Condição humana à luz do progresso das neurociências
V Conferências Internacionais de Filosofia
e Epistemologia do Instituto Piaget
2009-11-20
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| Congresso põe pensamentos em contraste |
Três dezenas de oradores vão reflectir durante três dias, em Viseu, sobre a condição humana à luz do progresso das neurociências, que aponta hipóteses que modificam a visão tradicional.
A partir de segunda-feira, participam nas V Conferências Internacionais de Filosofia e Epistemologia do Instituto Piaget nomes como o ensaísta George Steiner, da Universidade de Cambridge, e o filósofo iraniano Ramin Jahanbegloo, que recebeu recentemente o Prémio da Paz da Associação das Nações Unidas em Espanha.
As conferências partem das obras e pensamentos de George Steiner, do neurocientista António Damásio, do filósofo Espinosa e do escritor Miguel Torga.
"George Steiner, com todos os seus anos de reflexão, vai lançar a pergunta se é possível falar ainda hoje da uma condição humana, dizendo que, apesar de estarmos a evoluir, continuamos a ser bárbaros, e cada vez mais", avançou Pedro Cabrera, da organização do congresso.
Segundo o responsável, o pensador coloca em contraste
"o avanço tecnológico e cultural com a permanência da barbárie no início do século XXI, com crimes contra a humanidade, com o terrorismo".
Já Ramin Jahanbegloo, actualmente exilado no Canadá, vai
"pensar a cultura depois de Auschwitz", na terça-feira.
"Vai reflectir como é que num país que era o que havia de culturalmente mais avançado, a Alemanha, foi possível haver Auschwitz e também a maneira como isso hoje nos marca", referiu Pedro Cabrera.
Explicou que o progresso das neurociências, da investigação sobre o cérebro, avança hipóteses de
"que as emoções são muito mais determinantes no comportamento humano do que se pensava".
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| Texto de António Damâsio marca a presença |
Decisão racional
"Por exemplo, António Damásio (num texto enviado para a organização e que será lido durante a iniciativa) refere que, quando achamos que decidimos racionalmente, decidimos por emoções, sentimentos e outras condições de que nem temos consciência", contou.
Ou seja, quando uma pessoa afirma
"tomei esta decisão racionalmente", está
"a justificar-se a si própria", acrescentou. Pedro Cabrera destacou também a presença em Viseu de outros estudiosos prestigiados a nível internacional, como o biólogo Henri Atlan e o professor de Psicologia Experimental da Universidade de Oxford Edmund T. Rolls.
Desta forma, as conferências de Filosofia e Epistemologia do Instituto Piaget
"procuram contribuir para a abertura de novas perspectivas de reflexão e investigação interdisciplinar nos campos específicos da neurologia, da filosofia e dos estudos literários e culturais".
As conferências contam com participantes de Espanha, Inglaterra, França, Irão, Estados Unidos da América e Portugal e encerram as comemorações do 30º aniversário do Instituto Piaget em Portugal.
Comentários
graça vilela, em 2009-11-24 às 16:43, disse:
Tenho receio que estas pesquisas um dia longínquo sejam «mal utilizadas» e se viva uma «guerra sem sentido». Para quê ir tão ao fundo? A descoberta do outro, as emoções que nós despertamos no outro perderão sentido? Julgo que a neurociência tem tanto de bom como de mau. Depende quem a «utiliza»! O futuro depende da nossa presença hoje!cs, em 2009-11-23 às 09:58, disse:
gostava de saber quando Damásio falará e se de emoções além de Damásio haverá outras comunicações, dias e horas
grataM. Helena R. S. Serras Gago, em 2009-11-22 às 22:51, disse:
Por favor agradeço que considerem a minha inscrição para a Conferênciacristina baptista, em 2009-11-21 às 14:35, disse:
Tenho pena de só ter conhecimento agoara desta reunião. Gostaria de receber informações de futuras actividades na area da neurociencia.