Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010
A violência está de volta a Maputo - Incidentes voltaram esta manhã a Maputo com carga policial sobre os populares. Pelas ruas da cidade o dispositivo policial é enorme. Pilhagens e pneus queimados pintam o cenário da capital

Visão de futuro é urgente!

2009-12-14
Por Vítor Oliveira Jorge

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Vítor Oliveira Jorge
Vítor Oliveira Jorge

Portugal é um país de cultura antiga e de imensos atractivos num mundo globalizado, onde o inglês se impõs como a língua de comunicação.

A maior parte do conhecimento produz-se e transmite-se hoje em inglês. Até para promover a "cultura portuguesa" é preciso fazê-lo por múltiplas vias, em inglês.

Ora, como podem as nossas universidades competir na Europa e no mundo se não fornecerem cursos em inglês, a preços competitivos?

* Professor decano da Faculdade de Letras da Universidade do Porto



Como podem organismos de ensino superior ter páginas web sem versão em inglês, com clara informação sobre os cursos e as suas formas de acesso?

Mas as nossas universidades por si nada podem sem a atracção das cidades, porque não se imagina universidades no meio do campo: universidades, cidades, aeroportos são coisas ligadas entre si, e sobretudo são vitais as conexões entre transportes de alta velocidade (as estradas, só, não) e grandes eventos internacionais culturais, que são poderosos atractores.

A "cultura" está a mudar, e não necessariamente sempre para pior. Abandonemos a pia lamentação de que tudo se transformou em coisa superficial. Os meios de comunicação e novas cosmovisões são um e o mesmo fenómeno. E é preciso não acompanhá-lo, mas adiantarmo-nos a ele. Como? As nossas cidades ou são centros cosmopolitas, com cultura, arte, ciência, congressos de organismos de ponta, ou são província, ficam fora do mapa.

Já era tempo de sermos cada vez mais orgulhosos de Portugal. Promovendo-o em inglês. Acabaram-se os Viriatos da nossa escola primária antiga. O que importa é que venha gente para aqui de todo o mundo criar coisas e que parta gente daqui para em todo o mundo criar coisas.

O resto são saudosos de Júlio Dinis. Quem goste dessa paz dos campos leia o autor e/ouça a sinfonia pastoral do Beethoven, magníficas obras, pronto. Mas não fiquemos a ouvir os passarinhos, ou os tecnocratas de vistas a curto prazo. Basta!

Comentários

Carola Meierrose (professora universitaria , há 32 anos), em 2010-08-02 às 17:32, disse:
Portugal pertence a União Europeia em que se falam pelo menos 29 línguas. Para partilhar com outros Europeus - e não só - os tesouros da cultura Portuguesa, seria muito importante que os jovens falassem não só bem a sua língua materna mas também outras tantas línguas desta União. Seria importante promover os intercâmbios à todos os níveis. O Inglês apenas seria uma parte obrigatória do ensino, para habilitar os nossos jovens com as mesmas ferramentas que possuem os outros da sua idade, nos outros países da União Europeia. O mercado de trabalho hoje em dia é internacional, não só fora do país, mas também dentro de Portugal.

Há já 50 anos, uma criança Alemã que percorresse a escola secundária (9 anos) tinha nas aulas , para além da língua Alemã, 9 anos de Inglês, 5 anos de Latim (obrigatório para obter o "Grande Latinum" exigido para estudar nas universidades ciências, línguas, história, medicina, direito etc.), 5 anos de Francês e todas as outras matérias do currículo incluindo ciências naturais e exactas, música, arte, desportos e nas tardes, sempre livres, ofertas optativas tais teatro activo, outras línguas, trabalhos manuais como desenho ou olaria, desportos vários, enfim, as crianças e adolescentes desfrutavam de um amplo leque de matérias interessantes, e não eram avaliadas em todas elas (as da tarde), para não travar o seu interesse com classificações eventualmente desmotivadoras. O saber também se constrói sem classificação. Estas crianças tinham escolhas que os tornaram participantes activos na sua formação.

Para quando o reconhecimento que um ensino polifacetado e internacionalizado é a única maneira de dar futuro aliciante à cultura Portuguesa? Cada Português em cada local deste mundo globalizado é o melhor embaixador da sua cultura, não só nos PALOPs.


Paulo Bento, em 2010-07-09 às 12:26, disse:
Estou de acordo com vários dos pontos de vista aqui apresentados mas a Língua é uma das componente principais da Cultura de um Povo donde devemos reforçar a comunicação em bom Português e dominarmos o Inglês para comunicação com os que não entendem o Português.

É isto que é feito nos países de línguas menos faladas mas que são exemplos de Boas Práticas como a Suécia ou a Alemanha – falam bem a língua de origem e também o Inglês.

Já agora, é bom que em Portugal se reforce a importância de saber falar e escrever em bom Português.


António Correia, em 2010-05-17 às 14:02, disse:
Os nosso estudantes deveriam ter um nível de Inglês C+

Vítor Oliveira Jorge, em 2010-04-28 às 20:37, disse:
Desenvolver o inglês e outras línguas (bem como outras competências, é claro) num mundo de contactos cada vez mais intensos, não significa em nada desvalorizar o Português, única língua que domino de facto bem e em que me exprimo literariamente. Não existe qualquer incompatibilidade, como é evidente. Por outro lado, é preciso lutar pela afirmação do Português em todos os fóruns, isso é óbvio, e ensinar Português como já acontece aos estudantes que escolhem Portugal. Isso está fora de causa, e bem hajam todos os que enriquecem a língua portuguesa, realidade viva, todos os dias! A questão do inglês é meramente instrumental, sobretudo para mim, que leio e falo razoavelmente, mas fui educado e fiz o meu doutoramento (embora escrito em português) em francês. Essa é a outra língua cujas subtilezas ainda sou capaz de atingir. Também me safo com o castelhano e o Italiano, este só lendo alto, mas percebo tudo. Já o alemão, tão importante, é uma falha na minha formação... estudar uma língua é ampliar o espaço identitário, é viajar e desenvolver espaço mental e de abertura ao outro, ou seja, é ser universitário. Os grandes fundadores da Europa moderna sempre escreveram em várias línguas e se movimentaram em muitos países. Como não fazer isso hoje, em que o transporte aéreo nos permite ir a Paris ou Londres por 20 euros?... O espírito universitário é cosmopolita por definição! Pena tenho eu de quando me ensinaram grego e latim no liceu não ter sido mais aplicado, pois estava numa idade adolescente/jovem em que falavam mais as coisas vivas do que as línguas mortas... tão importantes todavia para perceber a nossa cultura ocidental, que fala grego e latim!...
Saudações cordiais
V.O.J.


José Pedro Ribeiro, em 2010-04-25 às 13:52, disse:
Um enorme abraço para o Professor-Doutor e Poeta (a ordem é arbitrária) Vítor Oliveira Jorge com quem sondei, nos fins dos 70, os segredos do Megalítico na belíssima Serra da Aboboreira. Muitas saudades!

Antonio Manuel Martins Miguel, em 2010-04-21 às 18:45, disse:
Dou meus parabéns a Carlos fragateiro !!
Temos que nos afirmar como língua portuguesa e não deixar que nos amesquinhem. Só no Brasil sãos 200 milhões, fora os restantes milhões dos PALOPS !!
Deixemo-nos de complexos de inferioridade e façamos tudo para nos afirmarmos, não apenas na escrita, mas também na música. Temos excelente música e "vendemos" às americanices e inglesices. Algumas das nossas estações de rádio não colhem o ridículo a que chegam ao passar horas e horas a fio de música estrangeira, deixando o português para último lugar.
Não ponho em dúvida a necessidade do conhecimento da lingua Inglesa, antes pelo contrário, mas o português sempre primeiro.
Temos isso sim de lutar para que os nossos estudantes saibam ler e escrever português muitíssimo bem, pois o vai por aí é lamentável. Não temos tido nem ministros da Educação competentes, nem sindicatos capazes de defender o que devem defender, a não ser apenas o cifrão e regalias.
Fui professor do ensino superior, há 20 anos, já a escrita de muitos alunos me incomodava e me obrigava a penalizar quem não escrevia bem. Hoje sei também por experiência própria que o problema se agravou. O facilitismo trás a desgraça !!
Na causa destas coisas está a competência dos dirigentes sejam eles quem forem !!


MARGARIDA MARIA VAZ, em 2010-04-13 às 16:08, disse:
eu me comunico em português do BRASIL é claro, onde a diversidade de cultura é muito grande, concordo com o professor quando diz que a cultura muda para pior, e que estudar Inglês, custa caro, nem todos podem, como Arte Educadora de adolescentes vejo as dificuldades dessas famílias e a preocupação em poder por o filho em escola de inglês.

Ana Gomes, em 2010-01-26 às 15:00, disse:
Totalmente de acordo. O inglês é fundamental, bom inglês para usar a par de bom português. Podemos dar as voltas que quisermos e regressar ao ponto de partida, mas de um ponto de vista puramente pragmático, o caminho, penso, é esse.
Já agora: pode indicar o seu blog e os seus contactos facebook incluído?


Carlos Corrêa, em 2009-12-30 às 17:33, disse:
Preocupa-me mais a pouca qualidade do português do que a pouca qualidade do inglês. Para que existem os acentos, espaços e outras "niquices" do português?

Vítor Oliveira Jorge, em 2009-12-24 às 13:37, disse:
Concordo com António Lúcio Baptista.
Não concordo com Carlos Fragateiro. Também não creio ter vistas curtas... mas não fui entendido por si. De qualquer modo, gostava de conhecer o seu projecto. Conhece o meu blogue e os meus contactos, facebook incluído?...
Boas Festas!


antonio lucio baptista, em 2009-12-19 às 21:15, disse:
Estou plenamente de acordo.Mais, a Europa so pode ser promovida em Ingles.Tambem o modo como vemos as coisas dependa da linguagem que aprendemos-ver trabalho de Lara Boroditsky Professora de Neurociencias da Universidade de Stanford "How Does Our Language Shape the Way We Think".

Muitos dos trabalhos cientificos das nossas Universidades nao sao publicados em revistas internacionais de prestigio devido a pouca qualidade do seu ingles.As nossas Universidades deverao ter um gabinete para corrigir e dar forma aos trabalhos escritos pelos nossos Investigadore,Medicos,etc.
A nossa vocaçao poliglota aliada aos conhecimentos e capacidade inter-relacional criam oportunidades unicas para os Portugueses e o mesmo deve ser feito para promover o pais-European West Coast.
Antonio Lucio Baptista
Cirurgiao


Carlos Fragateiro, em 2009-12-15 às 15:30, disse:
Como é possível dizer que o nosso futuro passa pelo inglês, quando no mundo há 230 milhões de falantes em português, e com o Castelhano costituímos um universo de 690 milhões. Como é possível haver vistas tão curtas quando com o português é possível ter os vários olhares do mundo capazes de inventar os futuros possíveis. Por favor... Eu estou a desenvolver um projecto que se chama "Ler o Mundo em Português" e não necessito de o divulgar em inglês para o afirmar internacionalmente. Carlos Fragateiro

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