Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010 ![]() |
A violência está de volta a Maputo
- Incidentes voltaram esta manhã a Maputo com carga policial sobre os populares. Pelas ruas da cidade o dispositivo policial é enorme. Pilhagens e pneus queimados pintam o cenário da capital
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Ilustração Científica: Arte e ciência de mãos dadasEntrevista com o desenhador e biólogo Pedro Salgado2009-01-06 Por Filinto Melo
* Imagens cedidas por Pedro Salgado. Clique nelas para as ampliar. Ciência Hoje - Como decidiu partir para o desenho científico, havia alguma relação com o seu trabalho, foi antes de decidir o curso ou depois? Pedro Salgado - Eu gostava muito de desenhar em miúdo, mas quando chegou a altura de decidir os meus estudos, optei pela Biologia, em especial a Biologia marinha – lembro-me que sempre tive uma paixão pelos peixes. Formei-me em Biologia e fiz investigação científica durante quatro anos, mas o desenho nunca foi abandonado e, pouco depois de uma crise vocacional, decidi juntar ciência e arte e fui estudar ilustração científica para os EUA. CH - Como foi essa experiência? P.S. - A experiencia nos EUA foi fantástica. Aprendi muito com grandes profissionais, conheci gente incrível, trabalhámos a um ritmo elevado e bem dirigido para o profissionalismo. CH - A melhoria das condições de trabalho na área da ciência em Portugal também se nota no caso do desenho científico? Estou-me a lembrar dos vários programas e projectos entretanto criados (centros Ciência Viva, património natural, parques naturais, etc)? P.S. - Quando voltei para Portugal, a ilustração científica era pouco mais que uma curiosidade, quase novidade, mas pouco a pouco foi fazendo sentido para diversos interlocutores, como os que refere, como forma de expressão artística vocacionada para comunicar ciência. As ilustrações criadas por artistas sem conhecimentos científicos são, muitas vezes, incorrectas ou imprecisas para o efeito, e também é necessário maior esforço de comunicação entre cientista e artista. Nesse aspecto, há mais informação e mais opções, consoante os projectos. Tem havido melhorias.
P.S. - Os calendários com os peixes do Tejo para a Expo’98 foi um dos projectos mais gratos que fiz até hoje. No essencial, escolhi doze espécies de peixes existentes no estuário da cidade de Lisboa como se se tratasse de mostrar outros “habitantes de Lisboa”, escrevi uns pequenos textos sobre a biologia de cada um deles e dediquei cerca de um ano, a tempo inteiro, a fazer os doze desenhos. São ilustrações a tinta da china, muito rigorosas, na tradição das sofisticadas gravuras do século XIX. Seis destas ilustrações ictiológicas (de peixes) foram premiadas em exposições internacionais. Comecei a fazer as ilustrações para Oceanário dois anos antes da inauguração EXPO’98), colaboração que se mantém até ao presente. Estas foram concebidas para os painéis de identificação dos peixes, que se encontram ao lado dos tanques. Foram realizadas em aguarela, são menos complexas, mais naturais e com outros objectivos. CH - Desde a Expo que os locais onde que celebram a ciência natural, e sobretudo a marítima, tem surgido pelo país (do Minho ao Algarve, passando pelo Fluviário ou pela Aguda). São possíveis clientes de uma actividade que parece ter pouco mais do que um nicho num país pequeno? P.S. - Os locais onde se celebra a ciência natural serão sempre potenciais clientes, mas não necessariamente os únicos. Podemos, por exemplo, trabalhar para um centro de investigação produzindo imagens numa linguagem muito especializada ou criar ilustrações para educação ambiental, desde a sinalética aos painéis de interpretação. Também para o mercado editorial, ou mesmo produzir ilustrações que se afastam da ciência, por opção ou necessidade. Na prática, um ilustrador científico dispõe de um considerável domínio de técnicas de ilustração (tradicionais e digitais), o que lhe permite uma boa capacidade de adaptação a outros projectos de ilustração. P.S. - Sim, há ainda bastante desconhecimento e também falta de fundos. Esperemos que ambos os problemas se possam ir resolvendo, com algum optimismo e atitude positiva. Quanto ao marketing, porque não?
P.S. - Em Portugal, temos pouco mais de uma dúzia de profissionais da ilustração científica, na generalidade de nível internacional. Também temos outros profissionais de diferentes áreas, com formação em ilustração científica que realizam projectos, ocasionalmente. E, como em outras profissões, temos ilustradores portugueses a trabalhar para o mercado nacional e também para o mercado internacional.
Desenho do Big Fish feito entre Lisboa, Washington e Escócia CH - Como surgiu essa oportunidade? P.S. - O “big fish” – um peixe de mais de 20 metros, o maior que alguma vez existiu, extinto há 160 milhões de anos – foi o protagonista de um artigo da NGM, para o qual foi necessário fazer uma ilustração original. Só havia duas ou três representações, já desactualizadas. Contactaram-me porque tiveram conhecimento do meu trabalho com desenhos de peixes, sobretudo para o Oceanário (que foi construído por americanos, com quem trabalhei antes). P.S. - Por e-mail. Do lado do editor recebia instruções em termos de formato, composição e direcção de arte. Da parte do especialista recebia referências, descrições, esboços do peixe e acompanhamento nos estudos de morfologia para salvaguardar o rigor científico dos meus desenhos. Tinha de chegar a uma ilustração interessante para o editor e correcta para o ictiopaleontólogo. Um compromisso. P.S. - Projecto de trabalho de campo, ou "fieldsketching", ou desenho naturalista, ou esboços no campo... Enfim, o nome não é o mais importante, interessa mais a prática, que para mim começou em 1988 quando era estudante de ilustração científica na Universidade da Califórnia, Santa Cruz. Trata-se da prática de desenho de animais, plantas e paisagem realizado no campo, em ambientes não humanizados, geralmente em parques naturais ou áreas protegidas. Leva-se um caderno de campo, diversos materiais de desenho (lápis, lápis de cor, canetas, aguarelas...), uma pequena mochila com água, comida, máquina fotográfica e binóculos, e roupa e calçado adequado. Durante umas horas, ou uns dias, passeia-se por espaços naturais com os sentidos bem despertos, parando para desenhar o que mais nos chama a atenção. São desenhos feitos em cima do joelho, por vezes durante dez ou quinze minutos, outras vezes durante duas ou três horas. Em Dezembro de 2000, fiz uma expedição à Amazónia com um grupo de 20 pessoas (quase todos americanos), em que o objectivo principal foi desenhar. E o resultado foi muito interessante. Nos últimos anos tenho feito bastantes saídas de campo com os meus alunos, e surgiu naturalmente a ideia de trabalharmos em grupo num mesmo ambiente, tendo como resultado uma visão simultânea dos mesmos motivos, expressos em diferentes cadernos de campo, ou seja com abordagens e estilos diferentes. Há dois anos reuni um excelente grupo de ilustradores, quase todos ex-alunos, de diversas formações de base (biologia, geologia, design, escultura), e organizámos a primeira expedição às Berlengas - primeira de uma série que pretendemos fazer nos próximos anos. Ao longo de uma semana foi desenhar de manhã à noite. Seis ilustradores, produzimos mais de duas centenas de desenhos posteriormente transformados numa exposição que tem sido montada em vários pontos do país, fazendo promoção daquele espaço natural, as Berlengas, numa visão artística com vocação de sensibilização e educação ambiental. P.S. - Na FNAC Se Santa Catarina, no Porto, dividi a apresentação em duas partes: a primeira com generalidades sobre ilustração científica (origens, aplicações, técnicas e estilos mais utilizados, etc.) acompanhadas de imagens comentadas; a segunda parte foi dedicada ao "fieldsketching" ("esboços de campo") e os "cadernos de campo", ou "sketchbook". Os resultados são diferentes da ilustração científica e também os objectivos e a atitude perante o desenho. A primeira expedição foi às Ilhas Berlengas, vai fazer dois anos, e mostrei um filme desta parte do trabalho a encerrar a sessão. A respectiva exposição já correu o país de Aveiro a Faro, e o livro será editado em breve pela Assírio & Alvim (o primeiro de uma série dedicado aos cadernos de viagem ilustrados, numa perspectiva naturalista). O livro, segundo o editor, será só para ofertas. Será lançado, em princípio, no primeiro trimestre de 2009. ComentáriosCristina Siqueira, em 2010-06-26 às 03:23, disse:Pedro Parabéns pelo seu trabalho ... e concordo contigo ...o ilustrador científico deve entender muito de ciência e arte. Abrçs Cristina Midith Galvão, em 2010-06-02 às 20:33, disse: Ainda se lembra de mim? Foi um dos "meus meninos bonitos" na Fulbright há uns anitos... Um beijo especial Manuel Silva e Sousa, em 2009-11-02 às 10:17, disse: Pedro, Quero em primeiro lugar dar-lhe os parabens pelo excelente trabalho.Foi durante uma viagem para S.Paulo ( hoje) que li um artigo de jornal sobre desenho cientifico , e vi pela primeira vez as suas maravilhosas obras de arte. Habitualmente expoem os seus trabalhos? Uma vez mais , muitos parabens. norberto santos, em 2009-09-16 às 17:19, disse: ola chamo me norberto santos,vivo nos açores.tive vendo algumas obras e gostei muito.o objectivo deste meu comentário,nem é propriamente dar uma aprecição mas sim procurar ajuda.ando á procura de alguem que me desse a oportunidade de fazer uma vida ligada a desenho científico,visto que tenho potêncial em desenho.sai da escola com 2disciplinas do secundário por fazer,devido a separçôes dos meus pais e financieras.tenho 22anos e o tempo vai passando por mim sem que eu possa ter alguem ou alguma ajuda ou orientação para que seje alguem.a vontade ta..só que n sei o que fazer :"((((((( se alguem me quiser ajudar,aqui fica o meu contacto.tel.914637480.email: jevel_santos@hotmail.com. 1 abraço* manuel bessa, em 2009-08-26 às 20:39, disse: Não o conheço pessoalmente mas como gráfico já conhecia o seu trabalho há longos anos, pois trabalhámos para o projecto Expo 98, há poucos dias tive o prazer de produzir um autocarro para um cliente nosso que é a Rodoviária do Tejo, onde se reproduziu vários trablhos seus e que ficou bastante bonito. Parabéns.Saúde. manuel bessa Rodrigo Saraiva, em 2009-08-11 às 12:44, disse: tive a oportunidade de fazer um curso com o Pedro, excelente professor. Regina, em 2009-05-28 às 23:53, disse: Parabéns Pedro pela excelência do teu trabalho e pela dinâmica que tens criado entre os ilustradores da área da ilustração científica. |
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