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Quinta-feira, 29 de Julho de 2010 ![]() |
Finalmente o Museu do Côa
- O Museu do Côa vai ser inaugurado na próxima sexta feira, pela ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, concluindo um projecto há muito aguardado
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Cidades europeias com transportes alternativosBicicletas e automóveis partilhados já circulam2009-02-07 Por Marlene Moura
O antigo presidente da câmara de Londres já tinha anunciado que os londrinos também terão acesso ao sistema a partir de 2010. Paris e Lisboa já seguem com o automóvel partilhado este ano. Face ao autêntico dislate nos preços dos combustíveis, diferentes cidades europeias têm optado por transportes alternativos e Portugal não é excepção. Para aguentar e racionalizar consumos, pega-se numa bicicleta numa estação e deixa-se noutra mais perto do destino: esta é uma medida que os parisienses já adoptaram desde 15 de Julho de 2007. Em Portugal, os aveirenses já se tinham adiantado com a BUGA (Bicicleta de Utilização Gratuita de Aveiro) em 2001 e a cidade foi até comparada com Amesterdão – onde mais de 400 mil veículos a pedais circulam pelas principais ruas da cidade. Para levantá-las basta inserir uma moeda na ranhura e pode-se andar o tempo que se quiser. No final, devolve-se ao posto e ao introduzir o cadeado recupera-se o dinheiro, como no carrinho de compras. Existem 30 parques BUGA espalhados pela cidade. Agora, em Braga, também se decidiu optar por este meio de transporte (o nome dado é BUTE) e os principais adeptos são alunos e professores da Universidade do Minho. «Provos» e bicicletas brancas Em Amesterdão, a iniciativa começou com o grupo «Provos». Este movimento de contra-cultura foi iniciado por Robert Grootveld, por volta de Maio de 1966. Tinha um pai anarquista e cresceu a ouvir os seus ideais e, já adulto, fazia apresentações com fogo e discursos de rua. Grootveld, considerado uma as pessoas mais exóticas da cidade, fumava desde adolescente e quando em adulto sofreu as consequências do seu vício, com graves infecções no pulmão, iniciou uma campanha antitabagista na cidade, colocando um “K” (de Kanker em neerlandês, Cancro em português) em todos os cartazes de cigarros, foi preso inúmeras vezes mas sempre solto. Durante mais um ataque à indústria do cigarro, fundou a Igreja do «Kof-kof», onde os fiéis cantavam hinos como o interminável “kof-kof-kof-kof-kof-kof” (som produzido pelos fumadores). Os «Provos» criaram um pequeno jornal – o «Zine Provos» –, que tinha como objectivo explicar as intervenções urbanas e promoverem os seus ideais.
Depois deste plano ter dado certo, outros foram criados como: o das chaminés brancas (poluição), o das mulheres brancas (respeito pelas mulheres), bicicletas brancas (poluição dos carros) e outros. O termo branco não significava racismo, mas sim, a extinção da poluição visual, auditiva e florestal que aumentava com o crescimento da cidade. Preços abusivos A moda está a pegar e é uma das alternativas encontradas para fugir à escalada dos preços praticados pelas gasolineiras. Embora, viessem a diminuir no final de 2008, este ano já regressaram com algumas subidas. Recorde-se que o litro da gasolina 95 octanas chegou a custar 1,49 euros e a sem chumbo 98, 1,63 euros, já o gasóleo chegou aos 1,42 euros (com um aumento de 4 cêntimos em dias) para grande aflição dos portugueses, em 2008. A Galp e a Repsol chegaram a ter o 21º acréscimo consecutivo. Apesar da medida ser reclama por diversos sectores, o executivo de Sócrates afastou por diversas vezes uma descida do imposto cobrado sobre produtos petrolíferos. Segundo o presidente da Autoridade da Concorrência (AdC), Manuel Sebastião, "os preços dos combustíveis, em Portugal, demoram cerca de um mês a reflectir as variações nas cotações do petróleo no mercado IPE londrino, onde é negociado o Brent, petróleo de referência para as importações nacionais". Associativismo O sistema, federado por uma rede de auto-partilha, que existe desde o ano 2000 em diferentes cidades francesas, foi criado por um movimento de cidadãos ecológicos. Funcionava sob forma de associativismo por volta de 2003. Considerou-se inicialmente que a medida dificilmente atrairia adeptos na capital francesa, mas os parisienses não se fizeram de rogados para abandonar o seu carro em detrimento do pedal e Paris conta já com quase 1500 estações de bicicletas que têm 300 metros entre elas. Estas são bastantes pesadas (entre 10 e 15 quilos) e são dotadas de um emissor; levantam-se em qualquer posto e para o efeito é necessário introduzir o cartão de crédito, mas se a ida não for superior a meia hora, a pedalagem é gratuita. A sugestão é mudar de meia em meia hora e não haverá qualquer débito. Já fazem parte da rede de transportes públicos da metrópole e, por isso, também é possível levantá-las com o passe magnético (carte Navigo) e também gratuitamente, se dentro do prazo. Funciona 24 horas por dia e sete dias por semana. Automóvel partilhado
Segundo um estudo, este programa permite substituir entre quatro a dez viaturas particulares. Mas, para ter acesso ao meio transporte, o utente terá primeiro que se registar na Internet. As tarifas dependerão da distância percorrida e do tempo. Este projecto também está para breve em Paris, com o nome de Autolib – para rimar com Vélib. A cidade francesa pioneira será – tal como o foi com a bicicleta de aluguer em 2005 – Lyon, com 70 veículos já previstos para este ano. Este sistema visa apenas os cidadãos que precisem de um carro ocasionalmente uma ou duas vezes por semana – e que não têm a possibilidade de comprar um –, pois já é mais dispendioso. Bertrand Delanöe, presidente da Câmara de Paris, anunciou um objectivo de dois mil veículos para começar. Os inscritos (a partir de 12,60 euros por mês) podem reservar o seu automóvel por Internet ou telefone e podem escolher entre um pequeno citadino, utilitário ou monovolume. Pagam posteriormente à hora e ao quilómetro. As facturas podem ser de dez euros para uma ida e volta ao supermercado, 50 euros para um passeio mais longo ou até 150 e 200 euros para um fim-de-semana. A manutenção e o seguro estão incluídos e são de baixo consumo e de emissão de dióxido de carbono. Mas, ao contrário da bicicleta, o carro terá de ser deixado no local de partida.
Em Londres Do outro lado do Canal da Mancha, o seu anterior homólogo inglês, Ken Livingstone (agora, Boris Johnson, eleito em Maio de 2008) – depois de ter acolhido a volta à França de bicicleta (2007) –, preparou a cidade com o sistema “pedalar pelo ambiente”. Após ter oficializado a decisão, o presidente londrino e a sua equipa já se deslocaram várias vezes a Paris para estudar o fenómeno. Previu a criação de uma estação de 300 em 300 metros, entre o West End e a City, com a circulação de seis mil bicicletas. No entanto, o problema que se põe é o facto de existirem em Londres mais de oito milhões de habitantes (Paris tem 20 mil Vélibs para mais de dois milhões de habitantes intra-muros). Há quem defenda que deveriam ser mais as bicicletas, caso contrário corre-se o risco de haver muita gente impaciente para o “chá das cinco” nas estações. ComentáriosAnónimo, em 2009-02-10 às 16:31, disse:Olá, Pois, hà vinte anos atrás quando os bairros da periferia de Lisboa ainda não existiam, houve planificação centralizada de como se fariam as deslocações para a cidade ou áreas de serviços/industria, para que com os transportes públicos de hoje funcionassem ? Pois, esse parece-me ser o nosso problema. Enquanto "as politicas" de urbanização não forem feitas a pensar nas pessoas e sim no enchimento de locais com betão e mais betão ( veja-se a Zona da Expo que à 10 anos tinha 1/3 das actuais construções que continuam e não param, casino, empresas, e construção...) não vamos ter futuro com os transportes sejam publicos sejam bicicletas e até os carrinhos, que quando a densidade populacional é elevada, só para sairem da rua onde moram demoram cerca de 30 minutos...ou mais ( caso de Massamá, por exemplo e outros suburbios de Lisboa, onde também não foram "pensadas" as "cidades" para as pessoas, mas para vender prédios e mais prédios, e depois logo se vê em relação ao resto). Sílvia C. Lucia, em 2009-02-10 às 15:04, disse: Concordo totalmente com o MG sobre o estado do transito e falta de condições para podermos ser adeptos da bicicleta em Portugal. Talvez daqui a 20 anos consigamos ter algumas cidades mais preparadas para isso Sílvia C., em 2009-02-10 às 11:37, disse: Olá, Concordo com o Diogo. Realmente subir a "Cidade das 7 Colinas" não é pêra doce, mas se tiveres uma bicicleta com mudanças não me parece problemático. Contudo o grande problema das cidades é que os transportes não servem os seus habitantes mas sim os interesses de cada grupo, senão vejamos o caso de Lisboa. Para um pessoa que more em Lisboa periférica, não é comódo deslocar-se dentro da cidade de transportes como de carro. Deslocar-se cerca de 10 km pode significar no minimo que apanhar dois transportes ( autocarro e Metro, por exemplo). Os autocarros, não passam pelas "ruas da caótica" cidade, mas sim por artérias principais e por muito que se goste de andar a pé, se o tempo que se demora no total for superior a ir de carro, é normal que esse seja o meio de transporte optado pela maioria dos habitantes, até porque é mais cómodo ( sempre estamos no nosso espaço, a ouvir música,sentados e confortávies e não no espaço público, onde nem sempre as normas minimas de higiene são cumpridas pelos nossos companheiros de viagem, possivelmente porque começa logo por não existirem casas de banho públicas nos terminais de transporte público). Enquanto as interfaces de ligação não funcionarem bem entre os vários transportes ( quantas vezes chegado o autocarro, ou mesmo o Metro o transporte de ligação está a aprtir e nem dá para o apanhar...) isto não vai lá. Eu também gosto de bicletas e segways, mas enquanto não existirem as condições básicas entre interface de transportes, paraece-me dificil que as pessoas adiram. Sabem que por exemplo, nem todas as estações têm elevadores ou escadas rolantes? Como é que as pessoas que não se podem deslocar podem usar os transportes? Não me digam que porque são uma "minoria" não são relevantes, pois essa é a desculpa para não se fazer nada. Fiquem Bem S. É lógico que só para não ter que subir e descer as escadinhas, estar no autocarro apinhado prefere usar o automóvel, desde que tenha estacionamento para onde se desloca. Diogo Cabral, em 2009-02-09 às 16:37, disse: Discordo do comentário anterior... Essa é a principal desculpa para não se usar bicicleta em Portugal. Estudei 1 ano em Itália e com condições semelhantes às portuguesas a bicicleta era o meu principal meio de transporte. As diferenças eram as seguintes: 1) A cidade era plana. (Gostaria de ter visto o Sr. António Costa a subir a Rua do Alecrim de bicicleta em vez de a descer) 2) Morava relativamente perto do meu local de estudo,a distância mais longa demorava cerca de 20 minutos. (Gostava de ver um português a ir da margem sul ou da linha amadora-sintra todos os dias para o centro de lisboa de bicicleta) Estes são as principais razões de se usar a bicicleta como meio de transporter (e não de lazer) em algumas cidades europeias. Em Portugal existem cidades que com as mesmas condições como o artigo o demonstra. Agora em Lisboa e Porto, com as actuais condições, parece-me algo irreal. MG, em 2009-02-09 às 13:52, disse: Caros leitores, A ideia parece-me excelente, mas são poucos os que têm a coragem de utilizar uma bicicleta em Portugal...E porquê? Bem, as razões principais são: 1) as cidades, vilas, em suma a planificação urbana é feita para os automóveis, não para as pessoas andarem a pé. A propósito veja-se o crime urbanístico feito em Braga, em que os transeuntes deixaram de poder deslocar-se nas ruas para serem obrigados a subir por escadas/passagens aéreas; 2) as cidades não criaram pistas próprias para bicicletas, e isto verifica-se mesmo em traçados de novas ruas e estradas; 3) Em algumas cidades europeias circula-se em bicicleta nos passeios. Em Portugal tal não é possível pois os passeios são utilizados para estacionar carros ou partes de carros. A polícia parece ignorar tal facto... 4) Aventurar-se a utilizar uma bicicleta e deslocar-se nas nossas cidades é um convite para o sucídio ou para se tornar num cidadão deficiente... Pode haver boas intenções, mas há que primeiro devolver ruas, cidades, vilas aos seus moradores, aos cidadãos. Só depois de resolvidas as questões básicas de vias pedestres, vias cicláveis, limitação eficaz de velocidade, instalação de radares, transportes públicos que circulem com horários, poderemos convidar os cidadãos a deixar de utilizar o carro. |
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