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Perigos do duplo uso da ciência

Seminário sobre Bioterrorismo em Coimbra

2009-11-23

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Falta material educativo sobre biosegurança
Falta material educativo sobre biosegurança
O responsável de um centro de investigação no domínio da segurança global e do desarmamento defendeu hoje a necessidade de mobilizar a comunidade científica para os perigos do "duplo uso" das suas pesquisas, nomeadamente para o bioterrorismo.

"Estes assuntos são pouco tratados nas universidades europeias", afirmou Giulio Mancini, do Landau Network-Centro Volta (LNCV), organização não-governamental italiana, durante um seminário sobre «Biossegurança e bioterrorismo: o risco do duplo uso», que decorreu hoje no Instituto Botânico da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).


A par com o investigador James Revill, do Bradford Disarmament Research Centre, da Universidade de Bradford (Reino Unido), Giulio Mancini orientou hoje este seminário, o primeiro realizado pelos dois centros em Portugal, no âmbito do projecto conjunto Landau-Bradford, que visa a sensibilização e educação para as questões da biossegurança nas universidades europeias.

É necessário mobilizar comunidade científica <br> (Imagem: iStockphoto.com)
É necessário mobilizar comunidade científica
(Imagem: iStockphoto.com)
Estes dois centros de investigação têm actividade nos domínios da segurança e política, desarmamento mundial de armas de destruição maciça e controlo de armas nucleares, biológicas, químicas e convencionais, segundo uma nota da FCTUC.

"Os cientistas devem estar conscientes dos riscos de um 'duplo uso', isto é, informados sobre o perigo de um microrganismo se transformar numa arma biológica. É necessário educar e sensibilizar a comunidade científica, especialmente os estudantes, cujo trabalho se desenvolve maioritariamente nos laboratórios", segundo Helena Freiras, catedrática do Departamento de Ciências da Vida e membro da organização do evento.
De acordo com Giulio Mancini, a Comissão Europeia emanou uma recomendação para que estas questões integrassem os curricula universitários, mas é necessária ainda "uma educação sustentada" neste domínio.

"Os estudantes na área das ciências da vida estão sensibilizados para as questões da segurança no laboratório, mas não para as dimensões da biossegurança, nomeadamente para o uso indevido das suas pesquisas, com fins hostis", declarou à margem do evento.

@@Material educativo urgente

Um estudo feito no ano passado em várias universidades europeias, no âmbito do projecto Landau-Bradford, concluiu ser urgente material educativo sobre a temática da biossegurança.

Ao intervir no seminário, James Revill falou sobre os possíveis usos indevidos das ciências da vida e advertiu para o perigo de programas militares levarem os cientistas para "objectivos ofensivos e não defensivos".

Considerando a crescente preocupação, a nível mundial, sobre o possível uso de materiais biológicos para o bioterrorismo e armas de destruição maciça, "os cientistas assumem um papel importante, não só na sensibilização pública, como também, na participação activa na elaboração de políticas", segundo Helena Freitas, que interveio na abertura do seminário.

A iniciativa foi organizada pelo Departamento de Ciências da Vida e pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.


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