Fernão de Magalhães: Historiador defende naturalidade do navegador em Ponte da Barca
Curiosamente, o historiador começou o seu trabalho de investigação deste tema a convite da Câmara de Sabrosa, em Trás-os-Montes, mas rapidamente viu que não podia seguir esse caminho. A "solução transmontana" pareceu ter poucas pernas para andar a Amândio Barros, que na sua obra classifica a hipótese de "muito débil".
Na "posse de todos os dados disponíveis, e após estudo aturado de todos os elementos conhecidos (...) reafirma-se, por completo, a impossibilidade dessa origem transmontana", tudo porque a tese se baseia em "fontes muito pouco fiáveis", nomeadamente um "alegado testamento ditado por Magalhães em 1504" e um outro, "de 1580, que teria sido mandado lavrar por um sobrinho-neto do navegador chamado Francisco da Silva Teles", defende em declarações à agência Lusa. "São estes os documentos que sustentaram a tese da naturalidade transmontana, mas que há muito que a investigação histórica os classificou como falsos", conclui o historiador, no livro que apresenta sábado.
Desmontar as hipóteses Porto e Sabrosa
Arrumada a hipótese de Sabrosa, havia que averiguar a do Porto, que se baseia, como Amândio Barros explica, "nos termos do contrato celebrado entre Magalhães e Carlos V" para a expedição. Segundo o investigador, nesse contrato, Fernão de Magalhães intitulava-se 'vizinho' do Porto. "Ora, palavras como vizinho, cidadão, morador, exprimem uma condição num dado momento e em diversas circunstâncias e não traduzem obrigatoriamente o conceito de naturalidade".
Por outro lado, acrescenta o historiador, a tese da naturalidade portuense não procede porque "no tempo em que Magalhães nasceu - (...) 1480 - a cidade [do Porto] vivia um período tenso (...) e posicionava-se frontalmente contra a permanência dos nobres dentro dos seus muros; portanto, não é crível que tal ambiente fosse favorável ao nascimento de um fidalgo no interior do seu perímetro amuralhado".
"Na altura do contrato com Carlos V, o navegador estaria a preparar a expedição a partir do Porto, de onde aliás levou elementos para a tripulação, nomeadamente o piloto Estêvão Gomes. Terá assim assumido que era vizinho da cidade", referiu o historiador à Lusa.
Amândio Barros desmontou outro argumento utilizado para tentar provar que o navegador era do Porto, o da doação de bens, em testamento, ao Mosteiro de S. Domingos do Porto, que existia ali perto do actual Mercado Ferreira Borges. "Na realidade, a doação é não a esse mosteiro, mas ao de D. Domingo das Donas do Porto, o actual convento Corpus Christi, em Gaia, onde eram freiras umas primas de Fernão de Magalhães", referiu.
Ponte da Barca

Mas, para o historiador, "o documento mais esclarecedor", “aquele que depois de devidamente analisado e contextualizado deixa muito poucas, ou nenhumas dúvidas acerca da naturalidade barquense de Magalhães é o requerimento de 1567, apresentado por Lourenço de Magalhães ao Conselho das Índias, pelo qual reclamava a herança do navegador".
O processo, garante, "apresentava um rol de inquirições de testemunhas que decorreu no mês de Abril de 1567, em Ponte da Barca, Ponte de Lima e Braga. Trata-se de testemunhos decisivos para determinar a naturalidade de Magalhães".
A este propósito, o historiador acrescenta que "as inquirições demonstravam ainda que o glorioso iniciador da primeira viagem de circum-navegação pertencia à estirpe dos Magalhães, senhores da Terra da Nóbrega, fidalgos de cota de armas e solar. O mais velho dos depoentes, João Garcia Belo, de Ponte da Barca, conhecera-o perfeitamente, assim como ao pai".
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2009-05-25
08:51
2009-05-26
08:30
2009-08-18
15:17
Tinha eu comentado em mensagens anteriores:
...“Desde há muito tempo que repudio a “crença local” da naturalidade de Sabrosa atribuída a Fernão de Magalhães. Sempre me incomodou nessa pequena vila tudo girar à volta do navegador, sem provas que o sustentassem. Parece-me uma hipótese, entre outras e, com franqueza, não me parece a mais provável”... Dando de barato a falsidade da documentação de António Luis...
....“Agora, se se limita a “demonstrar” existirem muitos parentes dele na Barca e ou no vale do Lima, é algo que todos nós sabíamos. O apelido Magalhães estava já (na segunda metade do século XV) espalhado por todo o país, mas com uma enorme concentração de elementos no vale do Lima ou não estivesse a linhagem na Barca há mais de um século. Essas "provanças" de Lourenço de Magalhães, já referidas desde início do século XX e mais recentemente por Manuel Abranches de Soveral, pelo menos do que delas está publicado, estão de longe de nos clarificar a sua ascendência, a sua parentela, e os locais onde viveram os seus maiores. Quanto mais a sua naturalidade. Ainda por cima, referem dois Magalhães com o mesmo nome próprio e irmãos, situação não impossível mas a precisar de confirmação. E, onde viveram? E, com quem casaram ? E, que filhos tiveram ? Aparentemente, sem rastos nos nobiliários”...
....“Como não faz nenhum sentido escrever artigos com títulos bombásticos como: “Fernão de Magalhães não nasceu em Sabrosa” ou “Fernão de Magalhães não nasceu na Barca”. Só conheço uma maneira de demonstrar que uma pessoa não nasceu num determinado local --- demonstrar que ele nasceu noutro. E isso ainda ninguém o fez”...
Não havendo uma prova inequívoca de naturalidade, esta teria de ser defendida com base na identificação objectiva dos pais e do local onde viveriam na época do seu nascimento. Ou, na demonstração que ele, na menoridade, lá teria vivido. À falta desta cabal demonstração, a identificação clara dos locais onde viveram os irmãos e a família materna e paterna (intencionalmente coloquei em 1.º lugar a família materna porque é idêntica, para este fim, a sua importância relativamente à paterna).
O que o autor se propõe sem minimamente o conseguir é demonstrar:
“ --com absoluta certeza, Fernão de Magalhães não nasceu em Sabrosa;
--com absoluta certeza, Fernão de Magalhães é natural de Entre Douro e Minho.
--com quase certeza, Fernão de Magalhães é natural de Ponte da Barca. “
Tendo formação nas ciências exactas tenho dificuldade em entender demonstrações panfletárias como as referidas. É que depois a montanha pare um rato...
O cerne da pseudo prova em relação ao primeiro item é a falsidade da documentação de António Luis, da Casa da Pereira. Não faz mais do que repetir, o que já foi feito com os mesmos e válidos argumentos, a demonstração da falsidade dessa documentação, que ninguém de bom senso discute. Falando na suposta irmã Teresa de Magalhães e no citado testamento de 1504 (o tal que é com toda a certeza falso) coloca em relevo que nele ..”em lado algum se afirma que Magalhães é natural de Sabrosa”. Sendo ele falso, qual a relevância dessa não afirmação? Pelo meio, perde-se em comentários, atribuindo ao século XVIII a construção da Casa da Pereira, omitindo que ela se encontra no mais antigo aglomerado da vila, ainda hoje com múltiplos vestígios do século XVI e com referências a esse topónimo nos paroquiais da vila mais antigos (meados do século XVII). Trata-se, com toda a certeza, duma reconstrução que mantém uma pedra de armas, seguramente de meados do século XVI, ou mais antiga, com as armas picadas. Mas, qual a relevância dessas afirmações relativamente “à outra certeza e quase certeza”? Como já tinha dito: “Só conheço uma maneira de demonstrar que uma pessoa não nasceu num determinado local --- demonstrar que ele nasceu noutro. E isso ainda ninguém o fez”...
Relativamente à outra “absoluta certeza” e “quase certeza”, estamos conversados. Cá temos as “provanças” de 1567 de Lourenço de Magalhães. O que é que elas "provam":
1.º O navegador tinha muitos parentes na Barca e na ribeira do Lima.
2.º Lourenço de Magalhães era filho de Paio Rodrigues de Magalhães, neto de Rui Pais de Magalhães. Este avô paterno era irmão de Rui de Magalhães, pai do navegador, ambos filhos de Pedro Afonso de Magalhães.
O autor perante a dificuldade do aparecimento de dois irmão homónimos, refere que eles seriam irmãos, apesar de terem o mesmo nome. Como já referi, este facto exige cabal demonstração. É improvável, mas admissível, no caso de não terem a mesma mãe...
Refere também múltipla documentação consultável on line no site da DGARQ, referente a uma suposta tia, D. Isabel de Menezes. E fá-la tia por, numa carta de Carlos V a D. Manuel, se referir que dois filhos dela, refugiados em Castela, eram parentes directos de servidores portugueses do rei de Castela. Como o autor “entende” que se trata de uma alusão a Fernão de Magalhães, ela passa a ser tia. Quantos portugueses serviriam Carlos V? Essa suposta tia vivia na Barca. Era viúva de Gil de Magalhães, mais um “suposto” tio do navegador, que ninguem faz filho de Pedro Afonso de Magalhães. Mas, onde está isso demonstrado? Aparecem, retirados do Corpo Cronológico, muitos dados desta senhora que vivia na Barca. Mas, e a ligação a Fernão de Magalhães ? Há...o tal “entendimento”!!!
Essas provanças demonstram que o pai de Fernão de Magalhães era um Rui de Magalhães, não identificado. O autor do opúsculo não demonstra quem ele era, onde viveu ou com que casou. Não demonstra onde viveram seus irmãos nem seus avós. Trata-se de convicções....É possível que o pai, Rui de Magalhães, seja o alcaide mor de Aveiro que casou em Vila Real com Alda de Mesquita. Aliás, em todo o texto não há nenhuma alusão ao primo Álvaro de Mesquita, comandante de uma nau...Nem qual seria a família da mãe...tão provável numa "demonstração" de naturalidade quanto a do pai...
Resumindo, nada de novo para além da convicção do autor...
António Taveira
2009-11-12
10:11
2010-02-16
17:56
Desafio também este senhor a dizer que Magalhães não tinha propriedades em Sabrosa... o que é falso!! E elas ainda existem... Venham visita-las e vejam com os vossos própios olhos... E nessa lógica, que até é uma lógica bem actual, tomando o exemplo de Badajoz, por exemplo, porque é que a familia não podia ser de Ponte da Barca e o navegador ter nascido nas suas propriedades em Sabrosa? Então agora os portugueses que nascem em Badajoz são todos Espanhois?! Mas sim... eles nascem em Espanha!! outro país... Parece assim tão impossivel isso acontecer em 1500? com vários meses de viagem?! Já alguém pensou que a própria mãe podia até só ter descoberto a gravidez em Sabrosa e ter-se decidido a já não viajar?! Este senhor já pensou que, tal como tem surgido agora relativamente ao fundador da Pátria, D. Afonso Henriques, a familia podia estar de férias, nas suas posses em Sabrosa? ou este senhor nunca foi de férias... D. Afonso Henriques pode ter nascido em Viseu... Tem surgido a tese de que a mãe ai aguardaria pelo regresso do seu marido de terras castelhanas, envolvido na reconquista cristã... Bem mas digam-me uma coisa, e o que é que isso interessa? Nada!! Absolutamente Nada!!! É e será o rei de Guimarães!!! Aliás, congratulo-me com o plano de comemorações conjunto de ambas as cidades, que não se deixaram vender ao bairrismo!!
Alías, já com o nosso Miguel Torga, foi a mesma coisa... lá por ter morado em todo o lado menos em São Martinho de Anta, esteve quase a ser considerado como nascido em Coimbra... Só que aí os tempos eram outros, e os registos civis já existiam!!
Deixemos-nos de parvoices e honremos a mémoria do navegador!!! Isso sim!!! E é isso que Sabrosa tem feito, já à muito tempo, pois enquanto não se aperceberam do potencial turístico da "marca" Magalhães, o navegador sempre foi deste meu pequeno, pobre e rural concelho: Sabrosa!!
2010-06-17
13:50
Se Alda Mesquita era mãe do navegador, como explicar a existência do apelido SOUSA no nome do seu irmão (conforme provam documentos da TT)?
2010-06-17
13:53
Se Alda Mesquita era mãe do navegador, como explicar a existência do apelido SOUSA no nome do seu irmão (conforme provam documentos da TT)?
2011-08-27
17:35