Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010
A violência está de volta a Maputo - Incidentes voltaram esta manhã a Maputo com carga policial sobre os populares. Pelas ruas da cidade o dispositivo policial é enorme. Pilhagens e pneus queimados pintam o cenário da capital

Descoberta depressão
no mar dos Açores

«Ovo Estrelado» poderá ter resultado
do impacto de um meteorito

2009-12-18

Partilhar

A forma distintiva da cratera valeu-lhe o nome de «Ovo Estrelado»
A forma distintiva da cratera valeu-lhe o nome de «Ovo Estrelado»
Cientistas portugueses descobriram perto dos Açores uma depressão do fundo do Oceano Atlântico e acreditam que esta tenha sido originada pelo impacto de um meteorito, noticiou hoje a estação britânica BBC News.

A cratera é relativamente circular, com uma cavidade com seis quilómetros de largura e possui uma ampla cúpula central com três quilómetros de diâmetro e 300 metros de altura, pelo que foi denominada "Ovo Estrelado". Caso se confirme que a sua origem resulta do impacto de um corpo exterior, estima-se que a colisão tenha ocorrido nos últimos 17 milhões de anos, a provável idade máxima do fundo basáltico da rocha submarina onde está a cratera.

A EMEPC...
foi criada em 2005 e é responsável pela realização dos estudos técnicos necessários à apresentação de uma proposta de extensão da plataforma continental de Portugal, para além das 200 milhas náuticas.
"Para ter a certeza, precisamos de retirar amostras e fazer um perfil das camadas sedimentares, para determinar se existe realmente uma elevação central decorrente de um impacto", explicou Frederico Dias, da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental Portuguesa (EMEPC).  

De acordo com o especialista, será também necessário analisar os sinais consistentes com um impacto a alta velocidade, como a acumulação de materiais rochosos e a existência de fragmentos de rocha de forma cónica, que se formam a partir das altas pressões associadas a fenómenos vulcânicos e ao impacto de meteoritos.

Três quilómetros a oeste do "Ovo Estrelado", há outra depressão que apresenta características homólogas, embora tenha dimensões menores. "Se o 'Ovo Estrelado' for uma cratera, o outro também poderá ser", especulou Frederico Dias, pois, embora picos centrais estejam frequentemente associados a impactos de meteoritos, não são uma prova definitiva de que tal tenha acontecido.

O investigador descreveu este provável impacto no encontro de Outono da União Geofísica Norte-americana (AGU), a maior reunião anual de cientistas ligados às ciências da Terra, que termina hoje em São Francisco.

Origem vulcânica improvável

O "Ovo Estrelado" foi inicialmente identificado a partir de informação reunida numa investigação hidrográfica, em 2008. Uma nova acção, que decorreu entre Setembro e Novembro deste ano, confirmou a sua presença. Esta depressão está localizada a dois quilómetros de profundidade, a 150 quilómetros do arquipélago dos Açores.

A sua origem vulcânica parece improvável, pois os investigadores não conseguiram descobrir a presença de correntes de lava na estrutura ou nas suas imediações. Uma terceira expedição à área vai avançar no início de 2010 e retirar amostras do solo oceânico para análise com o auxílio de um veículo operado remotamente.

Os investigadores presentes no encontro de Outono da União Geofísica Norte-americana ficaram divididos relativamente à teoria do português, que se defendeu dizendo que "mesmo que não se trate de uma depressão de impacto, apresenta características muito interessantes".

"Grande importância científica"

Manuel Pinto de Abreu, responsável da EMEPC, já se manifestou sobre esta descoberta, dizendo que pode ser “importante do ponto de vista científico". O mesmo realçou ainda a importância "económica" desta depressão.

"No caso da nova formação geológica ter origem no impacto de um meteorito estará associada à concentração de metais, mas caso tenha resultado de um chamado vulcão de lama estará normalmente associado à ocorrência de metano, o que é importante do ponto de vista energético", sublinhou em declarações à Lusa.

Por estarem a ser consideradas aquelas "duas hipóteses" ou ainda "um fenómeno completamente novo", Manuel Pinto de Abreu explicou que são necessárias mais análises e estudos complementares. “Esperamos que dentro de um ano seja possível ter mais informações sobre o significado da formação", referiu o responsável.



Comentários

O seu comentário:


O seu nome:


O seu email (não será publicado):






Ciência Viva TV
FCCN - Fundação para a Computação Científica Nacional Ciência Viva


Contactos
Ficha técnica
Estatuto Editorial
Conselho Científico
A Palavra do Leitor
Portuguese Science