Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010
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«Ainda hoje se fechar os olhos vejo aquela imagem na televisão»

Relatos de quem, há 40 anos, acompanhou em directo a chegada do Homem à Lua

2009-07-17
Por Lusa

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A televisão acompanhou acontecimento em directo
A televisão acompanhou acontecimento em directo
Olhares emocionados e repletos de dúvidas, muitas das quais mantidas durante anos, acompanharam pelos televisores a chegada do Homem à Lua. Quarenta anos depois, o momento perdura na memória dos portugueses que dormiram pouco na mediática noite.

Em 1969, as televisões eram uma raridade em terras transmontanas e estavam acessíveis quase exclusivamente em cafés e tabernas, onde muitos assistiram ao momento histórico.


“Eu tenho a honra de ter assistido. Eu e mais 20 [clientes] e um polícia”, contou à Lusa Manuel Vaz, que ainda hoje, aos 68 anos, se emociona quando lembra aquela madrugada de 21 de Julho em que desafiou o sono e até as autoridades para acompanhar o directo.

Proprietário há quase meio século do café Lisboa, em Bragança, foi no seu estabelecimento que seguiu, com clientes e amigos, o acontecimento anunciado nos jornais. A licença de funcionamento era só até às duas da madrugada, mas nessa noite “já rasava as quatro da manhã” quando desligou a televisão.

“Hoje já há tanta coisa que a gente nem liga, mas na altura foi emocionante. Estávamos sentados com as luzes apagadas - apenas um luz fraquinha - com medo da polícia”, recordou. Um agente que fazia a ronda apercebeu-se da presença de gente e, ao averiguar o que se passava, acabou por ficar “encostado junto à porta a ver também a televisão”.

Manuel Vaz não se lembra das célebres palavras do primeiro astronauta que pisou a Lua, Neil Armstrong, (“Um pequeno passo para o Homem, um salto gigantesco para a humanidade”), porque “não entendia americano”, mas jamais esquecerá o momento em que viu “aquele tripé [a base do vaivém] a pousar, aquela espécie de nevoeiro/fumo conforme aterrou, os fatos próprios [dos astronautas] e o locutor português a dizer: 'Pisou neste momento, o primeiro homem a pisar a Lua'”.

«Vi o foguetão. Via-se a Lua e pareciam homens»
«Vi o foguetão. Via-se a Lua e pareciam homens»
“Ainda hoje se fechar os olhos vejo aquela imagem na televisão. Ainda era a preto e branco”, recordou.
No dia seguinte não se falava de outra coisa. “Havia um ou outro que não acreditava”, mas Manuel continua convencido de que foi verdade, até porque “não era fácil esconder uma mentira durante tantos anos”.

«Será verdade ou não será? Não acredito sem ver»

Também Idalina Palma, hoje com 60 anos e moradora em Grândola, assistiu ao momento durante “toda a noite e madrugada” numa residência de estudantes em Lisboa.

“Foi um acontecimento muito importante para a época e acreditei logo, apesar de a grande maioria das pessoas não acreditar que era verdade. Pensavam que era uma montagem”, explicou.

Já Anastácio Vieira Frazão, de 79 anos e residente em Fátima, estava emigrado em França, onde a televisão era algum comum. Lembra-se de que “na altura foi uma coisa muito falada” e, apesar de não recordar alguns pormenores, tem o momento guardado na memória: “Vi o foguetão. Via-se a Lua e pareciam homens”.

Na ocasião, questionou de imediato: “Será verdade ou não será? Não acredito sem ver”, pensou então. Mas hoje já não tem dúvidas, até porque tem visto “coisas mais impossíveis”.



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