Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010
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Cimeira Ibero-Americana:
Portugal é o país que mais investe em Ciência e Tecnologia

2009-11-28

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Estoril acolhe a Cimeira
Estoril acolhe a Cimeira
Portugal é o país da Comunidade Ibero-Americana que investe maior percentagem do PIB em Ciência e Tecnologia, tendo melhores indicadores nesta área do que os estados-membros da América Latina e estando ao nível da Espanha, em termos gerais.

A despesa total nacional em Investigação e Desenvolvimento era de 1,21 por cento do PIB em 2007, ano em que a de Espanha era de 1,27 por cento. Mas em 2008 Portugal passou para 1,51 por cento, a alguma distância dos restantes países da Comunidade Ibero-Americana.


Brasil, Argentina, Chile e México são os países da América Latina com melhores indicadores de desenvolvimento científico, embora Portugal esteja mais desenvolvido a esse nível do que todos estes estados.

José Bonfim, delegado nacional do Programa Ibero-Americano de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento (CYTED), disse à Lusa que o Brasil se destaca pelo crescimento em Ciência e Tecnologia e é o país latino-americano que mais está a crescer tanto em número de doutorados como de investigadores e de publicações científicas.

"O Brasil representa por si só cerca de 50 por cento das publicações científicas da América Latina e também cresceu muito em capacitação internacional e em número de instituições", afirmou este membro da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

Em despesa por investigador, em 2007, a Espanha foi o país que mais investiu (58,2 milhares de euros), seguida do Brasil (48,7), Portugal (34,3) e Argentina (14,9), sendo que o vizinho ibérico estava também à frente no número de investigadores por população activa (9,35 por mil habitantes), tendo Portugal 9,16, Argentina 3,68 e Brasil 2,02, de acordo com dados do RICYT (Rede de Indicadores de Ciência e Tecnologia Ibero-americana e Inter-americana).
Além de apostar muito em ciência, não só em pessoas como em infra-estruturas e equipamentos, o Governo brasileiro está a alargar esse investimento a regiões menos desenvolvidas, não se limitando, como até há pouco tempo, a São Paulo e Rio de Janeiro.

Segundo José Bonfim, a dinâmica de crescimento do Brasil é a mais rápida na região. Em consequência disso, tem aumentado muito a cooperação com os Estados Unidos e com países europeus como Portugal, Espanha e França.

Portugal privilegia relações com Brasil e Argentina

A Argentina está também a crescer do ponto de vista qualitativo e mantém uma boa cooperação científica com o Brasil. Brasil e Argentina são, aliás, os países da América Latina com os quais Portugal tem mais relações científicas, através de acordos de cooperação bilateral.

Com o México, que desenvolve uma forte cooperação com os Estados Unidos, Portugal tem um acordo cultural que prevê alguma cooperação científica, mas menos intensiva, precisou José Bonfim, sendo de prever a abertura de novos acordos bilaterais. O Chile tem também uma capacidade assinalável, com muitas universidades e um bom potencial científico. José Bonfim citou ainda como "pequenos países interessantes": a Costa Rica e o Uruguai, além de Cuba.

O programa CYTED, que envolve Portugal, Espanha e 19 países latino-americanos, está centrado em projectos de investigação com potencial de aplicação no desenvolvimento. Abrange áreas como saúde, desenvolvimento sustentável, agro-alimentar, ciência e sociedade ou desenvolvimento industrial, e o papel de José Bonfim é promover a participação de Portugal nessas redes de investigadores, sobretudo no que se refere à partilha de resultados.

Portugal acolhe a partir de domingo a XIX Cimeira Ibero-americana, cujo tema é inovação e Conhecimento.












Comentários

Alberto Carvalhal Campos, em 2009-12-03 às 09:48, disse:
Isto é a melhor coisa que um país deve fazer. Quem fica preocupado com pobreza, em desviar verbas para sustentar pobres, fica eternamente no 3º mundo.
A pobreza deve ser combatida e não incentivada. O pobre deve ser amparado e vigiado para não se reproduzir. Só poderia ter filhos, quem tivesse condições de cria-los com dignidade. Não é como ter um cachorrinho. A pobreza arrasa uma nação. Direitos humanos sim, mas com sabedoria.


Manuel Gomes, em 2009-12-02 às 10:08, disse:
Só é pena que os jovens bolseiros investigadores ganhem tão mal (700/900 €, segundo me disseram. Se não me engano, as bolsas não são actualizadas desde 2001. O que ganham hoje está ao nível de um emprego não qualificado. Ainda não vi nenhum sindicato chamar a atenção para esta situação.

Antoscar, em 2009-11-30 às 19:54, disse:
Concordo com Mário Laima; a maioria dos cientistas e de tecnologia portuguesa vivera ou ainda vivem no estrangeiro, e estes acordos de Portugal com outros países neste sentido, ainda não são para mim. Porque depois de alguns outros países aprenderem, podem muito bem desenvolverem ainda melhor que os portugueses, e depois podem até não passar tais desenvolvimentos. Eu o estou dizendo em algo descoberto aos mais altos níveis; pois assim os EUA se têm qualificado orgulhosamente desta forma, quando a maioria sempre o foram os estrangeiros como portugueses que desenvolveram também, e com uma ajuda financeira deles. É o mesmo do que eu li neste artigo vosso; de que o Brasil se tem revelado muito bem nas infra-estruturas, da qual eu não concordo, só se estão relacionando com as descobertas petrolíferas, da qual a GALP portuguesa que tem contribuído bastante com a Petróbras, e não tem sido escrita em jornais brasileiros, e no Senado nem a palavra de empresa portuguesa em cinco anos foi mencionada, nem a ajuda de Portugal nesse fim na maior descoberta de todos os tempos do Prá-sal em Santos e guardei vários artigos nesse sentido. Eu sobe de que a GALP assim se envolveu, pela internet de Portugal. Por essa e outras semelhantes como dos investimentos portugueses feitos no Brasil pouco ou nada se tem mencionado. Gato escaldado até de água fria tem medo e eu agora em Portugal da qual fui para o Brasil do Canada a onde vivi 32 anos.
Como sou Luso-Canadiano me dá para pensar novamente depois de 42 anos que estive fora de Portugal. Me desculpem mas sempre o foi e tem mesmo que continuar os segredos científicos como tecnológicos dos que sejam totalmente fora de série ou sofisticados. Poderia continuar em resposta ao que li; mas ficamos por aqui.


Mario Laima, em 2009-11-30 às 12:31, disse:
Investe sim, mas não dá oprtunidades àqueles que já estão doutorados e não têm emprego no sistema, pois não são bem vindos...(concorrência)... infelizmente são muitos os exilados cientificos portugueses.

Miguel A. Reis, em 2009-11-30 às 11:29, disse:
Esta é uma boa notícia que reflecte o facto de ter sido reconhecida finalmente em Portugal e todo o espaço ibero-americano, a importância económica do sector de ciência, tecnologia e inovação. Libertadas que estão verbas importantes para apoio ao sector, importa agora dar um passo tão ou mais importante que este, a saber, reconhecer que é necessário usar as verbas disponíveis dentro do espaço ibero-americano, apoiando pessoas e ideias de modo estruturado e continuado. Apoiar a construção de infraestruturas que permanecem vazias, condicionar contabilisticamente os modos como as verbas são aplicadas pelos investigadores e inovadores, com a suposição de que se podem aplicar modelos económicos simplistas neste contexto, é puro desperdício de verbas. Promover o baixo salário e a falta de regalias contratuais dos jovens que se querem dedicar à investigação e ciência, é outro modelo político que tem de ser revisto. Cientistas, investigadores e inovadores, constituem uma classe que só pode produzir eficazmente se apoiada sem restrições administrativas promotoras de objectivos meramente estatísticos. A ciência, investigação e inovação englobam um conjunto de actividades profissionais que requerem níveis muito elevados de dedicação, empenho e risco profissional. Têm por isso que ser devidamente incentivadas para que seja possível recrutar os melhores, e importa aqui recrutar efectivamente os melhores, e não quem aparece melhor na fotografia ou nas estatísticas de maior impacto mediático.

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