Lémures evitam incesto
através do odor
Primatas de Madagáscar distinguem parentes através de alerta emitido pelo órgão sexual
2009-12-03
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Christine Drea analisou dados de 17 lémures fêmea |
Um estudo realizado por investigadores do Departamento da Antropologia Evolutiva da Universidade de Duke (EUA) sugere que os lémures (Lemur catta) distinguem os parentes através de um alerta olfactivo emitido pelo órgão sexual. Isto evita o incesto e fortalece os laços familiares destes primatas da Ilha de Madagáscar. O artigo foi agora publicado na «BMC Evolutionary Biology».
Muitas espécies evitam o incesto para que a prole não sofra de más-formações nem de doenças. A maior parte dos primatas consegue reconhecer os seus parentes através da aprendizagem.
Os estudos até agora realizados nunca foram muito claros a explicar de que forma alguns animais são capazes de distinguir congéneres que não têm parentesco directo, sobretudo em espécies com tendência para a promiscuidade, como os lémures.
A equipa de investigação, liderada por Christine Drea, analisou dados genéticos e bioquímicos de 17 lémures fêmea recolhidos durante um ano e comparou-se com os dados de 19 machos.
Descobriram, assim, que os genitais das fêmeas lémures emitem até 170 substâncias que possuem um odor particular. O escroto dos seus parentes machos segrega essas mesmas substâncias, o que faz com que sejam reconhecidas por ambos.
A secreção dessas substâncias é maior durante a época de acasalamento. Durante o resto do ano é segregada em menor quantidade.
As provas conseguidas são as primeiras, a nível molecular, de que o odor dos órgãos sexuais dos lémures contêm marcadores de parentescos, considera Christine Drea.
Artigo:
Decoding an olfactory mechanism of kin recognition and inbreeding avoidance in a primateComentários