Apoio à decisão em processos
de recuperação de edifícios escolares
Investigadores de Coimbra desenvolvem
nova ferramenta científica
2009-07-29
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| Manuel Gameiro, investigador da UC |
Uma equipa multidisciplinar de uma dezena de investigadores das Faculdade de Ciências e Tecnologia e de Economia da Universidade de Coimbra (FCTUC), está a desenvolver uma ferramenta científica, capaz de optimizar as relações custo / benefício nos processos de recuperação energética dos edifícios escolares.
Apoiada por estudantes de Mestrado e Doutoramento, a investigação desenvolve-se no âmbito da iniciativa Energia para a Sustentabilidade da Universidade de Coimbra, que é levada a cabo no âmbito do Programa MIT – Portugal.
Esta iniciativa é claramente multidisciplinar, envolvendo docentes de vários departamentos da FCTUC – Arquitectura e Engenharias Civil, Electrotécnica, Mecânica e Química – e da FEUC, integrados em unidades de investigação com anos de experiência na área da Energia (ADAI, INESC-Coimbra, ItCons e ISR).
O investigador Manuel Gameiro refere que este projecto “
tem por objectivo criar uma ferramenta de apoio à decisão para tornar os edifícios escolares, o mais eficientes possível, a nível energético”. Esta investigação assume particular relevância, considerando as directivas europeias nesta área e o programa de requalificação do parque escolar português, proposto pelo governo.
Nesta primeira fase, a Escola Básica 2,3 Martim de Freitas, em Coimbra, será o primeiro caso de estudo, mas o processo vai alargar-se a outros edifícios escolares, construídos em diferentes épocas e em zonas distintas do país.
Para desenvolver este software inovador, os investigadores recorrem a processos de monitorização de um conjunto de variáveis (temperatura, humidade, qualidade do ar, níveis de CO2, consumos energéticos, etc.) e a programas computacionais de simulação térmica de edifícios.
O enunciado do problema, para se perceber melhor, pode ser colocado da seguinte forma: Queremos ter um edifício eficiente ao nível energético e em simultâneo com uma boa qualidade ambiental interior. O que devemos mudar? Substituir as janelas? Alterar o sistema de ar condicionado? Colocar painéis solares? Melhorar o isolamento das paredes?
Modelo para todos os cenários
"Estas e outras questões geram um número quase infindável de hipóteses, em que a avaliação de todas as combinações possíveis resultaria num processo extremamente moroso e complexo. Pretende-se assim desenvolver um modelo que estude todos os cenários possíveis e identifique as melhores soluções, em função dos critérios de avaliação definidos”, explica Manuel Gameiro.
Questionado sobre as directivas da União Europeia para a eficiência energética dos edifícios, o investigador afirma que
“é necessário encontrar o ponto de equilíbrio” e defende que “
há alguns aspectos que irão certamente ser melhorados".
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| Projecto visa optimizar custo/benefício dos edifícios escolares |
Refere, por outro lado, que
"a certificação energética atinge principalmente os novos edifícios mas a esmagadora maioria dos consumos elevados regista-se nos edifícios existentes. No caso das escolas, os requisitos da nova legislação obrigam a ter taxas de ventilação muito elevadas, que farão os consumos energéticos disparar”.
A iniciativa Energia para a Sustentabilidade da UC, que tem a parceria com o MIT Portugal, surgiu devido
“aos desafios que se colocam hoje à sociedade humana, nomeadamente a escassez de recursos energéticos e as alterações climáticas, que exigem respostas de natureza interdisciplinar e visa a transferência de conhecimento para a sociedade, através da interacção com decisores políticos, gestores e técnicos responsáveis em vários sectores de actividade".
A segunda fase do processo de admissão para a edição de 2009 do Mestrado em Energia para Sustentabilidade e do Curso de Especialização em Energia para Sustentabilidade decorre até ao próximo dia 5 de Agosto, na FCTUC.
A iniciativa tem atraído estudantes de diferentes nacionalidades, entre as quais, Portugal, Brasil, Canadá, Senegal e Irão, provenientes das mais diversas áreas de formação, Arquitectura e Engenharias Ambiental, de Computadores, Electrotécnica, Industrial e Petrolífera e Mecânica e Gestão.
Comentários
Ana Laires, em 2009-07-30 às 11:59, disse:
Esperemos que o estudo e software estejam disponíveis a tempo, antes que os agrupamentos decidam sozinhos embarcar nesta ou naquela solução, muitas vezes baseados mais "na moda" do que numa real avaliação custo /benefício. Exemplo: nem sempre uma cobertura do edifício com paineis solares associado ao mito da produção e venda de energia é a melhor solução! (esses próprios equipamentos têm custos ambientais - na sua produção e manutenção - por vezes superiores ao aparente benefício que trazem pelo que a análise caso a caso é fundamental, devendo ser visto numa perspectiva global de prós e contras e tendo em conta que as soluções não se esgotam por aí..)
Este estudo é bem vindo, e oxalá resulte numa articulação real com a realidade, assim haja vontade e inteligência política.