Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
Vivo sob os escombros um mês depois - Um homem de 28 anos foi encontrado ontem com vida entre os escombros de um edifício no Haiti, onde terá estado preso desde 12 de janeiro

Nova variante do vírus da Sida identificada
em mulher dos Camarões

Presidente da Liga Portuguesa Contra a Sida considera que esta devia voltar à agenda política

2009-08-03
Por Luísa Marinho (com Lusa)

Partilhar

Em África apareceu uma nova variante do vírus <br> (créditos: ©World Bank/Arne Hoel)
Em África apareceu uma nova variante do vírus
(créditos: ©World Bank/Arne Hoel)
Uma equipa de virologistas franceses identificou uma nova variante do HIV tipo 1. A variante foi detectada numa mulher camaronense.

Em declarações ao «Ciência Hoje», Maria Eugénia Saraiva, presidente da Liga Portuguesa Contra a Sida, considera que esta notícia é importante enquanto apresentação de um estudo científico. No entanto “deve falar-se na sida no seu todo e numa perspectiva global”, afirma.


Actualmente, estão identificadas duas estripes do vírus da Sida, o HIV-1, com maior incidência, e o HIV-2, menos frequente. O HIV-1 está dividido em três variantes: M, a origem da pandemia mundial, e dois outros muito raros, O e N.

A nova variante identificada pela equipa do laboratório Jean-Christophe Plantier (do Centro Nacional de Referência do Vírus de Imunodeficiência Humana do Centro Hospitalar de Rouen) parece ser o protótipo de um novo tipo do vírus HIV-1, denominado pela equipa de investigadores como variante P.

“A descoberta desta nova variante veio reforçar a necessidade de acompanhar de perto o surgimento de novas variantes do HIV, especialmente na África Central, onde está a origem de todos os grupos do HIV-1”, referem os investigadores franceses no estudo científico, hoje publicado na revista «Nature Medicine».

A nova variante foi identificada numa doente originária dos Camarões, que apresentava um perfil raro.

Os investigadores pensaram inicialmente que estavam perante a variante O, mas uma análise mais detalhada ao genoma completo da doente permitiu concluir que era um novo grupo do vírus.

A doente “está bem”, garantiu uma das investigadoras da equipa, Marie Leoz, acrescentando que “com base no genoma da doente foi possível identificar o tratamento mais adequado face às mutações do vírus e ela respondeu muito bem”.

Importante é “não alarmar os doentes”

Maria Eugénia Saraiva
Maria Eugénia Saraiva
Com a divulgação desta notícia, a linha de apoio da Liga Portuguesa Contra a Sida começou a ser mais solicitada.

A presidente explica: “Há mais pessoas a ligar para a linha de apoio porque estão preocupadas e querem saber se podem contrair esta variante. Mas há que evitar a ansiedade. Os doentes devem continuar a seguir as recomendações dos seus médicos. O que para nós é importante, independentemente do valor deste estudo, é não alarmar os nossos doentes”.

Para a presidente deve falar-se de Sida enquanto “um problema de saúde pública e disso não se tem falado”. A população “não está motivada para a prevenção” e, ao contrário do que muitas pessoas pensam, a Sida “não é ainda uma doença crónica. Além disso, ainda não existe vacina”.

Maria Eugénia Saraiva considera que se devia pôr o assunto na agenda política, até porque há muito a fazer para combater a doença. “Deve apostar-se no trabalho da sociedade civil, apostar-se no diagnóstico precoce e lutar contra a discriminação de quem vive com a doença”, conclui.


Comentários

O seu comentário:


O seu nome:


O seu email (não será publicado):






Concurso Dos 0 aos 100
Ciência Viva TV
FCCN - Fundação para a Computação Científica Nacional Ciência Viva


Contactos
Ficha técnica
Estatuto Editorial
Conselho Científico
A Palavra do Leitor
Portuguese Science