O terrível «impasse» da morte
18 vezes anunciada
Psicóloga aborda o recente caso
de execução falhadas nos EUA
2009-10-08
Por Liliana Leandro
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| Picaram Romell Broom 18 vezes sem sucesso |
Romell Broom, condenado à morte nos EUA, foi picado 18 vezes mas mesmo assim não lhe conseguiram injectar a solução letal que lhe tiraria a vida.
Para a professora de psicologia da saúde Teresa Andrade, da Escola Superior de Saúde Egas Moniz, a experiência deverá ter sido “terrível”, com sucessivas descargas de adrenalina.
Romell Broom, 53 anos, foi condenado à pena capital pela violação e homicídio de uma rapariga de 14 anos. Depois de 25 anos no corredor da morte, a 15 de Setembro iria ver cumprida a sua sentença de morte mas foi impossível aos seus executores injectarem-lhe os químicos mortais porque não conseguiram encontrar uma veia para o fazer. Os enfermeiros tentaram, em vão, 18 vezes. Durante duas horas picaram braços, pernas, tornozelos, chegando mesmo a atingir o osso, e foi escusado. Tiveram de suspender a execução.
“
Cada vez que tentavam injectar, havia descargas sucessivas de adrenalina. Esteve sempre no impasse com um impacto muito forte a nível psicológico”, explicou ao Ciência Hoje a professora, doutorada em luto e sentido de vida. Teresa Andrade acrescentou porém que este caso tem sempre duas leituras, já que deve também ser considerado o lado dos próprios enfermeiros, preparados para salvar vidas, e a quem é pedido que inflija a morte.
Para o próprio condenado, acrescentou, deve ter permanecido a ideia de esperança porque a tentativa falhada de execução resultou na sua própria vontade de adiar a sentença. “
Pode ter interpretado como um sinal de que as coisas podiam ser de outra maneira, independentemente de ser culpado”, sublinhou.
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Romell Broom esteve duas horas numa maca à espera de morrer |
Para os enfermeiros que tentaram aplicar-lhe a injecção letal toda a situação “deve
ter tido um peso psicológico muito grande”. Não apenas porque iriam intervir na morte mas tudo o que vão levar para casa. Um sentimento que descreve ser “
pior que o vivido numa situação de eutanásia” já que se irão questionar: “
e se se descobrir que é inocente? Será isto um sinal?”.
Em situações de eutanásia, que estudou durante o doutoramento, Teresa Andrade percebeu que são os profissionais que trabalham com casos certos de morte que mais sofrem psicologicamente e têm sintomas de ansiedade. “
Chegavam a dizer-me que levavam todo o cemitério para casa”. Por esse motivo, acredita que importa equacionar se deve haver uma intervenção humana em todo o processo de execução e se essa actuação tem mesmo de ser feita dessa maneira, ou seja, administrando uma injecção letal. “
Já há computadores para fazer tantas coisas automaticamente”, sugeriu.
Também para os familiares da vítima do condenado (uma jovem de 14 anos) “
talvez a execução não seja a melhor forma de apaziguar todo o sofrimento causado por um homicídio”. A professora acredita que o luto que se faz pela morte de um filho, mesmo que não haja um culpado, dura a vida inteira. Todo o episódio vivido, quando não conseguiram matar Broom, pode até ter desencadeado na família dúvidas sobre a autoria do crime.
Nos últimos 60 anos, Romell foi o primeiro a sobreviver. Porém, outras execuções houve nos EUA que falharam à primeira tentativa. Em 1983, no Alabama, um homem sobreviveu ao primeiro choque da cadeira eléctrica. Em 2006, na Florida, um homem precisou de levar a injecção letal duas vezes. Situações que levam a questionar os próprios defensores da pena de morte sobre a eficácia dos métodos utilizados e a forma como são aplicados.
Comentários
Marcus, em 2009-12-07 às 19:31, disse:
Com certeza ele devia ter pensado antes de fazer o que fez, e merece sim uma punição muito grande, mais também o que está sendo feito já é desumano, ele já passou 25 anos na cadeia, porque em vês de matarem não o deixem morrer na cadeia, ou tentem outra solução.Eleuza Garcia, em 2009-11-19 às 12:01, disse:
Será que não seria Deus mostrando que a sentença de morte só a Ele compete?
A pena de morte deveria ser abolida de qualquer pais..é mais viável o trabalho forçado, quando se está na cadeiaHélder Oliveira, em 2009-10-29 às 03:23, disse:
fico doente de ler estes comentários!! Como podem achar perdoar um criminoso desta natureza??? ele esteve 25 anos no corredor da morte mas a criança que ele assassinou não teve direito à vida sequer!! 25 anos é pouco!!Mariana, em 2009-10-14 às 22:35, disse:
As pessoas envolvidas neste caso, não devem ter neste momento a consciência tranquila. É uma crueldade o que fizeram a este homem. Contudo, este homem deveria ter pensado nos seus actos perante a menor.Octávio Magalhães, em 2009-10-11 às 12:16, disse:
A Justiça revela-se demasiadas vezes mais criminosa que os criminosos que condena.Gina Guerra, em 2009-10-11 às 12:02, disse:
um ser humano, nunca deveria ter autoridade para julgar desta forma estes crimes, ou seja, já é suficiente estar no corredor da morte durante 25 anos, penso que já se deveria julgar a pena cumprida...a pena de morte deveria ser abolida de qualquer pais..dstrindade, em 2009-10-09 às 20:30, disse:
Por muito horrível que tenha sido o crime praticado, já foi castigo suficiente o ter estado 25 anos no CORREDOR DA MORTE!Ivone, em 2009-10-09 às 16:36, disse:
Que estranho, achar-se absurdo alguém não morrer após 18 tentaivas de assassinatos ediondos, contra alguém que embora tenha praticado apenas 1 crime ediondo.
após 25 anos de tortura, este homem, já deveria ser visto como um ser humano?Claudina Rodrigues-Pousada, em 2009-10-09 às 15:30, disse:
Horroroso! Não será castigo suficiente estar 25 anos no corredor da morte! É difícil ter opiniões seguras sobre isto!Carla, em 2009-10-09 às 11:26, disse:
Safa!Antonio, em 2009-10-09 às 11:02, disse:
Poxa isto é demais!!!!!!!!!!!!!!!