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Carta do CERN: 50 Anos de Aceleradores e de Prémios Nobel2009-12-14 Por Ricardo Gonçalo *
* Royal Holloway University of London, CERN Há 50 anos, às 19h35 de 24 de Novembro de 1959, o sincrotrão de protões do CERN (Proton Synchrotron ou PS) ultrapassou os seus competidores nos Estados Unidos ao acelerar feixes de protões até à energia de 22 GeV (Giga-electrão-Volt). Tornou-se, assim, no acelerador de partículas mais energético do mundo de então. Praticamente no mesmo dia, 50 anos passados, foi a vez do novo acelerador do CERN, o LHC, quebrar o recorde mundial acelerando feixes de protões até à energia de 1180 GeV (ver Ciência Hoje de 30/11/2009). Espera-se que muito em breve o LHC atinja os 7 000 GeV e os 14 000 GeV dentro de pouco mais de um ano. Para celebrar os 50 anos do PS, o CERN organizou um simpósio no qual participaram 13 físicos galardoados com o prémio Nobel. O simpósio serviu para rever as descobertas mais importantes feitas na área da física de partículas no último meio século.
Para provar que os cálculos desta teoria fazem sentido (ou, em termos técnicos, para provar que a teoria é renormalizável), o que não era evidente em 1971, foi indispensável o trabalho teórico de Martinus Veltman e do seu estudante de doutoramento de então, Gerardus t'Hooft. Frank Wilczek e David Gross, também presentes no simpósio, foram galardoados com o prémio Nobel da Física de 2004, juntamente com David Politzer, pelas suas enormes contribuições para a cromodinâmica quântica. Juntas, as teorias electrofraca e da cromodinâmica quântica explicam o comportamento e interacções das partículas elementares. Constituem o mais profundo conhecimento que a espécie humana tem do funcionamento íntimo do universo.
A detecção do νμ resolveu grandes questões teóricas e contribuiu muito para as descobertas posteriores. Esteve igualmente presente Jerome Friedman, que ajudou a provar que os protões são constituídos por partículas mais elementares (quarks e gluões). Samuel Ting e Burton Richter, também presentes, lideraram as duas equipas rivais que causaram (mais) uma revolução em 1974. Ambos identificaram uma partícula (chamada "J/ψ") que continha um quark c, até aí desconhecido. Richter nomeou a nova partícula de ψ (psi), e Ting chamou-lhe J. Logo se compreendeu que se tratava da mesma, mas nenhum dos dois grupos estava disposto a ceder a “sua” partícula que passados alguns anos ficou conhecida como J/ψ. Finalmente, esteve presente James Cronin, que estudou certos decaimentos de partículas K0 que podem estar relacionados com a falta de antimatéria no universo. Esta assimetria entre matéria e antimatéria é dificilmente explicável no caso de o «Big Bang» ter criado, como se pensa, quantidades iguais de matéria e antimatéria.
Falando de física teórica, Steven Weinberg disse o que pode ser um bom sumário do simpósio: “O que temos vindo a descobrir nos últimos 30 anos é o papel fundamental desempenhado pelas medidas experimentais. Não só para verificar as nossa teorias, mas também para inspirar novas hipóteses. Por isso há muito que esperar deste novo capítulo que vai começar com o LHC”. Após estas cinco décadas, o velho PS continua ainda em funcionamento, apesar de restarem apenas os seus 101 electroímanes de entre as peças originais. Na sua longa carreira acelerou feixes de protões e depois de antiprotões (a partícula de antimatéria, ou antipartícula, que corresponde ao protão), electrões, positrões (antipartícula do electrão) e iões vários. Além de fornecer estes feixes a experiências isoladas, é usado para fazer a aceleração inicial dos protões que acabam no LHC. Talvez saiam daqui alguns dos próximos galardoados dos prémios Nobel! Comentários |
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