Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
Vivo sob os escombros um mês depois - Um homem de 28 anos foi encontrado ontem com vida entre os escombros de um edifício no Haiti, onde terá estado preso desde 12 de janeiro

É preciso mais empenho político para defender Laurissilva

2009-11-22

Partilhar

Raimundo Quintal defende a Floresta Laurissilva
Raimundo Quintal defende a Floresta Laurissilva
O geógrafo madeirense Raimundo Quintal defendeu hoje “mais empenhamento político e um combate mais intenso” para proteger a Floresta Laurissilva da ameaça das espécies infestantes.

Raimundo Quintal falava à agência Lusa da importância deste manto florestal que cobre cerca de 20 por cento da área do arquipélago da Madeira e é o único Património Natural Mundial da Unesco existente em território português, na véspera do Dia Ibérico da Floresta Autóctone, que se assinala segunda-feira.



Referiu que a floresta autóctone madeirense é composta sobretudo por mais de 15 mil hectares de Laurissilva, “na zona norte da ilha, devido aos ventos dominantes”.

“É muito importante referir que não foi por acaso que foi classificada pela Unesco em Dezembro de 1999, mas porque é uma floresta riquíssima em biodiversidade e integra muitas espécies que existiam na Europa no denominado Período Terciário e desapareceram com o arrefecimento do clima durante a glaciação do Quaternário”, destacou.

Há mais de 15 mil hectares de Laurissilva na zona norte da Madeira
Há mais de 15 mil hectares de Laurissilva na zona norte da Madeira
Raimundo Quintal apontou que algumas dessas espécies “desapareceram completamente (de outras regiões) e mantiveram-se na Madeira devido ao isolamento da ilha, sendo que outras foram evoluindo, daí a enorme riqueza ao nível da botânica, dos insectos e da fauna da floresta Laurissilva, sendo de realçar a avifauna”.

Menciona o caso do pombo-trocaz (Columba trocaz)., “a ave mais emblemática, o bis-bis e o tentilhão”.

Realça que, com a erradicação do pastoreio e o abandono de alguns terrenos agrícolas na zona norte da ilha da Madeira, a “floresta lausissilva tem vindo a crescer nos últimos anos”.

Para o geógrafo madeirense, os problemas para a floresta “são preocupantes e têm a ver com algumas espécies invasoras que são verdadeiramente ameaçadoras” para este património natural.

Bananilha  invadindo a Laurissilva nas serras da Boaventura, no norte da Madeira (foto cedida por Raimundo Quintal)
Bananilha invadindo a Laurissilva nas serras da Boaventura, no norte da Madeira (foto cedida por Raimundo Quintal)
Dá como exemplos de infestantes a “bananilha”, oriunda dos Himalaias, as pequenas árvores como o “incenseiro” da Austrália, “que chegou à região como espécie ornamental e cujo crescimento é preocupante em algumas zonas das serras de S.Jorge e Boaventura”, o arbustro “tabaqueira” da América do Sul e as “abundâncias” do México e da América Central.

“A cana vieira começa também a ter uma capacidade expansiva preocupante”, afirma.

“Se não queremos que aconteça na Madeira o que se passou em algumas ilhas dos Açores, onde algumas plantas invasoras fugiram completamente ao controle humano, é necessário adoptar uma estratégia muito maior, um combate mais intenso” a este problema, sustenta.

Considera ser determinante haver mais “empenhamento político” nesta área.

“Não podemos arriscar que este património da humanidade seja maculado, pelo que as comunidades madeirense e portuguesa têm de estar alerta para este facto”, concluiu.



Comentários

Lúcia, em 2009-11-24 às 10:33, disse:
É um problema realmente não se fazer uma intervenção rigorosa/ criteriosa afim de travar a proliferação das infestantes. Fiquei estupefacta quando visitei as Achadas da Cruz e constantei que a cana vieira está a ganhar terreno descontroladamente, ainda por cima numa zona tida como patrimonio mundial !!

O seu comentário:


O seu nome:


O seu email (não será publicado):






Concurso Dos 0 aos 100
Ciência Viva TV
FCCN - Fundação para a Computação Científica Nacional Ciência Viva


Contactos
Ficha técnica
Estatuto Editorial
Conselho Científico
A Palavra do Leitor
Portuguese Science