Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010
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Fundos de pensões para animais

2009-12-17
Por António Lúcio Baptista *

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Um amigo meu foi recentemente encontrado inanimado em sua casa. Está internado num hospital central em coma por possível hemorragia cerebral, com prognóstico muito reservado. Para além desta notícia, que me entristece imenso, há outro aspecto que me causa alguma ansiedade.

Vivia sozinho com o seu cão, o seu ente mais próximo, que não pode chamar o INEM (os cães não sabem – ainda – ligar o telemóvel). Não sei qual foi a reacção do cão enquanto o meu amigo jazia inconsciente – se o lambeu, se chorou, se ladrou! Nada fez efeito. Se ele falecer ou ficar em coma, o que irá acontecer ao cão? Vai para abate? Conseguirá que alguém o recolha e tome conta dele?

* Presidente da ALTEC e colunista de «Ciência Hoje»

Não sendo este exactamente o caso, sabemos contudo que são abandonados anualmente cerca de um milhão de animais, o que levanta inclusivamente questões relacionadas com a saúde pública. Por que não criar, como existe no Reino Unido e com o patrocínio da rainha (Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals), um fundo de pensões para animais de estimação?

Em Portugal, esta sociedade poderia até ser patrocinada por uma ou várias entidades, sob o lema da responsabilidade social, neste caso sobre os animais. Porque os animais merecem toda a nossa estima e amizade.

Certamente que este meu amigo não se teria importado de descontar uma pequena quantia por mês para ter a certeza que o seu amigo de quatro patas ficaria bem entregue e cuidado, em caso de acidente ou impossibilidade do próprio, como infelizmente sobreveio. E estaria melhor, sabendo que o seu fiel companheiro não ficaria entregue à bicharada. Como disse o naturalista alemão Alexander van Humboldt, “mede-se o grau de civilização de um povo pela forma como este trata os seus animais”. E nós?


Comentários

Nanda, em 2009-12-23 às 11:04, disse:
Há só um ponto que queria realçar... quando se falam em seguros para animais, ou fundos de salvaguarda, como os várias vezes referidos nestes comentários, esquecemo-nos que existem realidades bastante diversificadas. Provavelmente, como terão conciência. Nem toda o "dono" terá possibilidades económicas de fazer um seguro para o seu animal, e isso não significa que não lhe todo o valor. E a salvaguarda daqueles animais que são se consegue identificar o dono e consequentemente não têm seguro? Concordo que deveria haver um fundo de salvaguarda, mas que chegasse àqueles que efectivamente precisam e não só aos "VIPs"

Sonia, em 2009-12-22 às 01:21, disse:
Acho engraçado o argumento em que há sempre alguma coisa que se deve fazer antes! Este argumento serve para tudo e na verdade não serve para nada! As boas acções e o que é correcto não se coloca em lista de espera... fazem-se simplesmente! Não é porque os cães, gatos e outros animais de 4 patas passam a receber ajuda que os animais de 2 patas recebem menos. Uma coisa não invalida a outra!

Acho que seria muito bom conseguir-se fazer algo assim... talvez um dia haja força suficiente! Já temos seguros de saúde para animais. Apesar de não serem bons, já é alguma coisa.


Fernando Coruche, em 2009-12-21 às 15:31, disse:
Concordo
Será uma Instituição Privada a constituir e que vai gerar postos de trabalho em vários domínios do conhecimento; é humano que se preveja o futuro e o sustento dos animais de companhia. É um 1º passo para corrigir outras situações que também atormentam as consciências.


André Marquet, em 2009-12-21 às 13:22, disse:
Penso que este fundo é interessante - julgo até que, deveria haver um seguro obrigatório para esta situação - para todos os possuidores de animais domésticos. Quem gosta de animais domésticos, deve garantir a sua sobrevivencia caso deixe de poder garantir a sua substitencia.

Alexandra, em 2009-12-21 às 11:54, disse:
Excelente ideia! Concordo plenamente.

maria josé, em 2009-12-20 às 18:17, disse:
É bem verdade. A nossa formação humana pode ser avaliada pelo modo como nos relacionamos com os animais. Participarei deste projecto.

humberto.nelson, em 2009-12-20 às 13:09, disse:
concordo

António, em 2009-12-19 às 03:48, disse:
Sinceramente, enquanto houver crianças com fome neste mundo e "cidadãos conscientes" a financiar a indústria militar com os seus impostos, acho esse tipo de questões perfeitamente dispensáveis.

Enaira Vaz, em 2009-12-18 às 20:19, disse:
A Fundação chama-se Urbe-Natura, fazemos um trabalho de Posse Responsável de animais nas escolas da rede pública na minha região.

Enaira Vaz, em 2009-12-18 às 20:16, disse:
Eu sou tão a favor que com meu patrimônio criei uma fundação para cuidar de meus bichinhos depois que que for.

Christian Gomes Ramos, em 2009-12-18 às 15:19, disse:
Concordo e subscrevo. Efectivamente os animais ainda são tratados como se não tivessem direitos. Aliás, o que geralmente vem a público são as supostas mal feitorias, sim, porque um cão que ataca alguém, tem uma razão subjacente, mesmo que indirecta, como medo de pessoas, por ter sido mal tratado anteriormente. Facilmente a sociedade ignora os inúmeros cães que trabalham com cegos, crianças, policia, bombeiros e protecção civil, e para cidadãos incognitos, apenas como guardas ou fies amigos e companheiros.
Por outro lado, os abandonos são reflexo da falta de regulamentação e fiscalização da existente, onde um animal abandonado fica incognito, visto ainda não estarem todos "chipados". No Reino Unido, a título de exemplo, o dono de um animal que seja considerado culpado de maus tratos (que incluí abandono) pode chegar a ter que cumprir 6 meses de prisão efectiva, ou até 2 anos se o animal não sobreviver.

Assim seria possível obrigar as pessoas a serem responsáveis pelos animais e a consentirem-lhes o devido respeito.


carla meira, em 2009-12-18 às 14:57, disse:
acho bem porque á muitos animais sem casa e abrigo. e precisam de alguem que lhe de carinho e amor .e tambem animais aos chutos e pontapes pelo mundo todo

stella, em 2009-12-18 às 11:51, disse:
é um questao mt pertinente

fernanda, em 2009-12-18 às 11:15, disse:
Concordo, o cão é o maior amigo do homem e se treinado, pode ser útil, como para orientar cegos, deficientes, salvar pessoas, etc, pois há raças para cada utilidade e apercebem-se quando o dono não está bem.

Eserra, em 2009-12-18 às 11:15, disse:
Porque não a Ciência Hoje liderar um movimento para criação de um produto financeiro desta natureza? Estou certa que qualquer Banco encontrará utilidade financeira neste novo serviço.

luisa, em 2009-12-18 às 10:53, disse:
concordo plenamente é uma ideia fora de série, mas não sei se vão conseguir

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