Do asfalto para o urbanismo
eco-amigável
Projecto vencedor do Re:Vision
é de duas empresas portuguesas
2009-11-26
Por Marlene Moura
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| Projecto português «Forwarding Dallas» venceu competição internacional |
O conceito de urbanismo sustentável vai tomando conta das consciências em nome do ambiente e, pouco a pouco, estratégias transversais vão sendo aplicadas no planeamento de construções mundiais. O futuro «Forwarding Dallas» será um exemplo disso nos Estados Unidos da América e a ideia é importada da Europa, mais precisamente de Portugal.
“E se um quarteirão no Texas se tornasse num modelo sustentável para o mundo, de forma a mudar a paisagem da região?” Ao responder a esta pergunta, duas empresas portuguesas – Atelier Data e MOOV, ambas de arquitectura – re-inventaram a noção de vivência urbana, e com ela, venceram a sexta edição do concurso Re:Vision Dallas.
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| A estrutura tem pisos diferenciados - entre quatro a 22 |
Filipe Vogt Rodrigues, um dos autores e arquitecto do Atelier Data, explicou ao
«Ciência Hoje» que o objectivo era
“substituir o parque de estacionamento [ainda] existente e idealizar um bloco que conjugasse habitação, comércio, espaço de lazer, escritórios e pequena zona agrícola comunitária”, em Dallas (EUA). No entanto, o conceito não se esgota nesse conjunto, já que o projecto teria de
“mudar o ambiente urbano” e transformá-lo num lugar
“de práticas sustentáveis”.
O repto foi lançado pelo grupo multifacetado Urban Re:Vision e pelo Central Dallas Community Development Corporation (CDC) e a escolha foi unânime: o
«Forwarding Dallas». John Greenan, directo executivo do Central Dallas CDC, definiu-o como
“o melhor trabalho que incorporasse conceitos de sustentabilidade no design da fundação”.
No final da semana passada, a parceria lusa regressou de Dallas, onde esteve em reunião, com a certeza de que tinha sido a escolha preferida, entre os 16 países da competição internacional, para revitalizar a região texana. Os três finalistas que assumiram o primeiro, segundo e terceiro lugares foram o Forwarding Dallas, Lisboa, Portugal; o Greenways Xero Energy, San Francisco, EUA e Entangled Bank, Carolina do Norte, EUA, respectivamente.
Responder a problemas concretos
O
Atelier Data traduz-se como uma plataforma pluridisciplinar com orientações diversas cujo campo de actuação se centra essencialmente no desenvolvimento de projectos na área da arquitectura. Procura desenvolver estratégias que respondam de forma clara a problemas concretos e recorre a representações diagramáticas e elementares como método de diagnóstico e resposta.
Americanos pouco eco-amigáveis
Segundo o arquitecto português, a grande pretensão é
“catapultar Dallas para o universo da sustentabilidade – o que é inovador nos Estados Unidos”, já que os americanos
“não são um povo muito eco-amigáveis”, sublinhou.
António Louro, co-autor do MOOV, reforçou ao
«Ciência Hoje» que
“o estilo de vida americano é de facto pouco sustentável, mas têm a intenção manifesta de mudar esse paradigma”. E acrescenta que
“este projecto dá precisamente um passo nesse sentido”.
Manter a natureza a funcionar enquanto houver interacção humana não é fácil, mas a Urban Re:Vision acredita que
“através de ideias inovadoras, saudáveis e sustentáveis é possível criar um plano para melhorar as cidades em todo o lado”. O grupo prevê que este desafio seja
“um exemplo que poderá ser adoptado noutras cidades dos Estados Unidos”.
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| A cobertura terá produção de vegetais para consumo. |
O
«Forwarding Dallas», cujo arranque está previsto para 2010 e a conclusão para 2011, não visa apenas a construção de uma estrutura física, mas especialmente
“a criação os meios para que uma comunidade possa habitar nele”.
Cruzamento de áreas
Para isso, a equipa portuguesa teve em conta uma série de estratégias aplicadas a 40 mil metros quadrados, combinando vários factores que vão desde
“ventilação transversal, passando pela optimização da exposição solar ao uso da cobertura para produção de vegetais para consumo”, explicou ainda António Louro.
Uma postura pro-activa
O
MOOV é um estúdio de arte e projecto cuja abordagem “adisciplinar” procura fomentar a exploração de novos campos de actuação gerados pela intersecção da arquitectura com outras áreas do conhecimento, sejam elas criativas ou técnicas. Adopta uma postura pro-activa de desafio às práticas estabelecidas, os projectos do estúdio tanto podem ser sinónimo de uma performance, de uma instalação urbana, de um filme ou um edifício.
A estrutura traduzira-se em espaços verdes no interior do quarteirão e nas coberturas para produção agrícola, estufas nos andares superiores, um sistema de construção cem por cento pré-fabricado, predominantemente de materiais locais; unidades habitacionais diferenciadas desde estúdios a apartamentos com três quatros para 854 habitantes.
A urbanização – com pisos diferenciados, desde quatro a 22 – agregará ainda sistemas fotovoltaicos e eólicos que forneçam toda a energia necessária, sistema ajustável de persianas fotovoltaicas nas fachadas sudoeste; paredes de palha com grande inércia térmica e extra isolamento nas fachadas nordeste; zonas permeáveis para prevenção de cheias e ainda que todos os espaços sejam acessíveis a pessoas com mobilidade condicionada.
Contudo, é um trabalho bastante
“expectável”, diz o profissional da MOOV
. E conclui:
“Dependemos da componente de investigação, porque muitas das técnicas serão aplicadas pela primeira vez”.
Comentários
jonna, em 2010-01-01 às 20:53, disse:
love it