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«Escavação» cósmica revela vestígios da origem da via láctea

Enxame estelar Terzan 5 é alvo de estudo

2009-11-26

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Enxame estelar Terzan 5 (Imagem: ESO)
Enxame estelar Terzan 5 (Imagem: ESO)
Uma equipa de astrónomos descobriu, entre espessas nuvens de poeira, uma estranha mistura de estrelas em Terzan 5 (grupo estrelar). O estranho “cocktail” de estrelas sugere que Terzan 5 é de facto um dos blocos construtores do bojo, mais provavelmente uma relíquia de uma galáxia anã que se fundiu com a Via Láctea durante a sua fase inicial.

Tal como os arqueólogos que escavam, por entre camadas de poeira, restos de civilizações passadas e desenterram peças cruciais da história da humanidade, também os astrónomos observaram por entre as grossas camadas de poeira interestelar que obscurecem o bojo da Via Láctea e revelaram uma relíquia cósmica extraordinária.

“A história da Via Láctea está codificada no interior nos seus fragmentos mais antigos, enxames globulares e outros sistemas de estrelas que foram testemunhas de toda a evolução da nossa galáxia,” diz Francesco Ferraro, autor principal do artigo que aparece na edição desta semana da revista «Nature».

Vista ao redor do enxame estelar <br> (Imagem: ESO)
Vista ao redor do enxame estelar
(Imagem: ESO)
As novas observações mostram que este objecto [Terzan 5] ao contrário da maioria, com a excepção de alguns enxames globulares peculiares, não alberga estrelas nascidas todas ao mesmo tempo - a que os astrónomos chamam “população única”. Em vez disso, a imensa quantidade de estrelas brilhantes no Terzan 5 vem de, pelo menos, duas épocas distintas, a mais antiga de há 12 mil milhões de anos e a outra de seis mil milhões de anos.

“Apenas mais um enxame globular com uma história semelhante de formação estelar, bastante complexa, foi observado no halo da Via Láctea: Omega Centauri,” diz o membro da equipa Emanuele Dalessandro. “ Esta é, por isso, a primeira vez que observamos este fenómeno do bojo da Galáxia.”

Região inacessível

O bojo é a região da Galáxia mais inacessível, em termos de observações astronómicas: apenas a radiação infravermelha consegue penetrar as nuvens de poeira e revelar as suas miríades de estrelas. “É apenas devido aos soberbos instrumentos montados no Very Large Telescope do ESO,” segundo a co-autora Barbara Lanzoni, “que conseguimos finalmente, ‘penetrar o nevoeiro’ e obter uma perspectiva completamente nova da origem do próprio bojo galáctico”.

Nuvens de poeira (Imagem: ESO)
Nuvens de poeira (Imagem: ESO)
Uma jóia da técnica encontra-se nos bastidores desta descoberta, o instrumento Multi-conjugate Adaptive Optics Demonstrator (MAD) que, na fronteira da tecnologia, permite ao VLT obter imagens altamente detalhadas no infravermelho. A óptica adaptativa é a técnica pela qual os astrónomos conseguem eliminar o efeito de manchas em fontes pontuais que a turbulência existente na atmosfera terrestre inflige às imagens astronómicas obtidas pelos telescópios no solo.

Com o apurado olho do VLT os astrónomos descobriram igualmente que Terzan 5 tem mais massa do que se pensava anteriormente: em conjunto com uma composição complexa e uma história de formação estelar agitada, este facto sugere que o sistema possa ser um resto sobrevivente de uma galáxia anã desfeita, que colidiu e consequentemente se fundiu com a Via Láctea durante a sua fase inicial, contribuindo assim para a formação do bojo galáctico.

“Esta pode ser a primeira de uma série de descobertas que permitirão compreender a origem dos bojos nas galáxias, algo que ainda é frequentemente debatido”, conclui Ferraro.


Comentários

Gustavo Lepe, em 2009-11-29 às 02:27, disse:
No Século XVI a descoberta do Novo Mundo, agora, no Século XXI, a descoberta do Universo, a descoberta de nós mesmos.

isac, em 2009-11-27 às 13:55, disse:
interessante

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