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Os cirurgiões são os mais bonitos?

2009-11-02
Por António Lúcio Baptista*

Serão os cirurgiões mais bonitos e atraentes do que os restantes médicos? Generalizou-se a ideia, talvez através da proliferação de séries televisivas e filmes cuja acção tem lugar em hospitais e clínicas - com a medicina como pano de fundo mas olhando de perto as relações entre os profissionais de saúde -, que os cirurgiões são mais altos, bonitos e charmosos.

Nestes programas, também as enfermeiras e técnicos de salas de operações surgem mais atraentes.

*Presidente da ALTEC e colunista de «Ciência Hoje»

Tema, aliás, já por mim largamente discutido com outros colegas cirurgiões. Foi com algum espanto, mas também satisfação, que tomei conhecimento de um estudo, publicado no British Medical Journal (¹), que procura demonstrar cientificamente a veracidade da minha obsessão de outrora. Neste estudo, médicos da Universidade de Barcelona verificaram que os estudantes masculinos mais altos e bem-parecidos pareciam estar mais vocacionados para as especialidades cirúrgicas, enquanto os mais baixos e de aparência mais discreta seriam predispostos para as especialidades médicas.

Com efeito, os cirurgiões são mais altos que os restantes médicos (179,4 centímetros versus 172,6). Foram então levadas a cabo várias amostragens, em médicos com idade média de 52 anos, apreciados por um júri de oito mulheres. Este estudo confirmou que os cirurgiões eram tidos como mais bonitos e “sexy” que os outros médicos. Porém, comparando os resultados obtidos pelos cirurgiões com os actores que os encarnam na televisão e cinema, é referido que “as estrelas cinematográficas que interpretam os cirurgiões são mais bem-parecidos que ambos os grupos de médicos”.

Patrick Dempsey faz de neurocirurgião <br> em «Anatomia de Grey»
Patrick Dempsey faz de neurocirurgião
em «Anatomia de Grey»
Entre as “estrelas” estavam Harrison Ford como "Dr. Richard Kimble" (neurocirugião no filme «O Fugitivo»), George Clooney como "Dr. Doug Ross" (pediatra na série de televisão «Serviço de Urgência»), Patrick Dempsey como "Dr. Derek Shepherd" (cirurgião na série «Anatomia de Grey»), e Hugh Laurie como Dr. Gregory House (nefrologista e especialista em doenças infecciosas, em «Dr. House»). Mesmo assim, tanto os cirurgiões como médicos de outras especialidades afirmaram-se satisfeitos com a sua escolha de carreira e mesmo com a sua aparência física.

Não foram, contudo, avançadas explicações para esta questão, podendo dever-se a razões ambientais ou genéticas, nem encontrei estudos referentes ao sexo feminino. Mas este poderá ser um bom tema para uma tese de mestrado. Se alguém pretender avançar… eu ajudo!

(¹) - “Phenotypic differences between male physicians, surgeons, and film stars: comparative study” - Antoni Trilla, Marta Aymerich, Antonio M Lacy, and Maria J Bertran - BMJ. 2006 Dezembro 23; 333(7582): 1291–1293. doi: 10.1136/bmj.39015.672373.80


José António
2009-11-04
11:36
Tantos estudos sérios para noticiar e apresentam isto!?!? Apesar deste lamento, PARABÉNS à equipa do CiênciaHoje por todo o restante trabalho de divulgação transversal!
cristiano
2009-11-06
10:48
alem disso mostramos uma imagem erronia de ser medico, ou seja para ser medico tem que ser bomito e atraente. pois estes estudos da muito que pensar.
Carlos Corrêa
2009-11-06
15:05
Qualquer dia teremos "passagens de cirurgiões"...
António Lúcio Baptista
2009-11-11
19:05
"Todos os comentários teriam alguma razão de ser se levarmos esta crónica à letra. Trata-se de um tema que deve ser visto com alguma dose de humor e ligeireza. Não deixa, porém, de ser curiosa a sua publicação no British Medical Journal. A Ciência também tem o seu lado "funny".

Estas observações, aliás, podem estar relacionadas com traços de personalidade. Alguns trabalhos publicados, como "Personality as a prognostic Factor for Speciality Choice:Discussion" publicado no Medscape Today e outros, incluindo o JPMG-Journal of Postgraduate Medicine, dão relevância a vários aspectos relacionados.

Talvez o tema me tenha chamado a atenção porque sou de estatura baixa ou mediana e, no início da minha carreira, tinha que subir para um degrau para ficar ao nível de alguns cirurgiões. Hoje, a tecnologia resolveu os problemas de visibilidade operatória e opera-se muitas vezes sentado. Pode ser uma reminiscência do meu passado que Freud poderia interpretar...e não falta de humildade... ou de sentido de humor".

António Lúcio Baptista
Leonor Barroso
2009-11-13
16:35
E a respeito das cirurgiãs??
Somos cada vez mais... ;-)
Mesmo se baixas, como eu...
antonio lucio baptista
2009-11-14
14:26
Obrigado Leonor

É muito bom que assim seja,as mulheres sao ponderadas e criteriosas.Eu nestas e outras questoes nao discrimino sexo,genero,cor,raça,religiao .Estou agora mais confuso com os cinco sexos.Ver artigo-quantos sexos ha afinal,Ciencia Hoje

Antonio Lucio Baptista
Maria Luis Salgado
2009-11-19
14:01
O humor e a boa disposição não podem nem devem estar separados da Ciência e, nos dias de hoje, tão pouco o deve estar a imagem. O cirurgião tem que ser um indivíduo com elevada auto-estima e a boa imagem favorece este traço de personalidade. É portanto natural que estes especialistas tenham esta particularidade em comum. Quero ainda acrescentar que a crescente quantidade de profissionais femininas por motivos mais que repisados, tambem sublinha o conceito estético, cada vez mais abrangente na nossa sociedade. Por fim, embora não tenha conhecimento de estudos publicados neste sentido, é minha convicção que a selecção começa antes da especialidade, logo na escolha da profissão e abrange outros ramos nomeadamente aquele a que sou mais sensível: a medicina veterinária.
Carlos Corrêa
2009-11-19
15:12
Não entendo a razão de um cirurgião ter de ser um indivíduo com elevada auto-estima! Em geral actua com os pacientes anestesiados ou mesmo inconscientes... que só lhe veem os olhos!
E um professor, que tem de enfrentar ma turma bem viva e buliçosa? E um actor?
E um manequim? E um desportista?
Maria Luis Salgado
2009-11-20
20:27
É verdade. Idealmente todos deveríamos ter elevada auto-estima! Acontece que o tema é médicos, e em particular cirurgiões. Neste contexto, quando refiro que um cirurgião tem que ter esta característica e que ela também decorre do aspecto físico(entre outros), quero dizer que a sua função é diferente da dos outros profissionais; é mais incisiva porque determina
em poucos segundos em que medida é que o «erro» se corrige.Porque cirurgião não é apenas o que opera um doente «knocked out», é também o que decide na hora, com confiança e determinação, dependendo desta capacidade a evolução do caso,ou se quisermos, o seu prognóstico. O estudo citado pelo artigo refere-se a profissionais médicos, e dentre estes, aos cirurgiões.Faz sentido!

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