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Vamos lá, CAMBADA!

Equipa de Aveiro defende título no Campeonato do Mundo de Futebol para Robôs

2009-06-29
Por Porfírio Silva *

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Campeonato começa quarta-feira (Foto: Tucker Balch)
Campeonato começa quarta-feira (Foto: Tucker Balch)
O RoboCup 2009 – Campeonato do Mundo de Futebol para Robôs decorre em Graz, na Áustria, entre 1 e 5 de Julho. Desde 2004, ano em que o evento teve lugar em Lisboa em paralelo com o Euro2004, que o campeonato não tinha lugar na Europa. Este ano tem uma forte participação portuguesa.



Manuela Veloso, Presidente da Federação Internacional do RoboCup, resume para o «Ciência Hoje» as características e a ambição deste movimento: "Esta é uma iniciativa internacional baseada em competições de robôs, com o objectivo de promover investigação e educação nas áreas de robótica, engenharia e ciência de computadores".

As competições são para alunos universitários e o RoboCup Júnior é para alunos do ensino básico e secundário. As modalidades incluem futebol de robôs, robôs para apoio a operações de busca e salvamento e robôs de serviço para aplicações sociais e domésticas. O RoboCup começou no princípio dos anos 90 com 100 participantes de dez países. Este ano tem mais de 2000 participantes de 40 países.

Segundo Manuela Veloso, o RoboCup é a principal linha de investimento na tentativa de ganhar a aposta enunciada pelos investigadores japoneses Minoru Asada e Hiroaki Kitano em 1999: “Até meados do século XXI uma equipa de robôs humanóides autónomos baterá a equipa humana campeã do mundo de futebol, segundo os regulamentos oficiais da FIFA”.

Pedro Lima, professor do Instituto Superior Técnico e líder da equipa ISocRob, do Instituto de Sistemas e Robótica, assume a ambição competitiva: “Queremos chegar aos quartos de final”. Di-lo apesar de confessar dificuldades técnicas, algumas delas de última hora: “De momento temos um problema grave: kickers ainda não funcionais, mas a serem acabados a todo o vapor, as we speak”. Futebolistas que não chutam? Parece problemático, de facto. Salvaguarda, contudo, que “muito mais importante que a competição é o aspecto científico do projecto de robótica cooperativa, visível na publicação de muitos resultados deste projecto em conferências e revistas internacionais”.

Alfredo Martins, professor no Instituto Superior de Engenharia do Porto, que leva ao RoboCup 2009 a equipa ISePorto, sublinha igualmente o carácter fundamentalmente científico deste trabalho: “Contamos nesta participação testar um conjunto de novos desenvolvimentos efectuados em controlo, navegação distribuída, visão artificial e coordenação de múltiplos sistemas autónomos”. E os avanços resultantes do futebol robótico serão aplicados em outros projectos de robótica móvel, nomeadamente aeronaves não tripuladas e veículos marítimos de superfície autónomos.

Melhorar a qualidade da educação tecnológica

Algumas das equipas portuguesas que conseguiram qualificar-se para o RoboCup Júnior também sublinharam ao «Ciência Hoje» os diferentes objectivos educativos satisfeitos por esta participação. Membros das equipas de várias Escolas Profissionais (Cenatex, Braga, Felgueiras, Gustave Eiffel) e da Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas (Guarda) sublinham como esta aventura permite melhorar a qualidade da educação tecnológica, tomar contacto com o que melhor se faz nesta área em todo o mundo, motivar os alunos e incentivar a sua capacidade para combinar o melhor do espírito de competição e da capacidade de cooperação.

Contudo, entre os portugueses, as maiores responsabilidades vão para a Universidade de Aveiro. É que, como assume António Neves, professor que lidera os humanos responsáveis pelos robôs CAMBADA, cabem-lhes as dores do titular: a actual campeã do mundo vai a Graz tentar renovar o título.

A concorrer na Liga de Robôs Médios, onde se concentram os esforços de algumas das mais importantes participações de instituições do ensino superior, a CAMBADA venceu a edição de 2008 em Suzhou, China, devendo agora enfrentar outras 13 equipas provenientes da Holanda, Japão, Alemanha, China, Itália, Áustria e Portugal. Todas desejariam tomar o seu lugar de campeões mundiais. Veremos nos próximos dias quem ganha a competição. Porque a promoção da cultura científica, essa, é já vencedora antecipada.

Porfírio Silva
Porfírio Silva

* Porfírio Silva vai fazer a cobertura desta edição do RoboCup para Ciência Hoje. É doutorado em Filosofia das Ciências pela Universidade de Lisboa com uma dissertação intitulada «Robótica Institucionalista – as ciências do artificial como ciências do humano». Desde então é investigador de pós-doutoramento no Instituto de Sistemas e Robótica (Instituto Superior Técnico). No ISR/IST colabora no desenvolvimento uma nova abordagem à robótica colectiva, inspirada na sua investigação de doutoramento e que foi apresentada na 9th European Conference on Artificial Life (ECAL 2007) num artigo conjunto com Pedro Lima que recebeu o prémio Best Philosophy Paper dessa conferência. É editor do blogue Machina Speculatrix (http://maquinaespeculativa.blogspot.com)



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