Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
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As pequenas angústias dos grandes campeões do RoboCup

Juniores entraram hoje em competição, com grande delegação portuguesa

2009-07-02
Por Porfírio Silva, em Graz, Áustria

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Escola Profissional Cenatex, única representação portuguesa no Futebol Robótico Júnior 2x2
Escola Profissional Cenatex, única representação portuguesa no Futebol Robótico Júnior 2x2
Hoje foi dia de entrada em competição dos juniores. Uma grande delegação portuguesa cobre todas as modalidades: futebol, busca e salvamento e dança. Ainda é cedo para falar de resultados, mas vale a pena sublinhar dois aspectos sobre o RoboCup Júnior.



Em primeiro lugar, tem um inestimável valor educativo, principalmente para países necessitados de valorizar a educação tecnológica e a procura precoce dessa via. Além disso, o ramo Júnior deste movimento resolve muito melhor que o ramo sénior a questão da participação feminina – embora muito à custa da modalidade “dança”, onde, em geral, elas dançam mais e melhor do que os seus robôs...

Entretanto, como à hora em que escrevemos ainda não é possível ter dados seguros sobre o aspecto competitivo (e também não queremos fazer prognósticos antes de acabarem os jogos…), damos hoje alguns elementos para compreender os dramas dos mais de 2300 participantes que estão no RoboCup de Graz. É que os bastidores são realmente importantes para compreender as (pequenas e grandes) angústias dos (grandes e pequenos) campeões. Porque a incerteza é grande. Exemplos…

«The birth of the Dragon», Escola Profissional Gustave Eiffel: dança o dragão e dançam as meninas
«The birth of the Dragon», Escola Profissional Gustave Eiffel: dança o dragão e dançam as meninas
Ontem, a equipa ISocRob (IST) quase dava origem a uma notícia no mundo dos humanos, quando duas das suas baterias começaram a arder enquanto carregavam, originando receios instantâneos de uma explosão – receios atacados eficazmente com um extintor.

A equipa do ISEP teve ontem uma espécie de derrota por falta de comparência: atribuição de uma derrota por não estar pronta para competir a tempo e horas. Uma hipótese interpretativa é que mais vale perder por poucos, por penalização, do que perder por muitos… a jogar. Ou, então, que às vezes, não tendo esperança de ganhar aquele jogo, é bom investimento poupar o material para encontros futuros.

Já hoje, a equipa do ISR/IST decidiu não comparecer ao primeiro jogo da manhã – e aqui podemos assegurar que foi mesmo para ganhar tempo para afinar os robôs e tentar apresentar-se refrescada no primeiro encontro da tarde (o que, aliás, não deu exactamente o resultado esperado).

O espaço de trabalho da modalidade de dança do RoboCup Júnior
O espaço de trabalho da modalidade de dança do RoboCup Júnior
Mesmo os campeões têm sobressaltos, é claro. Ainda ontem, depois de terem começado bem, a campeã mundial em título do futebol robótico (na liga de robôs de tamanho médio), a CAMBADA da Universidade de Aveiro, teve um susto ao perder com os holandeses da TechUnited, que estão na luta pelo título.

Outro episódio útil para compreender o que aqui se passa é o da desclassificação de uma das equipas portuguesas de futebol júnior. A história conta-se assim: o RoboCup Júnior tem um procedimento de entrevista entre os jovens de cada equipa e a organização, onde esta tenta determinar a real responsabilidade daqueles nas soluções levadas a competição (para excluir situações em que os alunos sejam uma espécie de testas de ferro de algum mentor mais centralista).

Há também um controlo para apurar o contributo original das equipas para a concepção e execução dos seus robôs, para evitar o uso puro e simples de soluções comercialmente disponíveis. Ora, foi nesta apreciação que não passou uma das equipas juniores portuguesas, por se ter considerado que não tinha modificado significativamente um kit adquirido na China (aquando da participação na edição 2008).

Alimentar a imaginação de futuros cientistas é uma das ambições deste movimento
Alimentar a imaginação de futuros cientistas é uma das ambições deste movimento
Pelo menos outra equipa portuguesa também usa esse kit, mas tê-lo-á modificado suficientemente. O problema destes juízos, sendo saudáveis num evento educativo como este, é que nem sempre é claro onde passa a fronteira entre o suficiente e o insuficiente das modificações. E, obviamente, o desencanto de uma equipa afectada por uma decisão destas é enorme.

Mas ajuda a compreender que isto não é só desporto e facilidades – mas também responsabilidade e risco, eventualmente derrota ou, pior ainda, desilusão. O que é preciso é não desistir, dizemos nós!

Porque os grandes campeões são feitos de histórias de pequenas angústias.



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