Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
Vivo sob os escombros um mês depois - Um homem de 28 anos foi encontrado ontem com vida entre os escombros de um edifício no Haiti, onde terá estado preso desde 12 de janeiro

O terrível «impasse» da morte
18 vezes anunciada

Psicóloga aborda o recente caso
de execução falhadas nos EUA

2009-10-08
Por Liliana Leandro

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Picaram Romell Broom 18 vezes sem sucesso
Picaram Romell Broom 18 vezes sem sucesso
Romell Broom, condenado à morte nos EUA, foi picado 18 vezes mas mesmo assim não lhe conseguiram injectar a solução letal que lhe tiraria a vida.

Para a professora de psicologia da saúde Teresa Andrade, da Escola Superior de Saúde Egas Moniz, a experiência deverá ter sido “terrível”, com sucessivas descargas de adrenalina.

Romell Broom, 53 anos, foi condenado à pena capital pela violação e homicídio de uma rapariga de 14 anos. Depois de 25 anos no corredor da morte, a 15 de Setembro iria ver cumprida a sua sentença de morte mas foi impossível aos seus executores injectarem-lhe os químicos mortais porque não conseguiram encontrar uma veia para o fazer. Os enfermeiros tentaram, em vão, 18 vezes. Durante duas horas picaram braços, pernas, tornozelos, chegando mesmo a atingir o osso, e foi escusado. Tiveram de suspender a execução.

Cada vez que tentavam injectar, havia descargas sucessivas de adrenalina. Esteve sempre no impasse com um impacto muito forte a nível psicológico”, explicou ao Ciência Hoje a professora, doutorada em luto e sentido de vida. Teresa Andrade acrescentou porém que este caso tem sempre duas leituras, já que deve também ser considerado o lado dos próprios enfermeiros, preparados para salvar vidas, e a quem é pedido que inflija a morte.

Para o próprio condenado, acrescentou, deve ter permanecido a ideia de esperança porque a tentativa falhada de execução resultou na sua própria vontade de adiar a sentença. “Pode ter interpretado como um sinal de que as coisas podiam ser de outra maneira, independentemente de ser culpado”, sublinhou.

Romell Broom esteve duas horas numa maca <br> à espera de morrer
Romell Broom esteve duas horas numa maca
à espera de morrer
Para os enfermeiros que tentaram aplicar-lhe a injecção letal toda a situação “deve ter tido um peso psicológico muito grande”. Não apenas porque iriam intervir na morte mas tudo o que vão levar para casa. Um sentimento que descreve ser “pior que o vivido numa situação de eutanásia” já que se irão questionar: “e se se descobrir que é inocente? Será isto um sinal?”.

Em situações de eutanásia, que estudou durante o doutoramento, Teresa Andrade percebeu que são os profissionais que trabalham com casos certos de morte que mais sofrem psicologicamente e têm sintomas de ansiedade. “Chegavam a dizer-me que levavam todo o cemitério para casa”. Por esse motivo, acredita que importa equacionar se deve haver uma intervenção humana em todo o processo de execução e se essa actuação tem mesmo de ser feita dessa maneira, ou seja, administrando uma injecção letal. “Já há computadores para fazer tantas coisas automaticamente”, sugeriu.

Também para os familiares da vítima do condenado (uma jovem de 14 anos) “talvez a execução não seja a melhor forma de apaziguar todo o sofrimento causado por um homicídio”. A professora acredita que o luto que se faz pela morte de um filho, mesmo que não haja um culpado, dura a vida inteira. Todo o episódio vivido, quando não conseguiram matar Broom, pode até ter desencadeado na família dúvidas sobre a autoria do crime.

Nos últimos 60 anos, Romell foi o primeiro a sobreviver. Porém, outras execuções houve nos EUA que falharam à primeira tentativa. Em 1983, no Alabama, um homem sobreviveu ao primeiro choque da cadeira eléctrica. Em 2006, na Florida, um homem precisou de levar a injecção letal duas vezes. Situações que levam a questionar os próprios defensores da pena de morte sobre a eficácia dos métodos utilizados e a forma como são aplicados.




Comentários

Marcus, em 2009-12-07 às 19:31, disse:
Com certeza ele devia ter pensado antes de fazer o que fez, e merece sim uma punição muito grande, mais também o que está sendo feito já é desumano, ele já passou 25 anos na cadeia, porque em vês de matarem não o deixem morrer na cadeia, ou tentem outra solução.

Eleuza Garcia, em 2009-11-19 às 12:01, disse:
Será que não seria Deus mostrando que a sentença de morte só a Ele compete?
A pena de morte deveria ser abolida de qualquer pais..é mais viável o trabalho forçado, quando se está na cadeia


Hélder Oliveira, em 2009-10-29 às 03:23, disse:
fico doente de ler estes comentários!! Como podem achar perdoar um criminoso desta natureza??? ele esteve 25 anos no corredor da morte mas a criança que ele assassinou não teve direito à vida sequer!! 25 anos é pouco!!

Mariana, em 2009-10-14 às 22:35, disse:
As pessoas envolvidas neste caso, não devem ter neste momento a consciência tranquila. É uma crueldade o que fizeram a este homem. Contudo, este homem deveria ter pensado nos seus actos perante a menor.

Octávio Magalhães, em 2009-10-11 às 12:16, disse:
A Justiça revela-se demasiadas vezes mais criminosa que os criminosos que condena.

Gina Guerra, em 2009-10-11 às 12:02, disse:
um ser humano, nunca deveria ter autoridade para julgar desta forma estes crimes, ou seja, já é suficiente estar no corredor da morte durante 25 anos, penso que já se deveria julgar a pena cumprida...a pena de morte deveria ser abolida de qualquer pais..

dstrindade, em 2009-10-09 às 20:30, disse:
Por muito horrível que tenha sido o crime praticado, já foi castigo suficiente o ter estado 25 anos no CORREDOR DA MORTE!

Ivone, em 2009-10-09 às 16:36, disse:
Que estranho, achar-se absurdo alguém não morrer após 18 tentaivas de assassinatos ediondos, contra alguém que embora tenha praticado apenas 1 crime ediondo.
após 25 anos de tortura, este homem, já deveria ser visto como um ser humano?


Claudina Rodrigues-Pousada, em 2009-10-09 às 15:30, disse:
Horroroso! Não será castigo suficiente estar 25 anos no corredor da morte! É difícil ter opiniões seguras sobre isto!

Carla, em 2009-10-09 às 11:26, disse:
Safa!

Antonio, em 2009-10-09 às 11:02, disse:
Poxa isto é demais!!!!!!!!!!!!!!!

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