Níveis de dióxido de carbono
da Ria Formosa em estudo
Universidade do Algarve quer descobrir se ria consome mais ou produz mais CO2
2009-11-23
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| A Ria Formosa estende ao longo de 60 quilómetros |
Uma equipa de investigadores da Universidade do Algarve arranca em Janeiro com um projecto que visa estimar se a Ria Formosa consome ou produz mais carbono e de que forma as actividades humanas influenciam o metabolismo da ria.
A Ria Formosa - sistema lagunar que se estende ao longo de 60 quilómetros entre o Ancão e a Manta Rota -, é um consumidor de dióxido de carbono por ser dominada por plantas, que o consomem para a fotossíntese. Mas a presença de peixes e bactérias e as actividades desenvolvidas pelo homem contribuem para que a ria produza mais dióxido de carbono.
“A ideia é ver se a Ria Formosa se comporta como uma planta, consumindo mais CO2 do que aquele que produz ou, pelo contrário, como um animal”, resumiu Rui Santos, coordenador do grupo Algae, do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve.
O projecto é importante, explica, pois permite dar um passo no conhecimento dos efeitos da libertação de carbono na atmosfera e consequentes alterações climáticas.
“Vamos avaliar como é que a presença do homem afecta o metabolismo da ria”, disse, lembrando que todas as actividades humanas que impliquem a destruição das comunidades vegetais têm efeitos nefastos no sistema.
Como exemplos, Rui Santos indica a construção de marinas, a instalação de viveiros de bivalves - feita normalmente nas zonas de ervas marinhas, e as alterações da qualidade das águas provocadas pelas descargas das Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR).
Os investigadores vão usar dois métodos para medir a quantidade de carbono, como a análise das trocas efectuadas entre a ria e o oceano, a atmosfera e todo o CO2 que entra vindo das ETAR, ribeiras e linhas de água.
Vão também analisar com detalhe cada componente biológica da ria (ervas marinhas, algas, sapal e viveiros, por exemplo) para quantificar quanto produzem e quanto consomem, fazendo depois uma estimativa global.
O projecto, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), arranca em Janeiro e vai durar três anos, embora no decurso desse período já devam ser feitos relatórios preliminares.
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