Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010
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O futuro está no sector
ferroviário

Atrair jovens profissionais é objectivo
de Seminário

2009-11-14
Por Susana Lage (texto e fotos)

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Manuel Seabra Pereira com alunos de engenharia mecânica numa visita à Fertagus (clique para ampliar)
Manuel Seabra Pereira com alunos de engenharia mecânica numa visita à Fertagus (clique para ampliar)
O caminho-de-ferro não é coisa do passado. Em Portugal, a aposta fez-se depois de 1974 até aos anos 90 de uma forma tímida. Mas hoje em dia, o sector nacional e europeu tem grandes desafios nos transportes de alta velocidade e no desenvolvimento das redes transeuropeias de transportes. Para ultrapassar tais desafios, são necessários jovens profissionais com capacidade de inovar.

Segundo Manuel Seabra Pereira, o sector ferroviário “é um sector que está para ficar, é um sector de futuro, que às vezes tem tido uma imagem antiquada mas está agora a renascer”.

O professor do departamento de Engenharia Mecânica do Instituto Superior Técnico (IST) explica ao Ciência Hoje que “o sector ferroviário tem de crescer mais do que os outros transportes sendo que é mais seguro, mais limpo, energeticamente mais eficiente e, em muitos casos, mais confortável”. Para que isso aconteça, “tem de ter componentes de desenvolvimento, tem de ter o consenso e participação de todos e reunir inovação”, acrescenta.

VIII Seminário

Na próxima segunda-feira, realiza-se o VIII Seminário “Certificação, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico no domínio ferroviário”, no IST, em Lisboa, uma iniciativa conjunta do IST e da Associação Portuguesa para a Normalização e Certificação Ferroviária (APNCF).

Este Seminário, que se efectua no contexto de uma Exposição, nasce do projecto FUTURAIL financiado pela Comissão Europeia no âmbito do 7º Programa Quadro e coordenado pelo IST e que pretende contribuir para o desenvolvimento dum sector ferroviário mais competitivo e inovador através de uma melhor harmonização das necessidades de recursos humanos e a oferta de qualificações.

“O projecto FUTURAIL é basicamente uma ‘operação de charme’ para realçar a atractividade do sistema, as possibilidades que o sector oferece para o futuro”, afirma Manuel Seabra Pereira. “A nossa intenção clara é praticar uma acção de disseminação de um sector que está numa fase de renascença, que resolve grandes problemas de transportes e que precisa de inovação, precisa de gente nova para crescer”, explica o coordenador do projecto.

Eduardo Correia, engenheiro da APNCF
Eduardo Correia, engenheiro da APNCF
“As empresas do sector tem uma grande dificuldade em recrutar engenheiros porque há um estigma à volta do sector de que é uma coisa com 150 anos, que não oferece possibilidades para o futuro, não é inovador”, afirma Eduardo Correia ao Ciência Hoje. “O que nós queremos é mostrar que não é bem assim e dinamizar esta perspectiva sobre o sector”, revela o engenheiro da APNCF.

Participação da comunidade ferroviária

O Seminário terá a participação expressiva da comunidade ferroviária portuguesa, a exposição conta com a presença do secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Manuel Heitor, e será visitada nos dois dias subsequentes por alunos do Ensino Superior e Secundário. “Este encontro vai envolver a comunidade toda e vai ter 270 participantes do sector”, afirma Manuel Seabra Pereira.

A exposição inclui material circulante e equipamento de construção e manutenção de via colocado no exterior, no campus do IST, como é o caso de um vagão enorme que está a ser fabricado para a Comboios de Portugal (CP). Estão programadas apresentações de empresas e serão proporcionados contactos directos entre empresas e alunos.

A ideia é criar o ambiente e a oportunidade para os técnicos, cientistas, comunicadores, jovens, profissionais e industriais participarem neste desafio para o desenvolvimento de um sector ferroviário mais seguro, limpo, competitivo, inovador a atractivo. “Vai ser a primeira exposição ferroviária no Instituto Superior Técnico digna desse nome”, afirma Manuel Seabra Pereira.

Centro de Comando Operacional <br> da Rede Ferroviária Nacional, em Lisboa
Centro de Comando Operacional
da Rede Ferroviária Nacional, em Lisboa
Segundo Eduardo Correia, “existe um potencial, muito maior do que havia até agora, para as pessoas que acabam o curso na área da engenharia possam optar pelo sector ferroviário”. O engenheiro explica que alguns dos planos de investimento, como “a modernização da linha de Cascais, o metro do Mondego e os inter-regionais” estão já em curso. “São três coisas que a CP lançou, existe financiamento, é uma realidade que está a avançar”, afirma.

“O sector dos transportes é um sector vital porque com ele cresce a economia”, diz Manuel Seabra Pereira. Para o professor catedrático, “gradualmente, o sector está a adquirir uma postura de concorrência, de aumentar a sua atractividade”. Para conseguir isso, “tem de se reformular internamente para ter melhores performances e tornar os preços mais competitivos, o que requer inovação” acrescenta.

Segurança e fiabilidade

Um dos pontos fortes do transporte ferroviário é o seu “elevado nível de segurança e fiabilidade, baixos níveis de sinistralidade e elevada eficiência energética”, sublinha Manuel Seabra Pereira. Nos pontos fracos, o professor destaca a “excessiva utilização do carro que reduz a procura de transporte público”.

Neste ponto acrescenta que “enquanto não houver legislação de pagamento de externalidades associadas ao transporte, custos de externalidade como o climático, degradação do ambiente, congestionamento, etc., não há redução no uso deste meio de transporte”.

A questão em torno do comboio de alta velocidade (TGV) é entendida por Manuel Seabra Pereira como uma mais-valia para o futuro de Portugal. “A alta velocidade tem mostrado na Europa toda enormes mais valias. É um investimento grande e há países que têm sido exemplares em fazê-lo de uma forma sustentada”, afirma o professor.

“Claro que existem investimentos à nossa frente, nesta fase de crise, que têm de ser equacionados. Mas os méritos e lucros dos benefícios directos e indirectos com este investimento são enormes e não podem ser ignorados, é um projecto que não pode ser equacionado de forma circunstancial”, explica.



Comentários

Ruando Rangel, em 2009-11-16 às 20:54, disse:
Como engenheiro mecânico (FEUP-1969), estou totalmente de acordo com as declarações do Prof. Eng. Seabra Pereira. Afinal, a maioria das críticas ao transporte ferroviário, vêm daqueles que desconhecem vários parâmetros deste sistema de transporte ou defendem outros interesses que não envolvem o futuro do País.

Márcia Barbosa, em 2009-11-16 às 12:47, disse:
Estou interessada em participar nesta iniciativa. Lá estarei!
Considero o comboio o melhor meio de transporte...uso-o sempre que possível! Adoro a ideia de poder ler, trabalhar no pc, sem trânsito e apitadelas.
Que venham as melhorias e a modernização!


Maria C, em 2009-11-15 às 00:35, disse:
Num país tão dependente de energia de origem fóssil - nomeadamente do petróleo - e apesar da grande aposta nas eólicas, não se percebe porque razão o transporte de mercadorias, por exemplo, não é feito por ferrovias. Também não se percebe porque se tem desactivado linhas no interior (já que o deficit do sector não foi reduzido com esses encerramentos).
Veja-se a rede ferroviária da França ou a Alemanha e siga-se o exemplo.


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