Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010 ![]() |
A violência está de volta a Maputo
- Incidentes voltaram esta manhã a Maputo com carga policial sobre os populares. Pelas ruas da cidade o dispositivo policial é enorme. Pilhagens e pneus queimados pintam o cenário da capital
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Arte de olhos postos na ciênciaJoana Ricou e Pedro Pinto da Silva, cientistas de formação, dão novas perspectivas aos objectos científicos. Bioarte em destaque no VI encontro do FIIP2008-12-21 Por Marta F. Reis (texto e fotos)
Pedro Pinto da Silva trabalhou nos Estados Unidos durante 30 anos. Ajudou a desenhar conceitos fundamentais da arquitectura molecular de membranas e trabalhou uma década no Centro Nacional de Investigação do Cancro. São dele as formigas rabiscadas na tela, no traço simples que mais tarde, numa troca de cartões de visita, diria poderem ser fotocopiadas, pintadas por cima, "são só o início". A obra ali em duas telas chama-se a "Hagiographia das Formigas" e está assinada por Pedro Pizarro, alter-ego descrito no abstract como "uma das pessoas que habitam o colectivo do meu ser, entre outras que também pintaram". Assim começa a concepção artística, mas onde leva? "Estes trabalhos são de Pedro Pizarro que nasce em 2450, ou à volta disso, e manda para a terra postais ilustrados sobre as formigas, um ente mítico que ganhou ao homem. Este Pedro Pizarro está a fazer quadros para o Museu das Formigas que representam fases da epopeia vencedora da espécie. É todo um estratagema para eu veicular o que penso da própria pintura, da interacção que tem de haver entre o observador e a obra que se autonomiza, é um diálogo psicológico", diz o investigador defensor de uma ciência isenta de ideologias mas assertiva.
Do outro lado do placard estão as três telas "abstractas" de Joana Ricou. Se Pedro Pinto da Silva constrói ficções científicas, a jovem investigadora formada em biologia do desenvolvimento e neurobiologia contempla o objecto científico para ilustrar a sua profundidade. Informar vs. evocar "Quando estava a estudar encontrava constantemente imagens líndissimas ao microscópio e ficava fascinada com a profundidade dos conceitos. O primeiro conceito com que trabalhei foi a aprendizagem; tínhamos estudado o momento em que o cérebro jovem perde a plasticidade inicial e se torna o cérebro adulto, com uma maior dificuldade em adicionar novos conhecimentos. Quis traduzir a ideia em imagens. Quando comecei a pintar percebi que a diferença era entre informar e evocar. Quando pinto evoco uma resposta muito mais visceral e primária a conceitos a que normalmente damos uma resposta muito analítica", explica enquanto passa os olhos pelos quadros, um verde vivo, outro laranja, outro azul.
Podem ter abordagens diferentes mas fazem-no em respeito da ciência. Para Pedro Pinto da Silva a questão é de fundo, para Joana Ricou de mudança. "A arte é uma continuação da ciência. Eu acho que a pessoa tem de ter curiosidade. Um ser sem curiosidade é um ser morto. O amor ao novo, ao que não se sabe, é primordial. O cientista tem acima de tudo de ver o que é a tradição científica, usar o passado - Não foi Sartre que mudou o mundo. Tem de ser mais assertivo, não agressivo mas assertivo para marcar", defende o investigador. "As coisas não podem ser cientifizadas como se fosse água benta, até por uma questao de respeito para com o passado". Se o objectivo dos trabalhos do enviado à Terra do futuro Pedro Pizarro seria, ainda que o autor deixe ao cuidado de quem vê a construção de sentido, passar uma do mundo movido a ciência como aventura ávida "sem lugar para medos", Joana Ricou fala de mudança no tratamento e comunicação da ciência. "Acho que cada vez mais a visualização vai ajudar a acrescentar novas abordagens ao conhecimento científico", diz a autora para já de uma capa do Journal of Neuroscience. Mudam-se os tempos, muda-se a perspectiva. Comentários |
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