Presentes «estratégicos» para preservar a tartaruga-sada
em São Tomé e Príncipe
2009-12-18
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| Crianças receberão presentes a 6 de Janeiro |
“Carinho e uma tartaruga de peluche para cada criança da Ilha do Príncipe” dá o nome a uma campanha inserida no Programa SADA, um projecto de investigação e conservação da tartaruga-sada na Ilha do Príncipe, em São Tomé e Príncipe.
A equipa de investigadores envolvidos no projecto pretende com esta iniciativa “assegurar que todas as crianças da Ilha do Príncipe, um meio muito pobre, recebem pelo menos um presente de Natal” e fazer com que essa oferta estratégica “contribua para salvar da extinção a tartaruga-de-escamas-levantadas, ou tartaruga-sada, outrora abundante na costa africana mas cuja reprodução no continente africano se concentra, hoje em dia, na Ilha do Príncipe”.
A existência de apenas entre 40 e 50 fêmeas reprodutoras de tartarugas-de-escamas-levantadas em toda a costa ocidental de África põe em risco
“a viabilidade ecológica desta espécie”, assegura Nuno de Santos Loureiro, docente e investigador da UAlg, que actual líder do Programa SADA.
A utilização da carapaça desta espécie de tartaruga no fabrico de vários objectos artesanais, desde bijutaria a pequenas caixas ou até terços ditou o final da abundância destes animais na costa africana. Deste modo, a Ilha do Príncipe é provavelmente o último local em África onde a tartaruga-sada, espécie extremamente territorial, continua a reproduzir-se.
“Ser territorial significa que as fêmeas vão sempre voltar ao sítio onde nasceram para pôr os ovos”, explicou o investigador. Como o único predador que a tartaruga-sada enfrenta na fase adulta são as populações locais, a sensibilização destas pessoas para a necessidade de preservar a espécie assume contornos importantíssimos.
Sensibilizar para preservar
No terreno há um ano, a equipa coordenada por Nuno de Santos Loureiro, no âmbito do Programa SADA, que inclui investigadores da Universidade do Algarve, das faculdades de Ciências e de Medicina Veterinária da Universidade Técnica de Lisboa e da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e do Oceanário de Lisboa, está a agir em duas frentes.
“Queremos saber mais sobre esta espécie do ponto de vista biológico e ecológico e estamos a trabalhar no sentido de impedir a extinção da tartaruga-sada na Ilha do Príncipe”, num processo que decorre em estreita parceria com as autoridades locais e com a população.
A campanha de solidariedade «Carinho e uma tartaruga de peluche para cada criança da Ilha do Príncipe», surgiu neste contexto de intervenção comunitária. O Programa SADA propõe-se assim a oferecer, a 6 de Janeiro de 2010, uma tartaruga de peluche a cada uma das 850 crianças daquela Ilha com idades entre os 2 e os 5 anos, cujos pais não têm possibilidades para comprar presentes de Natal.
"Não esquecerão as tartarugas como animais muito especiais"
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| Peluches vão sensibilizar a população |
“As crianças ficarão felizes. Vão receber um verdadeiro presente, num dia que será de festa, e nunca mais esquecerão as tartarugas como animais muito especiais. Os adultos também vão entender a nossa mensagem”, adiantou Nuno de Santos Loureiro.
Na opinião do líder deste projecto, a ligação que as crianças vão criar com o brinquedo oferecido vai sensibilizá-las para a problemática da tartaruga-sada.
A distribuição dos peluches às crianças fará com que a equipa de investigação percorra todas as comunidades da ilha do Príncipe, o que permitirá também
“uma melhor sensibilização pessoal dos adultos”, conclui Nuno de Santos Loureiro.
São parceiros institucionais desta iniciativa, além da UAlg, o Governo Regional do Príncipe, o Oceanário de Lisboa, a TAP Air Portugal, a Rádio Regional do Príncipe e o Praia Boi Nature Resort.
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