Quinta-feira, 29 de Julho de 2010
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Pôr a «mão na massa»
e descobrir a ciência

IGC abriu as portas ao público

2009-11-22
Por Susana Lage (texto e fotos)

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Sílvia Castro, da equipa de Comunicação <br> e Relações Externas do IGC
Sílvia Castro, da equipa de Comunicação
e Relações Externas do IGC
As bactérias sabem contar? O que são neurocoisas? E modelos biológicos? Como se formam as manchas nas asas das borboletas? Porque rejeitamos os transplantes? Estas foram algumas das questões respondidas ontem, no Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), em Lisboa, durante a quarta edição do ‘Dia Aberto’.

Trata-se de “uma iniciativa de comunicação com o público, em que abrimos a porta do Instituto a todos os que nos queiram visitar, ficar a conhecer o laboratório por dentro, as áreas de investigação em que trabalhamos e interagir com os cientistas”, explica ao Ciência Hoje a neurocientista Sílvia Castro, uma das organizadoras da iniciativa.



Realizar experiências, assistir a peças de teatro e comédia stand-up, jantar com investigadores, visitar laboratórios, descobrir ‘genes misteriosos’ e viajar pelo ‘mundo fluorescente’ foram algumas actividades incluídas durante o dia.

 “As pessoas podem realmente por a ‘mão na massa’, isto é, fazer experiências e aprender alguma coisa pelo caminho”, afirma Sílvia Castro. “O objectivo é criar um espaço para o público em geral, onde reunimos desde famílias a jovens adultos que querem seguir carreira na ciência e vêm descobrir um pouco mais sobre o Instituto”.

Cientistas do IGC explicam as várias áreas de investigação
Cientistas do IGC explicam as várias áreas de investigação
“Os cientistas são por vezes retratados como pessoas fora do comum e nós estamos aqui para provar o contrário”, revela Sílvia Castro. O que foi conseguido, nomeadamente através do teatro ‘Cientistas de Pé’ com cientistas e sobre ciência. Este grupo de cientistas do ICG e de outros Institutos de investigação “teve um treino específico para stand-up comedy”, diz a organizadora.

Essencial a aproximação à sociedade

 E, ao contrário do que se possa imaginar, não se saíram nada mal desta ‘experiência’. “Ou eles ensaiaram muito bem ou tiveram muito bons professores, porque aquilo para eles parece ser muito simples de fazer”, acrescenta.

“É essencial que as instituições de investigação científica se aproximem tanto quanto possível da sociedade porque estamos a fazer uma coisa que pensamos ser para a sociedade e hoje em dia já ninguém tem a hesitação de que a ciência é a raiz de todo o progresso socioeconómico”, explica António Coutinho ao Ciência Hoje.

António Coutinho, director do IGC
António Coutinho, director do IGC
Por isso, “é nossa obrigação explicar às pessoas o que estamos a fazer porque o dinheiro que se utiliza nas instituições de investigação científica vêm de impostos e as pessoas têm o direito de saber como é que o dinheiro está a ser utilizado”, diz o director do IGC.

Segundo António Coutinho ”a ciência será tanto mais forte e consolidada nas sociedades quanto mais profundas forem as raízes dessas sociedades”. Para o investigador, os cientistas podem fazer por isso através de promoção de ciência, divulgação de ciência, educação pela ciência, “mas nas sociedades modernas há instituições que têm esse dever específico de ensinar ciência que se chamam as escolas”. Daí que estas iniciativas não sirvam para ensinar ciência, “são para mostrar como se faz e sobretudo falar dos valores da ciência”.

Uma obra cooperativa

Nas escolas, o conteúdo da ciência é transmitido por pessoas que, na maior parte dos casos, nunca fizeram ciência na vida. Daí que devam ser as instituições científicas a transmitir os valores da ciência. “É nossa obrigação, das instituições científicas e das pessoas que fazem ciência, de transmitir esses valores que são, por exemplo, a dúvida, o progresso, o entusiasmo e sobretudo a convicção de que isto é uma obra comum, de muitos ao mesmo tempo, profundamente cooperativa”, afirma António Coutinho.

As três edições anteriores do ‘Dia Aberto’ foram muito bem sucedidas, a do ano passado contou com mais de mil visitantes ao Instituto.

Visitantes interagem e aprendem <br> com os cientistas
Visitantes interagem e aprendem
com os cientistas
“Este ano tivemos azar com o tempo e temos menos gente do que no ano passado, mas não tenho dúvida que as pessoas interessam-se cada vez mais por ciência”, afirma António Coutinho. “Nas iniciativas que organizamos directamente para o público, já vi aqui, às vezes às oito ou nove da noite, cidadãos da vizinhança de Oeiras a ouvir ciência em vez de estarem em casa”, revela o investigador.

O director do ICG lamenta que não sejam dados mais apoios à investigação científica quando “em Portugal já se faz muito boa ciência”. Os apoios “são sempre insuficientes” porque “a comunidade científica tem vindo a crescer”.

Explica António Coutinho: “O apoio que seria muito bom aqui há um tempo, já o deixou de ser porque a comunidade entretanto cresceu” . E salienta: “Se é verdade que a ciência é a raiz de todo o progresso socioeconómico, não faz sentido que invistam apenas um por cento do orçamento do Estado em ciência”, sublinha. “Além disso, está comprovado que os investimentos em ciência pagam a relativamente curto prazo”, acrescenta.

Manon e Jorge gostaram

Manon e Jorge, dois visitantes satisfeitos com a iniciativa
Manon e Jorge, dois visitantes satisfeitos com a iniciativa
Manon e Jorge foram dois dos visitantes entusiasmados com a experiência do ‘Dia Aberto’ no IGC. “O que mais gostei de ver foi, através do microscópio, os vários estádios de desenvolvimento dos peixes e também achei muito interessante quando explicaram a forma como se formam as manchas nas asas das borboletas”, conta Manon ao Ciência Hoje.

“É importante este tipo de iniciativas porque as pessoas que não são desta área não percebem nada destes assuntos e devem tentar adquirir conhecimento para estarem mais familiarizados”, revela a estudante de fotografia.

“Gostei bastante das explicações que nos foram dadas sobre as várias experiências”, diz Jorge ao CH. Para o estudante também de fotografia, “o mais interessante é a possibilidade de assistir ao desenvolvimento de células”.



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