Nova variante do vírus da Sida identificada
em mulher dos Camarões
Presidente da Liga Portuguesa Contra a Sida considera que esta devia voltar à agenda política
2009-08-03
Por Luísa Marinho (com Lusa)
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Em África apareceu uma nova variante do vírus (créditos: ©World Bank/Arne Hoel) |
Uma equipa de virologistas franceses identificou uma nova variante do HIV tipo 1. A variante foi detectada numa mulher camaronense.
Em declarações ao «Ciência Hoje», Maria Eugénia Saraiva, presidente da Liga Portuguesa Contra a Sida, considera que esta notícia é importante enquanto apresentação de um estudo científico. No entanto “deve falar-se na sida no seu todo e numa perspectiva global”, afirma.
Actualmente, estão identificadas duas estripes do vírus da Sida, o HIV-1, com maior incidência, e o HIV-2, menos frequente. O HIV-1 está dividido em três variantes: M, a origem da pandemia mundial, e dois outros muito raros, O e N.
A nova variante identificada pela equipa do laboratório Jean-Christophe Plantier (do Centro Nacional de Referência do Vírus de Imunodeficiência Humana do Centro Hospitalar de Rouen) parece ser o protótipo de um novo tipo do vírus HIV-1, denominado pela equipa de investigadores como variante P.
“A descoberta desta nova variante veio reforçar a necessidade de acompanhar de perto o surgimento de novas variantes do HIV, especialmente na África Central, onde está a origem de todos os grupos do HIV-1”, referem os investigadores franceses no estudo científico, hoje publicado na revista «Nature Medicine».
A nova variante foi identificada numa doente originária dos Camarões, que apresentava um perfil raro.
Os investigadores pensaram inicialmente que estavam perante a variante O, mas uma análise mais detalhada ao genoma completo da doente permitiu concluir que era um novo grupo do vírus.
A doente
“está bem”, garantiu uma das investigadoras da equipa, Marie Leoz, acrescentando que
“com base no genoma da doente foi possível identificar o tratamento mais adequado face às mutações do vírus e ela respondeu muito bem”.
Importante é “não alarmar os doentes”
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| Maria Eugénia Saraiva |
Com a divulgação desta notícia, a linha de apoio da Liga Portuguesa Contra a Sida começou a ser mais solicitada.
A presidente explica:
“Há mais pessoas a ligar para a linha de apoio porque estão preocupadas e querem saber se podem contrair esta variante. Mas há que evitar a ansiedade. Os doentes devem continuar a seguir as recomendações dos seus médicos. O que para nós é importante, independentemente do valor deste estudo, é não alarmar os nossos doentes”.
Para a presidente deve falar-se de Sida enquanto
“um problema de saúde pública e disso não se tem falado”. A população
“não está motivada para a prevenção” e, ao contrário do que muitas pessoas pensam, a Sida
“não é ainda uma doença crónica. Além disso, ainda não existe vacina”.
Maria Eugénia Saraiva considera que se devia pôr o assunto na agenda política, até porque há muito a fazer para combater a doença.
“Deve apostar-se no trabalho da sociedade civil, apostar-se no diagnóstico precoce e lutar contra a discriminação de quem vive com a doença”, conclui.
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