Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010
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RoboCup Júnior é a escola viva do futebol dos robôs

2009-07-01
Por Porfírio Silva, em Graz (Áustria)

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Uma liga de campeões
Uma liga de campeões
No RoboCup, os holofotes mais intensos das coberturas noticiosas dirigem-se usualmente às competições seniores, entre equipas do ensino superior. Justifica-se: concentram-se aí as novidades científicas e de engenharia. Contudo, olhar para o RoboCup Júnior ajuda a compreender melhor o significado educativo deste movimento.

O RoboCup Júnior, dedicado a alunos do ensino não superior, é uma iniciativa educativa e de sensibilização para as áreas tecnológicas, que combina cooperação com competição. Aqui não temos o cenário típico de envolvimento dos adolescentes com os computadores: um adolescente frente a um computador, numa actividade isolada e isolante, numa atitude basicamente consumidora. Aqui o cenário é outro: equipas de humanos, a trabalhar com equipas de robôs, actividade, aprendizagem, envolvimento, aprender a combinar cooperação (dentro da equipa) com competição (entre equipas). Há várias actividades nesta modalidade (futebol, busca e salvamento, dança) e todas se revelam motivadoras e catalisadoras de aprendizagens.

Equipas preparam os seus robots em Graz (imagens Porfírio Silva)
Vários membros das equipas portuguesas que estão em Graz a participar nas competições juniores falaram ao Ciência Hoje. João Garcia e Alexandrino Silva, da equipa da Escola Profissional de Braga, resumem o principal benefício que os jovens retiram desta participação: são “mais uma oportunidade para consolidar a aposta na área tecnológica”. Mário Silva, da Escola Profissional de Felgueiras, acrescenta o interesse da própria instituição: “permite publicitar o nome da Escola e do Concelho além fronteiras".

Tiago Nabais Caldeira, formador das equipas de robótica da Associação Portuguesa das Crianças Sobredotadas (Guarda), enuncia mais explicitamente um leque de vantagens: “É uma útil oportunidade para tomarmos contacto com as novas tecnologias e recentes equipamentos e componentes; é um espaço onde podemos verificar o comportamento das nossas pequenas máquinas e das soluções introduzidas; é, afinal, também, uma jornada de permuta e confraternização com pares de todo o mundo.”

Já a Escola Profissional Cenatex, que pelo segundo ano consecutivo apurou duas equipas para a fase final a nível mundial, sendo a única escola portuguesa a representar Portugal no Futebol Robótico Júnior 2x2, acusa o peso da responsabilidade. José António Dias, o formador que acompanha os alunos, explica porquê: "Apesar do currículo que apresentamos nesta modalidade, onde se destacam as participações nas edições 2006 (Alemanha), 2007 (EUA, onde obtivemos um 3º lugar) e 2008 (China), a vitória no último Festival Nacional de Robótica impressionou, pelo nível tecnológico e pelos resultados obtidos: as duas equipas venceram a totalidade dos jogos sem sofrer nenhum golo."

Não podem, pois, deixar os créditos por mãos alheias – e por isso assumem: “rumamos a Graz com vontade de lutar por um dos primeiros lugares.”

Se o RoboCup conseguir o seu intento – levar os robôs a vencer os humanos campeões do mundo a jogar futebol até 2050 – várias gerações terão de pegar no testemunho. Por enquanto, essa passagem está a acontecer. E estão todos prontos para entrar em campo mais uma vez já amanhã.



Comentários

isabella, em 2009-09-21 às 19:43, disse:
acho muito interessante a obcessão para uma melhor educação...

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