Quinta-feira, 29 de Julho de 2010
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Cérebro de quem se vê feio funciona de modo diferente

Doença mental impede os indivíduos de reconhecerem o próprio rosto frente ao espelho

2010-02-03

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Pacientes vêm a sua imagem deformada <br> (Ilustração baseada numa obra de Picasso)
Pacientes vêm a sua imagem deformada
(Ilustração baseada numa obra de Picasso)
Umas são lindíssimas e outras nem tanto. O que têm em comum as pessoas com transtorno dismórfico corporal? Quando se olham ao espelho, este devolve-lhes a imagem de alguém feio e deformado.

Não é complexo nem falta de auto-estima. É sim uma doença psiquiátrica que afecta de um a dois por centro a população. Um estudo acaba de comprovar que os cérebros destes indivíduos têm uma percepção díspar quando contemplam o próprio rosto.

Conhecer o que ocorre exactamente na cabeça de quem sofre da patologia é vital para ajudá-los a deixar para trás a angustia que lhes gera a sua aparência. Muitos pacientes são incapazes de ter uma vida normal − metade requer hospitalização em algum momento da vida e 25 por cento tenta suicidar-se.



A investigação publicada na última edição da Archives of General Psychiatry comparou as áreas cerebrais que se activavam em 17 pessoas afectadas e noutras 16 saudáveis enquanto observavam uma fotografia de si próprios e outra de um actor famoso.

Com o objectivo de apurar mais um pouco a análise do processamento visual, os cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, mostraram imagens digitais em três resoluções diferentes: normal, um formato que ressalta os detalhes (manchas, perfil de nariz e olhos e cabelo, por exemplo) e uma configuração onde apenas se percebe a relação espacial entre as diferentes partes da cara e a forma desta.

Actividade cerebral particular

A ressonância magnética funcional, que permite observar em tempo real as zonas cerebrais que se activam com a realização de uma actividade concreta, foi o método escolhido para a análise dos testes.

Jamie Feusner, autor do estudo
Jamie Feusner, autor do estudo
Quando os indivíduos com transtorno dismórfico viam a sua cara na imagem era visível uma hiperactivação das estruturas do cérebro relacionadas com o processamento visual das particularidades. Isto não acontecia quando olhavam para a fotografia do actor famoso. As pessoas saudáveis não tiveram a esta reacção com qualquer uma das imagens.

Pelo contrário, quando se mostrava, aos indivíduos doentes, um retrato não alterado e aquele onde unicamente aparecia o contorno facial, registava-se uma hipoactivação das regiões cerebrais implicadas neste processo.

Rosto sem informação

Estes padrões anormais de activação provam que as pessoas com a doença têm dificuldades em extrair informação de um rosto. “Estes indivíduos percebem fundamentalmente os detalhes e têm danificada a capacidade de os contextualizar dentro de um conjunto”, afirmam os autores.

Os resultados deste trabalho mostram certas semelhanças com a actividade cerebral observada em pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo. Existe a hipótese de ambas as patologias respondem a mecanismos neurológicos idênticos.


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