) são privadas.Para pais que trabalham, não há grande alternativa, se não existir a rede social de apoio( familia, como sejam os avós por exemplo).
Começamos logo desactualizados, pois a sociedade não é a mesma de hà 50 anos ou mais.
Que sociedade e indivíduos estamos a gerar ? Claro, que desta forma, nada poderá funcionar bem.
Eu até penso que para o Pais que temos ( onde somos apenas a mesma população que a Bélgica ecom o PIB que sabemos) até estamos a funcionar razoavelmente bem por enquanto, senão comparemos as evidências sociais de bem estar.
Lembram-se do que hà pouco tempo sucedeu naquela creche na Bélgica, onde um homem entra e mata crianças e adultos?
Contudo, sei que se não tomarmos atitudes agora, daqui por 50 anos estamos como a Bélgica e isso é o que me assusta, pois o tempo não pára e apesar de sermos de brandos costumes o facto é que sem uma boa formação e educação, não existe sociedade com saúde possivel.
Fiquem Bem
S.


António Lopes, em 2009-02-04 às 17:58, disse:
Boa tarde,

caros comentadores: não sou professor, nem catedrático de nada, nem aqui me apresento com o título académico à frente do meu nome. Sou, tão simplesmente, mais um CIDADÃO deste País e nem a minha licenciatura, pós-graduação ou mestrado são para aqui chamados, até porque acho que esse é, precisamente, um dos grandes males da nossa sociedade - há demasiadas pessoas preocupadas com o "Dr." e com o "Professor Dr.", coisa que é normalmente característica de País subdesenvolvido. Acrescento apenas mais uma coisa à minha condição de Cidadão português - sou Pai e tenho duas filhas no sistema de Ensino, uma no Básico e outra no Secundário. O meu anterior comentário quis apenas focar a atenção para a razão de ser deste site que, no meu modesto entender, é bem clara e está expressa logo no topo superior esquerdo - "Ciência Hoje - Ciência, Tecnologia e Empreendedorismo". Não será a "livre discussão" de outros assuntos que me faz qualquer tipo de engulho, mas acho revelador que o facto de eu ter apenas dado uma opinião que não entra no "politicamente correcto" da nossa actualidade tenha gerado um aparente "desagrado" de ilustres senhores professores que posteriormente opinaram. O que tem a ver com "Ciência, hoje", a opinião de cada qual sobre o Governo, ou sobre o partido em que votou ou vai deixar de votar ou a visão parcial das reformas na Educação? Creio que pouco ou nada, daí o meu desabafo sobre o eventual aproveitamento de um espaço para discussão de temáticas relativas à Ciência e à Educação (pedagogia, saberes, Cultura, percursos, etc) se transformar em mero "placard sindical". Aquilo que para uns é "destruição" para outros será "reforma", não o esqueçamos - e não acredito que aqui alguém queira defender uma "opinião única" seja sobre que temática for, quer por ser comportamento anti-científico, quer por, no extremo, ser sinal de intolerância, o que ainda seria pior. Fico-me por aqui, esperando ter clarificado o meu anterior comentário e desejando que alguma "azia" involuntária que o mesmo possa ter causado, se dilua nas águas da mútua aceitação de opções, ideias e visões da Vida e do Mundo. Obrigado.


Alexandre Lima (Professor Auxiliar), em 2009-01-27 às 00:12, disse:
Vou ao CienciaHoje quase todos os dias ler pelo menos uma notícia, pois as acho na generalidade de qualidade, e tenho aprendido muito com isso! Mas tenho que confessar que fiquei chocado com o comentário que julgo ser de quem fez a opinião! Li os textos dos comentários outra vez, e não encontrei motivos para tanta agressividade e tanta prepotência! Não destoa no entanto de quem apoia na sua opinião! Quero aqui dizer que tenho a certeza que os JOVENS nunca ficarão negativamente impressionados com a livre troca de opiniões que li, sinal de uma Democracia salutar!

Miguel A. Reis (Investigador), em 2009-01-26 às 23:58, disse:
São 22h42, estou a trabalhar, mas não resisto a parar um pouco para elogiar o CiênciaHoje que realmente se está a transformar num palco importante de ligação entre o cidadão normal e o mundo da ciência e da instrução. Um palco onde se apresentam notícias, comentários e alguma troca de impressões que só pode conduzir ao esclarecimento. Sendo um palco livre para comentários pertinentes, ele demonstra pela positiva como a voz de todos pode ser ouvida sem atropelos e com respeito por todas as opiniões. Esse é o valor maior a transmitir ao jovens, aos jovens em espírito, aos velhos, aos velhos em espírito, a todos na realidade. Esse é o espírito que torna este palco do CiênciaHoje tão rico e tão importante no contexto nacional. A ciência é em última instância a busca da verdade que ninguém detém, seja em que campo for. A lógica, a fundamentação e a argumentação positiva, são os grandes valores da ciência que, sendo um espaço livre o CiênciaHoje está a ajudar a divulgar como talvez mais nenhum outro palco, hoje em dia. O problema das EBS, como qualquer outro, só terá a ganhar ao ser discutido num contexto de método científico. Mesmo que alguns pensem que isso é sindicalismo, não é, é a sociedade viva, tal como ela é, rica e potencialmente criadora de melhores dias.

António Lopes, em 2009-01-23 às 11:21, disse:
Acho sinceramente de um péssimo mau gosto a utilização deste espaço para lamúrias de alguns professores. Acho que tudo tem o seu espaço e o seu lugar e este não será, certamente, nem Muro de Lamentações nem placard sindical. Seria bom que as pessoas reflectissem sobre determinadas atitudes e sobre o exemplo que estão a dar em público, sobretudo aos mais jovens. Porque os jovens estão aqui com a alma cheia de esperança, de sonhos, com vontade de vencer, despertos para a Ciência, curiosos do Mundo, dialogantes, entusiastas - não precisam de "Velhos do Restelo" agarrados ao passado, resistentes à Mudança, temerosos da avaliação do seu trabalho, couraçados na intransigência. E se não for por outro motivo, pelo menos respeitem os nossos JOVENS, aqueles que aqui vêm, que estão a concorrer e a trabalhar dando o seu melhor e que não merecem que se faça deste lugar mais uma "praça pública" de lamúria ou de mau sindicalismo. Cumprimentos.

Miguel A. Reis (Investigador), em 2009-01-20 às 11:09, disse:
O CiênciaHoje é cada vez mais um palco importante na divulgação nacional de actividades e problemáticas de ciência ou outras que lhe estão muito próximas, como é o caso das EBS. O comentário de L.Vaz realça pela sua própria existência o problema fundamental das EBS, ou mesmo do país, a falta de rigor, que pode mesmo ter raízes numa deficiente cultura científica nacional. Efectivamente, é frequente ver-se muitas pessoas a tomar partido sem realizar uma análise cuidada dos argumentos. Um efeito que é muito usado em manipulação de massas, pois muitos são infelizmente os que assumem que uma afirmação falsa, errada ou mentirosa, dita muitas vezes, ganha características de verdade. L.Vaz comenta o meu texto anterior sem o ter lido devidamente, ou então sem o ter compreendido. Repito aqui o fundamental do comentário para que se possa entender. Qualquer carreira bem organizada tem necessáriamente de ter uma escala de capacidades profissionais e uma escala de remunerações. Mesmo que todos os profissionais dessa carreira tenham capacidades para aceder ao topo, só lá chegam os melhores pois o número de lugares para remuneração de topo (ou cargos correspondentes) só tem de ser diminuto. Qualquer avaliação deverá incidir sobre as capacidade do profissional, não deverá nunca destinar-se ao acesso a cargos. Isto não quer dizer que a avaliação não deve ser usada para escolher quem deverá aceder aos cargos, só significa que qualquer avaliação boa tem de ser quantitativa e permitir ordenar os profissionais de modo a ser possível escolher os melhores para os cargos de topo (Se todos obtiverem notas entre 18 e 20, numa escala de 0 a 20, serão todos muito bons, mas continuam a poder ser ordenados). O que está a ser feito actualmente, misturando avaliação com acesso a cargos é, em bom português, um disparate, pois quem merece um 19 deve ser classificado com 19 e não com 14 porque já muitos foram classificados com 19.
Espero que com este esclarecimento, L.Vaz e outros que não tenham entendido o meu comentário o entendam agora, ou seja avaliar não é o mesmo que colocar pessoas em cargos, misturar as duas coisas é apenas incompetência ou falta total de vontade para avaliar honestamente ou para escolher honestamente as pessoas mais competentes para os cargos de topo.


L.Vaz, em 2009-01-13 às 23:02, disse:
Miguel A.Reis(Investigador)
Bonito comentario," todos os professores bons"
para lugares superiores, escolhidos,mas para ganhar o carcanhol, sem escolha,TODOS BONS!!!


Alexandre Lima (Professor Auxiliar), em 2009-01-09 às 11:54, disse:
Vou ao fundamental da sua opinião! Votei PS pela pimeira vez nas últimas Legislativas, e não votarei PS nas próximas por uma razão fundamental: este Governo PS pôs pela primeira vez em real perigo, a Escola Pública que me permitiu fazer a Primária, a Secundária, o Superior e chegar ao Doutoramento com esforço mental, mas sem necessidade de os meus pais serem da classe Alta. Quero que o meu filho tenha direito ao mesmo tratamento, e vou lutar por isso! Não é atacando a Escola Pública na sua generalidade, pondo quase na totalidade os Professores de rastos, que se vai conseguir o seu melhoramento! É uma falsa questão! Quem vai recuperar a depressão que se instalou no Ensino Público Secundário? Quem o provocou? Vamos premiar quem não teve habilidade para fazer reformas? Eu preocupo-me com o futuro do meu país, e não o quero ver entregue a pessoas que consideram que a grande maioria dos Professores, são maus Professores!

Miguel A. Reis (Investigador), em 2009-01-07 às 17:47, disse:
Neste tema reconheço que muito já foi dito, mas há um pequeno comentário que até hoje não ouvi e que acho da maior importância. O autor do texto escreve: "No SIADAP há quotas de classificação — e bem. Em todas as carreiras profissionais há categorias a que se acede com base em avaliação de mérito — e bem." Será que faz sentido ligar uma coisa à outra? Então os "soldados não podem ser todos excelentes" sem chegarem a General? Será que não há uma grande diferença entre ser Muito Bom ou Excelente no que se faz, e estar colocado no topo da carreira? Há, e esse é o problema. Quotas na avaliação é um disparate e não há outra palavra para o classificar. Uma classificação justa é dada sem limite de número de vezes que se dá. Quem me dera que todos os funcionários da administração pública, professores ou não, fossem excelentes, seria óptimo. Quanto ao número de vagas nos lugares de chefia aí a conversa é outra, devem existir quotas e apertadas. A escolha de quem acede é muito simples e usado em muito lado há muito tempo, só é necessário existir uma avaliação quantitativa (de preferência correcta, isenta, independente e universal), a partir daqui basta ordenar os candidatos (possivelmente muitos) a cada lugar (possivelmente poucos) com base no valor dessa avaliação e acederá ao lugar o melhor ou os melhores classificados. É simple, é, mas muitos sabem quão difícil é aplicar o que é simples, sendo que as razões dessa dificuldade são na maioria das vezes tudo menos simples, ou lineares......

António Gonçalves, em 2008-11-27 às 12:36, disse:
Obrigado pela sua opinião e pelo interesse. Sou professor de FQ de uma escola básica trabalho para os meus alunos, dinamizo, proporciono, facilito a aprendizagem todos os dias.

Contesto, há muito, o sistema de avaliação porque eu desconheço os aspectos positivos e negativos do meu desempenho: prefiro o sistema de avaliação que existe no Ensino Universitário, embora seja deficiente no aspecto pedagógico.

Aliás, o sistema de avaliação anterior poderia ter sido melhorado em muitos aspectos: a sua aplicação é que nunca foi avaliada nem fiscalizada.

Este ME, no início, mexeu onde devia e eu apoiava, falavam na aplicação de uma avaliação, concordo! Agora, na forma como querem a avaliação, não concordo, não vão conseguir aplicar, porque não é possível!

Este ME, como os anteriores, enviam "coisas" para as escolas e depois diz "façam!", sem discutir, sem ouvir quem está no terreno: somos todos uns jumentos!? Um exemplo é a disciplina de Formação Cívica, a Área de Projecto, ... para além de proporcionar a aprendizagem, o que mais tem de um professor dinamizar?

As outras "coisas" que enviam para as escolas: já recebemos material de laboratório (que não pedimos) dos anos 60! Recebemos computadores e quadro interactivos, sem termos ligação à internet na sala de aula, nem formação, quando o que precisamos é de salas com a temperatura adequada, com mesas adaptadas, com video projector fixo (sem ter que o andar a transportar), quadros brancos com dimensões adequadas, salas específicas de laboratório!

Outras notas:

1. Quero ser avaliado por quem sabe: como foram avaliados os professores que são agora titulares? Que formação têm na avaliação de professores?

2. Os critérios de avaliação não são iguais em duas escolas: quer dizer que eu posso concorrer com excelente (3 pontos) e um colega noutra escola com Bom (1 ponto) e este pode ser bem mais competente do que eu.

3. O ME tem que definir o que considera um professor excelente, muito bom e bom: avisa as escolas que tem de fazer avaliação e diz façam!

4. Se eu faltar por doença já não posso ter o nível excelente: isso é justo?

5. A avaliação que está definida baseia-se num Modelo formativo, ou seja, entre pares, faz-se uma reflexão sobre o trabalho do professo: concordo! Mas a par disso, tem que haver um modelo de Avaliação Sumativo.

6. A avaliação tem que ser simples e objectiva (o mais possível): se eu quero avaliar tudo o que os meus alunos fazem, deixo de dinamizar aulas!

7. Vou ser avaliado pelas notas dos meus alunos (e pelo abandono escolar): isso exige uma análise estatística que eu não vislumbro quem a saiba fazer (com rigor cientifico) numa escola, ou então, passamos a dar positivas a todos!

8. Por mim, o que tenho analisado é a avaliação que os meus alunos fazem do meu trabalho, e ouço o que os encarregados de educação e os meus pares têm a dizer, discuto individualmente a avaliação do aluno e dedico-me a eles, no fim, é o que importa, estimular o trabalho deles e motivá-los para o conhecimento. O ME bem pode querer isto ou aquilo, mas se não ouvir não faz, e neste caso não vai conseguir.


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