Receba as notícias:

UTAD desenvolve nova técnica de datação de árvores

«Processo rápido, não destrutivo e exequível»

2009-09-23
Por Carla Sofia Flores
Os investigadores da UTAD recorreram a oliveiras <br> para realizar este estudo
Os investigadores da UTAD recorreram a oliveiras
para realizar este estudo
Um novo método de datação de árvores até aos três mil anos foi desenvolvido por investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em parceria com a empresa Oliveiras Milenares. Trata-se de um modelo inovador que, ao contrário dos tradicionais, não põe em risco a sanidade das árvores.

“É uma metodologia que permite estimar a idade de árvores idosas, particularmente para os casos em que estas já não têm todo o material lenhoso acumulado ao longo dos anos, as árvores ocas”, explica José Luís Lousada, coordenador do estudo e docente do departamento de Ciências Florestaisda UTAD.

A alternativa desenvolvida “permite datar as árvores através de um modelo matemático que relaciona a idade com as características dendrométricas do tronco (raio, diâmetro ou perímetro). Desta forma é possível proceder à sua datação por um processo extremamente rápido, não destrutivo e exequível mesmo em árvores ocas”, assinala o investigador.

Assim sendo, ao contrário do que se fazia até ao momento, este novo método não se baseia na identificação e contagem dos anéis de crescimento ou análise de radiocarbono da madeira formada nos primeiros anos de vida das árvores que obrigam ao seu abate e exigem que se conserve intacto todo o material lenhoso acumulado por elas ao longo da vida.

Esta nova metodologia exige que se faça um “ajustamento do modelo de crescimento médio das árvores de determinada espécie com a idade”.Depois de realizado este estudo, é possível “datar qualquer outra árvore da mesma espécie e região, em função das suas características dendrométricas”.

Modelo não pode ser extrapolado

Contudo, “o modelo desenvolvido é exclusivo de uma espécie florestal e da região em causa, não podendo ser extrapolado para outras espécies ou regiões com características edafo-climáticas diferentes”, frisou o docente da UTAD. Actualmente, este modelo “está aferido para as situações de Portugal, com forte influência mediterrânica”.

A parceria que originou este projecto surgiu em 2007, por proposta da Oliveiras Milenares à UTAD, e tem sido vantajosa para ambas as entidades, referiu José Luís Lousada.  “A Oliveiras Milenares facultou algumas dezenas de oliveiras idosas, que foram abatidas e que constituíram a base do trabalho de investigação preliminar” e suportou também todos os custos inerentes a este projecto. 

A empresa liderada por André Soares dos Reis encontrou um parceiro que, para além de ter conseguido dar resposta a este desafio (anteriormente proposto a outras instituições, mas sem resultados positivos), “se encarregou da elaboração de todos os trâmites legais para o registo da patente do método desenvolvido”.

Oliveira com 460 anos oferecida ao concelho <br> de Oliveira de Azeméis (clique para ampliar)
Oliveira com 460 anos oferecida ao concelho
de Oliveira de Azeméis (clique para ampliar)
O protocolo existente entre as duas instituições prevê que, com o recurso ao novo método, a UTAD emita os certificados que atestam a idade das oliveiras antigas comercializadas pela Oliveiras Milenares, recebendo uma importância acordada por esse serviço. “Há a expectativa de que o volume de vendas de oliveiras antigas seja incrementado pelo facto destas serem acompanhadas de um certificado que ateste a sua idade, emitido por uma instituição oficial e segundo um método patenteado”, concluiu José luís Lousada.

Uma das oliveiras já datadas, com 460 anos, foi oferecida pelo empresário André Soares dos Reis ao município de onde é natural, Oliveira de Azeméis. Aí decorrerá, na próxima terça-feira, dia 29 de Setembro, pelas 15 horas, em frente aos paços do concelho a cerimónia de certificação e apresentação oficial da patente registada pela UTAD e pelo empresário.


toni
2009-09-24
16:05
espetacular.. mais uma inovação a sair de portugal..
Licinio
2009-09-25
19:34
A nossa massa cinzenta, aqui a mostrar o seu valor. Os meus parabéns.
Antonio
2009-10-09
12:52
Os factos da notícia parecem-me ser estes : o estado - uma universidade pública - foi pago por uma empresa para a ajudar a identificar árvores que serão provavelmente removidas e transportadas para outro país. É realmente formidável tanta inovação e progresso.
Em breve só existirá plantado olival novo, de "grande intensidade " tb ele "espetacular "(sic). Viva a ciência.
Antonio M.
2009-11-01
12:06
Oh Antonio! Porque não exportar? Saem oliveiras, entra dinheiro. É como no futebol!

Adicionar comentário:

Comentário
Nome:
Email:
Insira as letras na caixa
Ciência Hoje não publica comentários anónimos. Ciência Hoje só publica comentários identificados com nome e email para eventual posterior contacto. Ciência Hoje recusa publicar comentários insultuosos ou ataques pessoais.

Últimas notícias

Da eficácia do exercício físico no tratamento das depressões

Vacina contra o Ébola revela-se cem por cento eficaz

A verdade sobre a infertilidade

INSA e OMS lutam contra a obesidade infantil

Burro mirandês em risco de extinção

De como a diabetes afecta a fertilidade

UTAD e Federação Portuguesa de Voleibol avaliam
performance dos jogadores da selecção nacional

Portugal conquista pela primeira vez medalha
na Olimpíada Internacional de Química

IST recebe 69 Milhões de horas
num dos supercomputadores mais rápidos do mundo

Criadores do «Magalhães» chegam ao Uruguai

Minho quer extrair colagénio da pele de tubarão

Hepatite C “pode estar erradicada dentro de alguns anos”

Área ardida em Portugal terá redução drástica
se houver prevenção de incêndios

Milheirinhas: os machos mais coloridos
cuidam melhor da plumagem

Aveiro abre caminho ao tratamento do vírus Ébola

Rastreios gratuitos a cancro de cabeça e pescoço
até sexta-feira em 12 hospitais

Universidades do Porto, Aveiro e Técnica de Lisboa lideram
produção científica das instituições científicas do Ensino Superior

Quimioterapia pode prejudicar doentes terminais

Todos os seropositivos devem receber terapia
independentemente da carga viral

Coimbra confirma eficácia de terapia inovadora
em vários tipos de cancro

Exterior dos jardins de infância não promove
desenvolvimento saudável das crianças

Novo medicamento pode retardar Alzheimer

Torres Vedras campeã do Mundo em robótica

Injecções em árvores vão controlar pragas de insectos

Oftalmologista português distinguido nos EUA

Jovem com VIH em remissão após tratamento precoce

Portugal é o 12º país europeu com mais projectos
submetidos ao Horizon 2020

Perigos dos microplásticos e dos fármacos preocupam ambientalistas

Quando soube que tinha cancro pensei:
cheguei ao fim da vida!

Cérebro dos desportistas responde 82% mais rápido
em situações de forte pressão