Quarta-feira, 8 de Setembro de 2010
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Peixes têm memória e grande capacidade de aprendizagem

2010-02-03

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Peixes  preferem a companhia de outros <br>que lhes parecem familiares (Foto: J.Fontes/ImagDOP)
Peixes preferem a companhia de outros
que lhes parecem familiares (Foto: J.Fontes/ImagDOP)

O velho mito de que a memória de um peixe é reduzida a uma fracção de segundos foi mais uma vez desmentido por um estudo que concluiu que os peixes não só conseguem lembrar-se dos seus predadores por pelo menos um ano, como ainda têm uma capacidade de aprendizagem excelente.

“Isto significa que o comportamento [dos peixes] é, ao contrário do que se pensava, altamente flexível”, disse à BBC o coordenador do estudo, Kevin Warburton, investigador da Universidade Charles Sturt, na Austrália.



De acordo com Warburton, que analisou detalhadamente o comportamento dos peixes de água doce da Austrália, particularmente a perca prateada, comum naquela região, os peixes podem lembrar-se de seus predadores, mesmo após um único encontro. O mesmo acontece com qualquer objecto que possa representar uma ameaça para o animal. 

 “Se um peixe morde um anzol e consegue escapar, guarda esta experiência na sua memória e é muito difícil que volte a morder um anzol numa segunda oportunidade”, exemplificou o investigador, acrescentando que o desconhecimento sobre o comportamento dos peixes leva muitas vezes a achar-se que quando não há pesca numa determinada região é porque se esgotaram os recursos ou que então já lá não há peixe. “Na realidade o que pode ocorrer é que os peixes estão ali, mas não caem na armadilha”, explica.

Além disso, os peixes aprendem a conhecer profundamente o seu ambiente e a associar a abundância de alimentos ou os perigos com determinados lugares. Deste modo, recorrem a esta informação para identificar alternativas no caso de surgir alguma ameaça ou para traçar as suas rotas favoritas.

Tomada de decisões

Outra das características identificadas foi a sofisticação do processo utilizado pelos peixes para a tomada de decisões. “Os peixes preferem a companhia dos peixes que lhe parecem familiares, já que podem ler o seu comportamento mais facilmente” e “escolhem unir-se a um cardume porque nadar em grupo lhes traz benefícios em termos de protecção diante dos predadores e na busca de alimentos”,esclarece o investigador.

Para testar a memória dos peixes, Warburton e a sua equipa estudaram os peixes no seu ambiente natural, analisando a sua relação com as características próprias do seu habitat. Posteriormente transferiram alguns exemplares para um laboratório, onde estudaram os seus movimentos e reacções.

Para Warburton, a habilidade dos peixes para lembrar e para aprender é tão complexa que “estudar o seu comportamento permitir-nos-á também aprender algo sobre nossa própria conduta”.



Comentários

Marco, em 2010-05-06 às 13:23, disse:
Estou em desacordo no que diz respeito à "rotina de alimentação"! Nas várias experiências que já realizei com algumas espécies dulcícolas, denota-se francamente o reconhecimento do recipiente... Ao apresentar um recipiente diferente, não houve praticamente reacção, porém, com o recipiente habitual os peixes demonstram de imediato forte agitação. Concordo perfeitamente com a observação empírica e acredito que alguns minutos bastam para que se coloque fim a uma desvalorização sem nexo..

Ana, em 2010-02-10 às 01:23, disse:
Sou Eng Zootécnica e trabalho com peixes, mas não os deixo morrer (ao contrário da Isabel, que se devia envergonhar pelo seu comentário).
Quanto à alimentação não me parece que conheçam o recipiente do alimento mas sim a rotina da alimentação em si. Isso também me acontece, mas não com todas as espécies, um bom exemplo de interacção seriam o Pimpão e Carpa.
Muitas vezes me questionam sobre os 5 seg de memória dos peixes, comentário este que sempre muito me irritou!... com tanta coisa interessante para saber o público só sabe opinar sobre isto ou a comparação da inteligência com outro qualquer animal sem nenhuma relação com os peixes... até pela observação empírica conseguimos provar esta questão da memória.


Helder, em 2010-02-06 às 10:47, disse:
Também tenho aquário e partilho com a Maria Sousa o exemplo da comida.

Carlos Fernandes, em 2010-02-05 às 11:28, disse:
Só a presunção narcísica do Homo Sapiens Sapiens explica as nossa crenças sobre as capacidades dos outros animais.

Isabel, em 2010-02-05 às 00:07, disse:
O meu problema é que apesar de ser licenciada em zootecnia tenho um azar com peixes que os deixo morrer todos!!!
Tadinhos...Mas sempre ouvi dizer que a memória de peixe é de 5 minutos e a partir daí é tudo novo outra vez...Bem, se não tivessem alguma capacidade de "aprendizagem" provavelmente estariam extintos não é??


Pedro, em 2010-02-04 às 19:00, disse:
Sempre considerei o lugar comum da "memória de galinha" dos peixes um dos maiores absurdos pseudo-científicos! Quem nunca teve peixes num aquário, talvez (ainda) acredite...

Maria Sousa, em 2010-02-03 às 18:31, disse:
CONCORDO QUE OS PEIXES TÊM GRANDE CAPACIDADE DE APREDISAGEM!PORQUE EU TENHO UM PEIXE DE ÁGUA DOCE QUE VÊM AO CIMO DA ÁGUA PEDIR A COMIDA, LOGO QUE EU ME APRÓXIMO DO AQUÁRIO,ELE JÁ CONHECE O RECIPIENTE DA COMIDA.

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